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Comentários da Lição 12 (4o Trim/2018) por Classe dos Pais
21/12/2018

Meditação diária de 21/12/2018 por Flávio Reti

21 de dezembro

Xexéu (Cacicus cela)

Salmos 119:144   “Justos são os teus mandamentos para sempre, dá-me entendimento para que eu viva”

É mais uma ave, um passarinho, de uma espécie muito conhecida no Norte e no Centro-Oeste do nosso país. Ele também é conhecido como japim ou japuíra. Já foi imortalizado em canção popular do maestro, pianista, escritor e compositor, Waldemar Henrique de Belém do Pará:

“Por isso, meu branco, eu lhe aviso:
Não mate mais Japim.
Anhangá, que zela por ele,
Persegue a quem lhe der fim”.

Seu nome científico se for traduzido vai nos levar a cacicus = cacique e cela = cavalo, do grego keles, cavalo, corcel. Seu cantar é tão variado que muitas vezes leva-nos a interpretar que se trata de um bando de vários passarinhos, quando na verdade é apenas um. E eles têm a capacidade de imitar perfeitamente outros pássaros, como o tucano, o papagaio e até alguns animais mamíferos. Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), um folclorista, historiador, professor e jornalista brasileiro, disse que “no Brasil tudo está para começar”. E ele estava muito certo, porque nós sequer conhecemos um décimo das riquezas desse nosso país. A pluralidade da nossa flora, a multiplicidade da nossa fauna, as lendas, costumes, comidas típicas, certamente há ainda um mundo para conhecermos. Existe ainda uma cultura milenar que precisa ser conhecida pelos brasileiros, essa cultura totalmente nossa que deve ser preservada, respeitada e amada. Às vezes, estrangeiros sabem mais de nosso país do que nós, brasileiros. Agora mesmo, observando uma foto dos ninhos dos xexéus, eu vi que eles fazem ninhos pendurados nos galhos como se fossem uma sacola, estreita na ponta e bojuda na base habilmente construídos com fios de capim seco, verdadeira obra de arte pendurada. E a gente fica a conjecturar: quem os ensinou a tecer ninhos tão lindamente pendentes do galho e não se quebram nem se desprendem com os temporais? Certamente a resposta vai se reportar a um Deus que tudo fez, que tudo sabe e que tudo pode. Ele dotou essa simples ave, quase desconhecida dos brasileiros e muito mais do mundo, com dons cobiçados pelo próprio homem. Quem me dera poder cantar e ter a capacidade de imitar os grandes cantores dos palcos da vida! Quem me dera ter a habilidade de construir obras maravilhosas na natureza a ponto de prender a atenção de quem a observar! Eu acabo concluindo que sei menos do que uma simples avezinha das florestas que, aliás, tem uma plumagem ricamente adornada com cores fortes e elegantes traços. Quando você ouvir a palavra “xexéu”, lembre-se que nós somos menos do que o xexéu, mesmo na sua solidão da floresta. Enquanto isso, ele continua cantando como se estivesse louvando o criador da sua beleza, da sua habilidade.

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