Meditação de Pôr do Sol de 16/12/2016 por Valerya M. Rodrigues

Comentários da Lição 11 (4º Trim/2016) por Flavio Reti
08/12/2016
Comentários da Lição 12 (4º Trim/2016) por Flavio Reti
19/12/2016

DEUS SEMPRE ESTÁ NO CONTROLE 

E ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte não temerei mal algum porque tu estás comigo. Salmo 23:4

Morávamos em Nova Friburgo, RJ. Meus filhos ainda eram pequenos e, nessa época, eu trabalhava só no período da tarde, enquanto eles estavam no colégio. Certo dia, acordamos no horário de costume. Meu marido saiu cedo, pois estava na escala de plantão da UTI, e eu as crianças seguimos a rotina do dia, após o desjejum.

Meu filho Breno que, na época, era o caçula, não quis tomar o “café da manhã”. Ele se levantou e foi à sala de TV assistir ao seu programa predileto. Deitou-se no sofá enrolado no cobertor e ficou lá, quietinho. Até então, eu não havia notado nada de diferente. Ele, que tinha quatro anos, sempre foi o mais agitado da casa, acordava sempre alegre e cheio de novidades, mas, naquele dia, não quis comer. Intrigada, fiquei observando o que poderia estar acontecendo. As mães têm uma espécie de sexto sentido e eu me aproximei de mansinho, a fim de conversar com ele e saber se estava sentindo algo diferente. Aparentemente, estava apenas sonolento. Entretanto, meu coração dizia que alguma coisa estava errada.

Meu marido não tem o hábito de ligar do trabalho quando está no plantão e há 11 anos não contávamos com aplicativos como o WhatsApp para contatos imediatos. Mesmo os celulares ainda eram muito limitados. Contudo, naquele dia, meu esposo ligou; algo fora do habitual. Ligou cedo, preocupado, perguntando se estava tudo bem em casa. Breno estava com febre e sentia dores nas costas quando tentava esticar as pernas. Fiquei muito preocupada, pois isso poderia ser indício de uma irritação meníngea. Não, não podia ser! Alertei meu marido sobre o que estava acontecendo e ele imediatamente providenciou meios de levar o menino ao hospital. Ainda em casa, Breno começou a vomitar várias vezes, repetidamente, até quase desmaiar de tanto esforço. Era involuntário e intempestivo. Não tinha dúvidas: os sinais de hipertensão craniana somados à irritação meníngea poderiam indicar meningite ou algo pior.

Como somos médicos e conhecíamos os colegas do plantão, fomos atendidos mais rapidamente; porém, não da forma ideal. A lentidão entre a coleta de exames e o encaminhamento de guias foi fazendo o tempo passar. Enquanto isso, meu filho ia piorando.

Ocorreu-me averiguar o que estava acontecendo e confirmei que o pediatra não havia encaminhado a guia para a coleta dos exames de sangue nem da tomografia, porque ele achava que não fosse meningite e que o paciente deveria aguardar em observação.
Ele não poderia estar falando sério! Como eu queria que fosse apenas um resfriado ou uma indisposição gástrica; entretanto, as evidências apontavam para algo grave. Eu encaminhei as guias e as levei ao laboratório, enquanto meu marido solicitava a um neurocirurgião, grande amigo nosso, que fizesse uma punção licórica no centro cirúrgico. Ele veio de imediato, acompanhado de um outro colega anestesista.

Esse foi o começou de nosso grande drama. Enquanto meu filho estava no centro cirúrgico com o pai e os outros médicos, fui para casa a fim de pegar algumas roupas para o menino e casacos para mim e meu esposo. Em casa, tive uma profunda angústia, uma agonia de morte, uma forte sensação de perda do meu filho, como se uma lança tivesse transfixado meu coração e rasgado minha alma. Joguei-me ao chão em desespero, lembrei-me da oração de Ana rogando a Deus por um filho e senti como se meu corpo tivesse saído de mim. Abri meu coração completamente, pedindo a Deus que operasse um milagre segundo Sua vontade. Roguei ao Senhor pela vida de meu filho com a mais profunda ânsia de meu coração. Ao mesmo tempo, meu marido passava por uma situação muito desesperadora, pois Breno tivera uma parada respiratória induzida pelo anestésico. Os outros médicos já haviam ido embora e a enfermagem não estava presente no setor. Meu esposo não trabalhava naquele hospital e se viu sozinho com o menino sem saber onde estavam os medicamentos e o material para intubação.

Deus mais uma vez esteve conosco e nos deu livramento. Meu marido conteve a emergência e meu garotinho de quatro anos se recuperou, saiu do centro cirúrgico no colo do pai e foi para o quarto. Quando cheguei, soube o que havia acontecido.
Breno precisava realizar uma tomografia em outro hospital, porque o tomógrafo da instituição onde estávamos ainda não havia sido inaugurado. Quando fomos providenciar a transferência, descobrimos que o hospital tinha apenas duas ambulâncias: uma estava quebrada e a outra estava fora o dia inteiro, sem previsão de retorno. Desse modo, tivemos de levar o menino em nosso próprio carro, com acesso venoso, prostrado e vomitando. Mais um desafio! Era como se de repente o mundo tivesse escurecido.

Fizemos a tomografia e uma guerra emocional se travou diante daquela tela em busca de explicações. Mais uma vez Deus nos mostrou Seu livramento! Nenhum diagnóstico preocupante, o exame teve resultado normal. A punção licórica também não revelou meningite e Breno foi melhorando. Era como se eu tivesse saído de um buraco escuro muito fundo e sido recebida por uma luz muito forte e radiante. Tudo ocorreu em menos de 12 horas!
Passei aquela noite em oração, agradecendo a Deus pela vida de meu filho. No dia seguinte, ele estava feliz, brincando, agitado como sempre, correndo pela casa. Deus é maravilhoso! Mesmo “que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque Deus sempre estará comigo”. Amém!

Valerya M. Rodrigues
Natural do Rio de Janeiro, médica, membro da igreja do IASP, esposa de Gilberto Rodrigues Jr e mãe de três filhos lindos.

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