Meditação diária de 18/10/2017 por Flávio Reti
18/10/2017
Moção de Parabenização da Câmara Municipal de Hortolândia aos Adventistas pelo “Dia do Adventista”
19/10/2017

Meditação diária de 19/10/2017 por Flávio Reti

19 de outubro
Dia do guarda-noturno

Salmos 121:4   “Eis que não dormitará nem dormirá aquele que guarda a Israel”

Todos os profissionais merecem um dia de comemoração ou de reconhecimento pelo seu trabalho. O Guarda-noturno não é diferente. Aliás, mais do que muitos, porque ele trabalha enquanto outros dormem. Sua atribuição é zelar e guardar o patrimônio público e privado, vigiar locais públicos e privados, exatamente no horário mais vulnerável aos criminosos. Se você vai a um parque, lá está o vigilante guarda, se você vai a um condomínio lá também está o guarda, em todos os lugares há sempre um guarda de prontidão garantindo a integridade do local e do patrimônio sob sua responsabilidade. Os guardas-noturnos merecem um lugar em nosso coração. Mas sabe aquela mania de brasileiro de fazer brincadeiras com tudo? Olha aí a história contada para burlar com o guarda-noturno: Certo dia, logo pela manhã, o guarda noturno que trabalhava em uma grande empresa contou a seu chefe sobre um sonho que tivera na noite anterior.

– “Foi um sonho terrível! Sonhei que o senhor estava em um avião caindo no mar gelado e todos morriam nesse acidente, inclusive o senhor. Acordei molhado de suor e ainda agora me lembro dos gritos de desespero dos passageiros. Ninguém merece uma morte assim”.

O chefe, jovem executivo, dinâmico e empreendedor, tinha verdadeiro pânico de aviões. Mas seus negócios exigiam que ele fizesse viagens constantes para outros países e somente ele podia assumir tal responsabilidade. Assustado com a informação do empregado, o chefe decidiu adiar a reunião de negócios. No dia seguinte, todas as manchetes dos principais jornais anunciavam a queda de um avião no mar, aquele que ele estaria se não tivesse desmarcado a reunião e, até o momento, não havia notícias de sobreviventes. Na mesma hora, o chefe mandou chamar o guarda noturno e lhe mostrou a notícia do jornal. Agradeceu fervorosamente pelo aviso que havia lhe salvado a vida e, a seguir, sem nenhuma explicação, pediu que passasse no Departamento Pessoal, pois estava despedido.

– “Mas como chefe? Estou sendo despedido por salvar-lhe a vida?”, Perguntou o guarda-noturno sem compreender a atitude do chefe.

– “Não meu amigo. Por isso eu já lhe disse que sou muito grato”, continuou o chefe.

– Estou despedindo-o pelo fato de você ser guarda-noturno e ter dormido durante o trabalho. Isto é inadmissível!

Brincadeiras à parte, a bíblia está repleta de situações em que Deus aparece como guarda em Israel. É o Salmista dizendo que “o guarda de Israel não dormita e nem dorme” (Sal.121:4), que é o nosso verso inicial, ou pedindo para Deus colocar um guarda diante da sua boca (Sal.141:3). É a guarda real cercando o rei Joás para protegê-lo de uma conspiração (II Re.11:11). É Neemias colocando guardas-noturnos para vigiar a reconstrução dos muros de Jerusalém, assim que voltaram da Babilônia (Ne.4:9, 22). São os guardas comissionados por Herodes para guardar o sepulcro a fim de evitar que os discípulos roubassem o corpo de Jesus (Mat.27:66). É Paulo se alegrando por tornar Cristo conhecido de toda a guarda pretoriana em Filipos (Fil.1:13). A profissão de guarda não era desconhecida dos escritores bíblicos e nem esquecida, porque aqui e ali eles sempre são lembrados. Isso nos leva a pensar no cuidado de Deus que não se esquece de nenhum de seus filhos, sejam eles guardas ou guardados. Ninguém fica fora da atenção divina que concede suas bênçãos a todos que o buscam.

A gente nasce e cresce ouvindo histórias de guardas que passam com aquele silvo agudo de seu apito marcando a presença. E os meninos sempre imaginam um guarda forte, robusto, musculoso, como os heróis das histórias em quadrinhos, mas o guarda é muito mais guarda com a inteligência, com informação. Ele não tem medo, como as crianças, de assombração, de lobisomem, de sombras noturnas, porque, com olhos de lince ele vigia a escuridão, com ouvidos apurados suspeita de qualquer chiado nas trevas da noite. Ele tem a oportunidade de ver a beleza da lua cheia, mas não pode apreciá-la porque está sempre atento ao dever. Sempre que ouço um apito na rua, me vem à lembrança um guarda-noturno em serviço. Que Deus seja propício em guardar nossos guardas-noturnos enquanto eles cuidam de nós.

 

Com frio, calor ou chuva, lá estava o destemido guarda noturno. Com olhos de lince, era capaz de andar no escuro, desviando dos buracos da rua e dos perigos noturnos. Os ouvidos acurados e sempre abertos permitiam escutar, a grandes distâncias, qualquer barulho suspeito.

Por isso, me sentia tranquilo e protegido em minha cama. À medida que o meu sono chegava, o seu apito, aos poucos, se afastava. Na madrugada a rua se aquietava, restando apenas o latido de algum cão sonâmbulo e o apito severo do guarda noturno.

Foi assim até o dia, ou melhor, à noite em que o vi conversando com meu pai no portão de casa, ao lado de sua bicicleta. Sim, ele usava uma bicicleta. Se pudesse descrever a minha sensação com uma palavra, certamente esta seria: decepção.

Não podia ser. Era um homem franzino, com os olhos saltados e mal posicionados em um rosto miúdo e sem expressão, pescoço comprido e fino, e nariz aquilino. O quepe de lona surrada parecia espremer o seu cérebro, e a farda caqui dava a ele um aspecto sujo e cansado. Era exatamente o oposto do que havia idealizado. Como podia este homem, tão fraco, ser o guardião da minha rua?

Pensava em um homem atento, musculoso, mais jovem, parecido com os meus super-heróis das revistas em quadrinhos. Que fosse bom de luta, que usasse roupa preta brilhante, botas reforçadas, uma arma enorme e, talvez também usasse uma máscara – afinal todo super-herói tem identidade secreta. Sua coragem sempre a serviço dos oprimidos, fundindo o humano e o impossível, transformando-o em um ser quase imortal.

A minha decepção não durou por muito tempo, afinal o guarda noturno é uma instituição, e como tal, é inabalável. Ainda hoje, me lembro do guarda noturno não como um homem, mas como um cavaleiro solitário das trevas, que não tem medo da noite e de seus perigos. Que tem o privilegio de assistir a beleza da lua cheia, mas não de apreciar, porque não pode se distrair. Mas, acima de tudo, não deixo de lembrar a minha infância, quando, na calada da noite, ouço algum apito na rua.

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