Meditação diária de 14/09/2020 por Flávio Reti – Raio X
14/09/2020
Meditação diária de 16/09/2020 por Flávio Reti – Receptor de satélite
16/09/2020

Meditação diária de 15/09/2020 por Flávio Reti – Ralador

15 de setembro

Provérbios 15:33  “O temor do Senhor é a instrução da sabedoria e adiante da honra vai a humildade”

Ralador

Aqui em São Paulo dizemos ralo, ao invés de ralador, aquele utensílio doméstico usado para ralar certos alimentos e que aqui pra nós é uma peça de metal presa a um cabo que pode ser de madeira ou também de metal, com orifícios feitos de tal maneira que deixam bordas cortantes que vão raspando fundo o alimento que se quer ralar. E pensa que só os cientistas e grandes gênios inventam utilidades e máquinas para facilitar o trabalho doméstico? Que nada, porque a invenção do ralo, ou ralador, sempre foi atribuído aos índios. A indústria aprendeu com eles e criou raladores especiais para cada coisa. Alguns para ralar limão, laranja para aproveitar as raspas na confecção de bolos, pudins, outros para ralar coco, ou queijo, ou cenouras e até vegetais. Alguns até servem para fatiar batatas em rodelas. Verdade é que já existem raladores industriais, mecanizados e motorizados que fazem o trabalho melhor do que ralar na mão, vamos admitir. A primeira coisa que os nativos descobriram que poderia ser ralada e com ela fazer vários produtos foi a mandioca que era plantada e utilizada pelos índios do México até o Brasil e assim o ralo se tornou uma ferramenta super importante para eles e hoje para nós também. O ralador dos povos do Xingu consistia de uma prancha, formato de tábua, incrustada com pedras presas na madeira com látex. Outras tribos menos espertas utilizavam só as pedras ásperas ou a casca de alguma planta que fosse dura na qual eles faziam saliências em baixo e alto relevo alternadamente. Outros se valiam de espinhos de peixes de certo modo presos na madeira enquanto os Jurunas usavam casca de árvores que tinham espinhos naturais. Cada tribo inventava o seu ralador baseados na sua cultura e na sua inteligência, mas ralavam. Com isso nós herdamos deles a farinha de mandioca, a farinha de coco, o polvilho doce e o azedo, a fécula de mandioca, a tapioca e aprendemos a fazer sagu, mandioca cozida e frita e outras iguarias que eles há séculos vinham se deliciando com elas. A lição que eu aprendo aqui é que é possível, sim, aprender com os mais humildes. Nem sempre nós, a civilização assumida como mais culta, é a dona da verdade e do conhecimento. Muita tradição passada de mãe para as filhas ainda são tão verdades como as nossas melhores descobertas científicas modernas, com um chazinho de alguma plantinha do quintal, por exemplo. Não precisa ser escolarizado para ser sábio, porque sábio é quem usa bem o conhecimento que tem.

 

 

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