Meditação diária de 23/07/2019 por Flávio Reti – Alberto Santos Dumont
23/07/2019
Meditação diária de 25/07/2019 por Flávio Reti – Gavrilo Princip
25/07/2019

Meditação diária de 24/07/2019 por Flávio Reti – Afonso Henrique da Costa Guimarães

24 de julho

Oseias 4:6  “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento”

Afonso Henrique da Costa Guimarães

Se já houve um camarada descontente com seu próprio nome, esse foi Afonso Guimarães, porque depois de várias tentativas ele fixou seu nome em Alphonsus de Guimarães e que passou a ser seu pseudônimo Literário. Era mineiro, nascido em Ouro Preto, em 1870 e morreu aos 51 anos lá mesmo, em Minas Gerais, na cidade de Juiz de Fora, onde ele foi juiz de direito. Era além de juiz um poeta afeito ao Simbolismo, uma tendência de seus dias de rejeitar a matéria e valorizar o Espírito. Dessa concepção vem uma certa preocupação metafísica que os simbolistas usavam para buscar valores transcendentes, criando uma atmosfera de mistério em tudo que escreviam os simbolistas. O que mais marcou a vida de Afonso Guimarães foi, na sua adolescência, o amor que ele dedicou a uma prima de nome Constança. Ele abandonou os estudos para viver ao lado da prima, mas para desespero seu, ela morreu pouco tempo depois de tuberculose. Com isso, o jovem Afonso se entrega à boemia e deseja também morrer para “estar com a prima” nos lugares etéreos. Por isso os temas de suas composições são o amor, a morte, e temas religiosos. Nenhum poeta brasileiro apresentou o luar em versos mais sublimes do que Afonso Guimarães. Chegou a morar em São Paulo, lá pelo ano de 1900 e foi redator do jornal A Gazeta e sua vida se resumiu nisso, ser juiz e produzir obras literárias. Acabou se casando com uma tal Zenaide de Oliveira, com quem teve 15 filhos. De São Paulo ele voltou para Mariana e devido ao tempo que viveu em Mariana ele ficou conhecido como “O solitário de Mariana”. Esse apelido ele herdou por causa do tempo que lá viveu em quase completo isolamento. Sua vida passou a existir quase que exclusivamente para ser juiz e para criação de obras literárias, sua paixão depois de Constança, a prima tuberculosa. Suas obras, quase todas elas, estão voltadas para temas relacionados com a morte. Escreveu de religião, de natureza e de arte, mas de alguma forma sempre desembocam no tema da morte. Todas as suas poesias são melancólicas demonstrando um sentimento de resignação, de sofrimento, de melancolia, desesperança. É uma espécie de espiritualismo doentio voltado para o misticismo.

Esse tipo de comportamento nos dá a clara impressão de que o autor não tinha uma religião concreta, que não tinha certeza da vida e nem da morte, não sabia sobre Jesus, sobre Deus e não tinha definição de vida. Era um lunático brincando com temas profundos para os quais ele mesmo não tinha explicação. De quanta tristeza, sofrimento, angústia não estaria ele livre se conhecesse a beleza do evangelho de Jesus e tivesse conhecimento das palavras de Jesus: “Vinde a mim todos que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” (Mat.11:28). As pessoas que não possuem o mínimo de conhecimento da vida de Jesus quando vêm as dificuldades para as quais não há explicações elas não sabem para onde correr e se abrigar. Era o caso de Afonso Guimarães, que sendo criado dentro do catolicismo nada sabia dos valores realmente eternos, por isso mesmo escrevia como se estivesse perambulando nas nuvens. Um crente que leu, pelo menos uma vez a sua bíblia, tem outra visão da vida e do mundo, especialmente do mundo porvir.

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