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05/04/2019

Meditação diária de 05/04/2019 por Flávio Reti – Vicente Augusto de Carvalho

05 de abril

Eclesiastes 11:10  “Afasta, pois, do teu coração o desgosto, remove da tua carne o mal, porque a mocidade e a aurora da vida são vaidade”

Vicente Augusto de Carvalho

Você queria ler algo sobre alguém versado, inteligente e atuante? Está aí, Vicente de Carvalho, como ficou conhecido nos meios literários e advocatícios deste país. Ele foi advogado, jornalista, político, abolicionista, fazendeiro, deputado, magistrado, poeta e contador de causos. Era natural de Santos e lá mesmo morreu. Foi um menino precoce, sabe o que é isso? Aos oito anos ele já fazia versos e aos dez anos o mestre, professor, pediu para ele não vir mais à escola porque não tinha mais o que lhe ensinar. Aos dezesseis entrou para a faculdade e aos vinte anos já estava formado em direito. Participou do movimento denominado Parnasiano da Literatura e escreveu vários livros, entre eles um que lhe angariou maior simpatia: Palavras ao mar. O mar sempre foi, para ele, a musa inspiradora e ele chegou a escrever que “O mar é para mim o que o céu é para os crentes”. Adorava o mar e adorava a pescaria, mas certa ocasião voltou com uma infecção que custou a amputação do braço esquerdo. Futuramente, pescando num dia de clima ruim, ele contraiu pneumonia e veio a óbito.

Era apaixonado pela sua esposa, dona Ermelinda, a quem certa vez escreveu: Sou o que sou por serdes vós quem sois”. E quando seus amigos reclamaram que ele não respondia suas cartas, ele simplesmente respondeu: Escrevam-me em versos, porque a versos sempre respondo. Uma de suas poesias que sempre cobra atenção é a poesia intitulada “A Flor e a fonte”

“Deixa-me, fonte!” Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria
Cantava, levando a flor.
“Deixa-me, deixa-me, fonte!”
Dizia a flor a chorar:
“Eu fui nascida no monte…
“Não me leves para o mar.”
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
“Ai, balanços do meu galho,
“Balanços do berço meu;
“Ai, claras gotas de orvalho
“Caídas do azul do céu!…”

Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Rolava, levando a flor.
“Adeus, sombra das ramadas,
“Cantigas do rouxinol;
“Ai, festa das madrugadas,
“Doçuras do pôr-do-sol;
“Carícias das brisas leves
“Que abrem rasgões de luar…
“Fonte, fonte, não me leves,
“Não me leves para o mar!”
As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor..

Não é uma bela reflexão para a juventude? A fonte, o tempo que passa, leva a flor, a juventude, e vai resvalando nas dificuldades da vida, numa descida desenfreada, até o grande mar. Se você conseguir fazer esse paralelo entre a fonte levando a flor e o tempo levando a vida, fica mais fácil de enfrentar as correntezas da vida.

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