Culto de Quarta-feira
17/11/2020
Meditação diária de 19/11/2020 por Flávio Reti – Walkman
19/11/2020

Meditação diária de 18/11/2020 por Flávio Reti – Vitrola

18 de novembro

Jó 17:11  “Os meus dias passaram, malograram-se os meus propósitos, as aspirações do meu coração”

Vitrola

Não é um aparelho novo, era do tempo dos discos de vinil, os chamados bolachões, e era uma caixa adaptada com motor para rodar o disco, um braço com um a agulha para seguir os sulcos do disco e dentro da caixa havia ainda o circuito de amplificação do som. Era um aparelho de som completo, dentro das limitações da época. Era uma base, com um prato circular giratório acionado por um motorzinho elétrico e uma correia e sobre esse prato a gente colocava o disco, baixava um braço munido de uma capsula coletora com uma agulha e aquele era o que seria amplificado se tornando em música audível em som alto com o uso do amplificador dentro da mesma caixa. Começou com uma rotação de 78 RPM (rotações por minuto), depois diminuiu para 45 e finalmente parou em 33 RPM. Como era a única coisa que existia para se ouvir música gravada, as indústrias se esmeravam em apresentar cada dia um modelo novo de vitrola, que passou a se chamar “toca-discos”. Algumas tinham tampa acrílica que cobria tudo, braço mais leve para não furar o disco, ajuste de velocidade da rotação para não distorcer a voz, porque bastava diminuir ou aumentar a rotação do disco e a voz, ou a música, se alterava. Se girasse mais do que as 33 o som se parecia com a voz de um ventrílogo, e se rodasse menos o som se parecia com um bêbado falando mole. Mas o som nunca era limpo o bastante, porque a capsula captava o som gravado e o chiado da agulha percorrendo os sulcos do disco e capitava também o som do mecanismo giratório, mas era o que tínhamos para ouvir música ou sermões ou palestras. A mudança da tecnologia analógica para digital e o advento do CD digital cuja leitura é feita por um canhão de raios laser desbancou por completo o uso da vitrola. Algumas era montadas em um móvel que ficava até enfeitando a sala e era símbolo de status ter uma vitrola TELEFUNKEN ostentando orgulho na sala de visitas. Eu ainda tenho guardados como relíquias dois modelos diferentes de toca-discos, reminiscências dos tempos. Eles ainda funcionam, mas quem vai se dar ao trabalho de desempoeirar um disco de vinil, colocar pra rodar cheio de chiados se tudo agora está gravado em uma pastilha sólida de dados armazenados (os pendrives) que funciona com som digital limpinho? Ou simplesmente baixar qualquer música da Internet em segundos? Às vezes os discos de vinil eram tanto usados que literalmente furavam e daí que veio a expressão “vai furar o disco” quando alguém falava demais. De que adiantou todo aquele luxo com as vitrolas se tudo já passou e nem saudades delas existem hoje? É porque tudo passa nessa vida e nós também passamos. É um caso a pensar!

Os comentários estão encerrados.