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Meditação diária de 23/08/2017 por Flávio Reti

23 de agosto

Dia da injustiça

Deuteronômio 32:4    “Ele é a rocha, suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são justos. Deus é fiel e sem iniquidade, justo e reto é ele”

Se temos que comemorar a injustiça, então vamos fazer festa o ano inteiro. Falar de justiça nesse mundo corre o risco de cair no ridículo, porque o que se vê é exatamente o triunfo da injustiça. Vamos relembrar as palavras de Rui Barbosa, no livro Oração aos Moços, de sua autoria, o qual ele preparou para um discurso de formatura de uma turma de baracheis de direito no Rio de Janeiro. “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Essa é exatamente a situação de nosso mundo. Vivemos num mundo injusto e por isso mesmo não é um lugar seguro para se viver. Temos, então, que aprender a conviver com a injustiça? Mesmo sabendo que “os injustos não herdarão o reino de Deus?” (I Cor.6:9). O mais leve afastamento da retidão derriba as barreiras e prepara o coração para injustiça maior. Esse dia 23 de agosto, como dia da injustiça, é uma boa ocasião para discutirmos o que é justiça e o que é injustiça, exatamente porque nosso conceito de justiça é muito falho. O que parece justo para mim é injusto para ele e vice-versa. O apóstolo João disse que “se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar de toda injustiça” (I Jo.1:9). E se não confessarmos, ele será injusto se não nos perdoar? Percebeu como é simples demonstrar que nosso conceito de justiça é falho? As condições para se alcançar as misericórdias de Deus são simples e razoáveis, basta seguirmos as pegadas da justiça, segundo Deus, porque a justiça dos homens é um insulto a Deus. Em breve se dirá no céu, “está consumado. Quem é injusto, faça injustiça ainda e quem é justo, faça justiça ainda” (Apoc.22:11).

A injustiça é como uma pessoa intrusa. Ela pode se infiltrar em qualquer contexto social furtivamente, sem que ninguém desconfie dela, discreta, e pode se apresentar rompantemente de cara limpa, abertamente injusta. Ela é mais perigosa quando se introduz às escondidas, nas entrelinhas, por baixo do pano, com cara de crente, mas sabidamente injusta. O simples fato do indivíduo não respeitar ou não reconhecer os direitos do outro já está de mãos dadas com a injustiça. Seguindo nesse sentido, a injustiça pode estar presente em qualquer contexto social em que sejam desrespeitados os valores e princípios estabelecidos. Ela pode estar presente de forma bem notória e algumas vezes, de forma discreta. Sempre que um indivíduo desrespeita ou não reconhece os direitos dos demais, não está praticando a justiça. Eu tenho que viver nesse mundo, eu estou exposto às injustiças que fazem parte do cardápio de cada dia, devo me exasperar, devo me incomodar, ou devo me acomodar? Nem um e nem outro. Jesus também viveu neste mundo e em nenhum caso nos consta que ele fosse conivente com a injustiça ou que fosse severamente rude com a injustiça. “Jesus não suprimia da verdade uma palavra que fosse, mas sempre a proferia com amor. Em Seu convívio com o povo exercia o maior tato, dispensando-lhes atenta e bondosa consideração. Não era nunca rude; jamais pronunciava desnecessariamente uma palavra severa; nunca motivava dores desnecessárias a uma alma sensível. Não censurava as fraquezas humanas. Dizia a verdade, mas sempre com amor. Denunciava a hipocrisia, a incredulidade e a injustiça, mas tinha lágrimas na voz quando proferia Suas esmagadoras repreensões” (Desejado de Todas as Nações, p. 353). Enquanto aquele dia não chega, vamos ter que viver nesse mundo cheio de injustiças, mas se formos “simples como as pombas e prudentes como a serpente” (Mat.10:16), sempre haverá um caminho e sempre haverá uma voz dizendo “Este é o caminho, andai por ele” (Is.30:21).

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