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12/07/2019

Meditação diária de 12/07/2019 por Flávio Reti – Alfred Dreyfus

12 de julho

João 13:21  “…Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há de trair”

Alfred Dreyfus

Você sabe muito bem o que significa uma acusação injusta, falsa e talvez já tenha passado por experiência desse tipo. Aqui está um homem, capitão do exército francês, que simplesmente por ser de origem judaica foi injustamente acusado e condenado por traição. Dentro de ambiente político tudo se pode esperar e foi isso o que aconteceu com Alfred Dreyfus dentro da república francesa e que ficou conhecido no mundo como o episódio Dreyfus, ou o caso Dreyfus. Futuramente ele foi anistiado e readmitido nas suas funções, mas a infâmia já estava feita. Conseguiram, não se sabe de onde, um conjunto de documentos falsos de quando a França lutava por uma campanha nacionalista em tom de revanche contra a Alemanha, e ele foi o bode expiatório acusado de estar passando informações e segredos militares para os alemães e isso gerou um movimento de antissemitismo dentro da França, com muitas condenações de judeus acusados de não franceses. Mas tudo se demonstrou posteriormente ser uma farsa e aos poucos foi sendo acalmada e explicada através da literatura intencional de Emile Zola, Anatole France e inclusive Rui Barbosa que foi o principal disparador de vozes contra a acusação infundada. Aconteceu que Dreyfus foi humilhado, degredado, seus galões oficiais foram arrancados em cerimônia pública e de início condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. Uma segunda vez ele foi julgado por um tribunal militar e novamente condenado. O problema era que Dreyfus era de origem judaica, um judeu portanto, e nunca poderia se aliar aos alemães contra seu próprio povo que vivia na França. Mas a fonte do problema era que Dreyfus era burguês, participando de uma ala do exército dominado pela elite da aristocracia e nada mais adequado do que inventar uma traição para eliminar Dreyfus do quadro de oficiais elitizados, uma escolha feita pelos seus superiores. Aconteceu que tudo veio à tona e Dreyfus foi readmitido nas suas funções, ele não era um traidor, ele foi traído pelos superiores.

Mas a bíblia tem uma história de traição exatamente ao contrário. Judas não era um oficial, era um subalterno de Jesus, e tramou um plano real de entregar Jesus aos que queriam sua cabeça. No caso de Dreyfus, os oficiais queriam a cabeça do subalterno, mas no caso de Judas um subalterno queria a cabeça do mestre. E Judas realmente traiu declaradamente, sem sombra de dúvida, enquanto Dreyfus nada tinha que o acusasse. Judas fez pior, porque pegou dinheiro sujo da traição, era a prova material de seu mau caráter. Dreyfus conseguiu ganhar a opinião pública e ter seu caso revisto e finalmente ser readmitido nas suas funções, mas Jesus não teve chance de provar sua inocência, não teve um segundo julgamento, foi condenado e executado. A condenação de Dreyfus era a prisão perpétua, mas a de Jesus foi a morte na cruz, muito pior e por muito menos, por nada a bem dizer. Hoje, quando se pronuncia o nome Judas, vem à mente um asco de pessoas traidoras, temos ojeriza de traidores. O que temos a fazer é cuidarmos para não sermos nós os traidores, porque a mancha fica para sempre.

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