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24/09/2017

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23 de setembro

Dia do sorvete

Mateus 10:10   “…porque digno é o trabalhador de seu alimento”

Na rua da minha casa, lá pelo ano 1957, abriram uma sorveteria singular. Não havia eletricidade na vila e a máquina de fazer sorvete era manual. Alguém teria que ficar girando uma manivela por horas até o sorveteiro conseguir a consistência de fazer a massa parar no copinho. O tanque de água gelada era uma barrica de madeira adaptada com uma engenhoca na parte superior que sustentava o galão de sorvete imerso numa água salgada, que por ser salgada não congelava, mesmo com temperatura abaixo de zero. As barras de gelo eram trazidas de Bauru e guardadas num monte de palha de arroz e elas se conservavam durante uma semana ali dentro. Na hora em que o sorveteiro abria a sorveteria, ele quebrava algumas barras de gelo e jogava dentro da barrica e algum moleque começava girar a manivela. Adivinha quem geralmente era esse moleque, para depois ganhar um sorvete de massa. Já adivinhou!

Não sei explicar o porquê, mas comida e bebida, nesse caso o sorvete, sempre fascinaram as pessoas. Temos o caso de Esaú, filho de Isaque, irmão de Jacó, que voltando do campo sentiu o cheiro de um guisado especial que Jacó estava oferecendo ao seu pai e por um prato daquela comida ele vendeu ao seu irmão mais novo o seu direito de primogenitura. Olhando assim parece pouco, mas o direito à primogenitura lhe dava o direito de ser o líder da família na ausência do pai, colocava-o como líder espiritual no clã da família e também seria o herdeiro principal da herança dos bens e riquezas que por ventura a família tivesse. Quando ele se viu roubado desse privilégio, ele quis matar ser irmão Jacó que teve que fugir para longe dali (Gen.25:29-32). Outro caso em que a comida fascinava era com os filhos de Eli, o sacerdote, pouco antes do estabelecimento do sistema de reinado em Israel. Hofni e Fineas eram sacerdotes oficiantes e quando algum dos filhos de Israel vinha para oferecer um sacrifício eles tomavam para si a carne dos sacrifício à força. Parece pouco, mas eles tratavam o sacerdócio como alguma coisa banal (I Sam.2:12-17). Não era necessário fazer isso, porque pela lei de Moisés já havia uma parte da oferta dedicada ao sacerdote, mas a fascinação pela comida os levava a ser assim. Mais um caso que salta aos olhos foi o caso de Judas na ceia do Senhor. Jesus disse que o traidor era alguém que “metia a mão no prato” e não esperava ser servido (Mat.26:23). O caso do maná, também, porque Moisés ordenara que cada um colhesse o suficiente para aquele dia e não guardassem para o dia seguinte, mas alguns, talvez mais glutões, desobedeceram a ordem e guardaram. Mas o mana cheirou mal e apodreceu dentro das suas vasilhas.

Sou levado a lembrar o que disse Paulo: “porque o reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz e na alegria do Espírito Santo” (Rom.14:17) Numa outra tradução se lê “mas o reino do céu não é comida e nem bebida”.

A comida sempre esteve relacionada com as coisas de Deus. Jesus multiplicou o pão e o peixe duas vezes e distribuiu para a multidão. Todos comeram e se fartaram. Ao realizar a ceia, ele disse que o pão era seu corpo partido por eles e em seguida acrescentou: “Comei dele todos”, Noutra situação, quando os discípulos insistiram com ele para comer alguma coisa, ele respondeu que “sua comida consistia em fazer a vontade daquele que o enviou” (Jo.4:34). Como podemos ver, sempre há alguma coisa mais importante do que comida relacionada ao reino de Deus. Por isso, nunca devemos fazer do regime alimentar um cavalo de batalha para atropelar os outros, e nem fazer da comida um chicote para chicotear os demais.

O reino dos céus não é comida e nem bebida, mas fazer a vontade do pai, disse Jesus.

 

 

 

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