Meditação diária de 09/11/2017 por Flávio Reti
09/11/2017
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10/11/2017

Meditação diária de 10/11/2017 por Flávio Reti

10 de novembro
Dia do trigo

Gênesis 27:28   “Que Deus te dê o orvalho do céu e dos lugares férteis da terra e abundância de trigo e de mosto”

Quem viaja pela região de Entre Rios, na argentina, vai ver extensas planícies plantadas com trigo a perder de vista. De quando em quando, lá no meio do campo, está um graneleiro enorme para receber os grãos. O cereal, trigo, é a base da alimentação de muitos povos. O brasileiro não dispensa um pãozinho fresco no café da manhã. Desde a mais remota história já se tem notícia da produção da farinha advinda do trigo. A família de Jacó desceu ao Egito para buscar trigo.

Os romanos atribuíam à deusa Ceres, conhecedora da arte de semear e colher o trigo, a sua origem. É daí, do seu nome, em Latim, que nos vem a palavra cereal, cerealista e outras. Segundo a mitologia greco-romana, um dos segredos de Ceres era o preparo e o armazenamento do pão. Dizem que a deusa Ceres deve ter aprendido a arte com os antigos egípcios, os primeiros a conhecer a magia do fermento. E ela, como boa romana, não se limitou a copiar a arte dos egípcios, mas incrementou misturando com outras sementes aromáticas criando pães com vários sabores e aromas diferentes. Há documentos afirmando que no século III, antes de Cristo, os gregos já tinham 72 receitas diferentes de pão. A arte de ser padeiro representava status entre os gregos e romanos. Em tempos de recessão, de miséria, de fome, quem tinha a chave dos celeiros é que tinha poder.

Conta-se que ficou marcada na história a falta de sensibilidade da rainha Antonieta, da França, que nas vésperas da revolução francesa não se sensibilizou com o clamor do povo, não entendeu a agonia do povo esfomeado que clamava por pão e disse o seguinte: “Se eles não têm pão, que comam brioches”. Isso acendeu a fúria do povo e logo em seguida invadiram o palácio de Versalles e mais tarde levaram o rei e a rainha à guilhotina. Se ela tivesse dito comam Croissant, talvez teria sido diferente o desfecho da história. A título de curiosidade, pão branco e brioche era o que sobrava nas mesas dos ricos e nobres, mas os pobres comiam pão integral, quando podiam, sem saber que estavam comendo melhor do que os reis nos palácios. Pão feito com farinha de trigo branca e fina, peneirada com trigo descascado e moído era privilégio da nobreza, ao passo que o povão comia o que era feito com farinha integral, rústica.

No Brasil aconteceu quase igual. Até o século XIX, poucas pessoas tinham acesso à farinha de trigo vinda de Portugal. O sociólogo Gilberto Freyre, conta que os reis lusitanos, Dom João e a rainha Dona Maria I, quando vieram para o Brasil fugindo das guerras Napoleônicas, não dispensaram as iguarias feitas com farinha branca e trouxeram para o Brasil tanto a farinha quanto as receitas e os próprios padeiros. Com alguma mudança na receita, o pão que veio da Europa para o Brasil ganhou um pouco de açúcar, um pouco de gordura e nosso chamado pão francês ficou diferente conservando apenas o nome. Ao se espalhar pelo Brasil foi ganhando nomes diferentes, como pão francês, pão d’agua, cacetinho, pão de sal, bisnaguinha, carioquinha e outros.

A bíblia nos fala de fome não de pão e de sede não de água. Diz a bíblia que nos últimos dias o povo correria de um lugar para outro com fome da palavra de Deus (Amós 8:11). E não é exatamente isso que estamos vendo? Quanta gente desassossegada, inquieta e perturbada com fome na alma, ávidas por ouvir alguma coisa que lhes suavize a angústia do coração, as inquietações que invadem a alma. Falta-lhes o pão da vida, a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo.

Jesus comparou os justos com o trigo e os maus com o joio. Disse ele que o trigo (os justos) deveriam ser guardados em celeiros e os maus (o joio) deveriam ser arrancados e jogados no fogo. E é verdade que há joio com o trigo, mas Ele nuca disse para nós arrancarmos o joio do meio do trigo, mas Cristo disse que enviaria Seus anjos para juntar primeiro o joio e atá-lo em molhos para ser queimado, e recolher o trigo no celeiro” (Igreja remanescente, p.60).

A gente se inquieta ao observar a presença de joio no meio do trigo mas a orientação do próprio Jesus é deixar que tanto o joio como o trigo cresçam juntos até à ceifa. Ele enviará seus anjos que se encarregarão de fazer a separação. Não é trabalho nosso. Nossa única preocupação, no momento, é procurar ser trigo puro que um dia seremos ajuntados pelos anjos e guardados não em um graneleiro argentino, mas no reino dos céus.

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