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Meditação de Pôr do Sol de 06/03/2015 por Jael Eneas de Araujo

SÁBADO, PIANO E EXÉRCITO

“Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso; então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra… porque a boca do Senhor o disse”. Isaías 58: 13-14

Servi o Exército Brasileiro em 1972, no auge da Ditadura Militar, na cidade de Santo André, SP. Para falar a verdade eu não precisava “Servir”, como se falava antigamente, por trabalhar no Serviço Público Federal como telegrafista. Mas, de tanto gostar de “ser soldado”, insisti, sem saber do alto preço que pagaria.

O dia começava cedo. Vestia a farda, coturno brilhando, quepe “bico de pato” na cabeça, assim, eu marchava firme para o quartel. Como o Brasil vivia o auge do militarismo, a farda era respeitadíssima. Era só levantar a mão, que o ônibus parava em qualquer lugar para a gente entrar de graça! “Ser soldado” do 2º. Exército era um privilégio, mas, havia rotinas. A continência era uma delas. Logo aprendi que ao entrar no quartel era preciso ficar em “posição de sentido” e dizer: “Araujo”, soldado 174, da 2ª. Companhia. Meus colegas de farda eram muito camaradas. Mas, um dia eles começaram a
perceber que havia um dia diferente na minha vida. Esse dia era o Sábado.

Meu comandante, o Sargento Torres, não compreendia bem isso, pois, aos Sábados eu trocava de farda. Eu colocava terno e gravata e ia tocar piano na igreja. Por isso, meu nome foi para o conselho disciplinar do Exército. Isso era uma falta grave, ainda mais no período da ditadura! O Sargento me chama à sua sala. “Soldado, o que você pensa da vida?” A pergunta significava ir servir em alguma fronteira do Mato Grosso ou da Amazônia. Então, implorei: “Eu guardo o Sábado conforme a Bíblia orienta, e só faltam três semanas para terminar o Serviço Militar, por favor, permita-me concluir o Tiro de Guerra”.

Meu apelido no Quartel era “Filhote de Cruz Credo”. Após me chamar por esse apelido, disse-me: “vou marcar o último desfile treino para o Sábado que vem. Então, “Filhote”, se você faltar estará incorporado em algum Batalhão Fronteiriço do País”. E, dispensando-me, disse: “Estamos conversados. Última forma. Volver”. Isto era Sexta-Feira. Sai do Quartel triste, mas, confiante nas promessas de Deus. No Sábado bem cedo, fui tentado pegar a farda e ir para o Quartel. Mas, Deus enviou Seu Espírito. Fez-me levantar, pegar o terno, a Bíblia, o Hinário e ir para a Igreja, o “Exército de Deus”. No dia seguinte, cerca de 800 soldados marchavam. De repente, o Capitão para a marcha e grita meu nome: “Araujo, você veio Sábado?”. Eu disse: “Não, senhor”. Ele retruca: “Então, fora de forma, marche! Devolva-me suas credenciais. Apresente-se amanhã para viajar para fronteira”.

Imagine você o constrangimento. Sai do Quartel de cabeça baixa. Para um “ser soldado” de Cristo você precisa se posicionar de forma clara, no poder do Espírito. Horas depois, o Sargento Torres, envia o Cabo Benassi com um grupo de soldados para me devolver a credencial. Penalidade: limpar todos os fuzis do paiol até o dia da formatura militar! Hoje guardo a Reservista como prova de que Deus é fiel em cumprir Suas promessas! Leia Isaías 58: 13-14.

Jael Eneas de Araujo (61)
Diretor de Desenvolvimento Espiritual. Pastor do Campus UNASP Hortolândia.

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