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04/03/2019
Meditação diária de 06/03/2019 por Flávio Reti – Manoel da Mota Coqueiro
06/03/2019

Meditação diária de 05/03/2019 por Flávio Reti – António Gonçalves da Silva

05 de março

I Coríntios 15:58  “…sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”

António Gonçalves da Silva

Pensa em um matuto pra lá de habilidoso com as palavras! Esse foi Patativa do Assaré, nome de guerra de António Gonçalves da Silva, figura expoente da música e do folclore nordestino. Nasceu de uma família pobre que se aventurava na lavoura e muito cedo na vida ficou cego de um dos olhos em função de uma doença até aquele tempo desconhecida para ele. Com a morte do pai e com a necessidade de se manterem, ele passou a ajudar a mãe na lavoura e com isso ele só pôde estudar alguns meses, sendo considerado quase analfabeto. Mesmo assim, ele se deu a fazer poesias e cantar repentes se apresentando em festinhas e encontros de final de semana. Foi daí, ao redor dos seus vinte anos, que ele recebeu o apelido de Patativa e por morar em Assaré ficou fácil ligar Patativa do Assaré. Pra quem não sabe, patativa é uma ave do nordeste que dizem ter o canto muito bonito. Incentivado por um mecenas, José Arraes de Alencar, ele publicou vários livros de poesias e contos nordestinos. Mesmo sendo quase analfabeto, ele recebeu várias condecorações, premiações e homenagens. Inacreditável, mas cinco vezes ele foi homenageado como Doutor Honoris Causa. Como pouco sabia escrever, ele criava mentalmente seus poemas e também os guardava na mente, com isso ele conseguia recitar de cor qualquer um de seus poemas, o que ele fez até a idade de noventa anos. Ele sabia reconhecer sua condição de poeta inculto, tanto que denominava sua obra de poesia matuta.

Está aí uma característica digna de ser seguida por qualquer cristão, a capacidade de se ver e se reconhecer assim como é de fato e não como gostaria de ser. Eu me lembro de um pastor que costumava dizer que “há pessoas a quem basta subir em cima de um tijolo e já começam a fazer discurso”. Pior que isso é verdade, sempre há os interessados na fama, no reconhecimento, são sempre aqueles que querem a glória, mas detestam a cruz. Querem o sucesso sem esforço, querem a doçura da vida sem experimentar o amargor do trabalho sério, do suor do seu rosto, como indicou o Senhor para toda a humanidade desde o Éden. Certa vez, ainda cursando o ensino médio, fomos em uma excursão à sede do Banco Bradesco, na chamada Cidade de Deus, em Osasco, São Paulo. Na frente do prédio administrativo estava o monumento de um burrinho de bronze, selado com uma cangalha carregado de lenha e no chão uma placa com os dizeres: “Só o trabalho sério produz riquezas”, uma referência ao fundador do Banco Bradesco, Amador Aguiar, pela sua luta e pelo seu trabalho. Quanta razão tinha o apóstolo Paulo ao dizer “quem não quiser trabalhar não coma também” (II Tim.3:10) É uma grande dificuldade, para algumas pessoas, se reconhecer como realmente é. Temos a facilidade de achar que somos, quando na realidade nem sempre somos quem pensamos ou queremos ser. Nossa bíblia nos diz que todos pecaram e estão fora da graça de Deus. Nesse ponto sim, todos somos iguais e não adianta achar que já somos santos. Temos ainda muito que aprender com o manso e meigo Jesus.

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