Meditação diária de 15/08/2018 por Flávio Reti
15/08/2018
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16/08/2018

Meditação diária de 16/08/2018 por Flávio Reti

16 de agosto

A Graúna (Molothrus oryzivorus)

Hebreus 10:35   “Não lanceis fora, pois, a vossa confiança, porque ela tem uma grande recompensa”

Graúna é o nome vulgar de uma avezinha preta muito comum no Nordeste Brasileiro. Aqui no sul ela é mais conhecida como pássaro preto. Quando José de Alencar, historiador e romancista brasileiro, descrevia a Índia Iracema, ele se referiu a ela com as seguintes palavras: “Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longo que seu talhe de palmeira. O favo da jatí (jati ou jataí, uma abelhinha sem ferrão que produz um mel meio azedinho) não era doce como seu sorriso, nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação Tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas”.  Dá a impressão que a gente está vendo a índia morena desfilando na nossa frente, com cabelos realmente negros, como a asa da graúna. Quando menino, eu era aficionado para apanhar essas aves. Certo dia eu descobri que no beiral do necrotério do cemitério de Guaianás, município de Pederneiras, havia alguns ninhos de graúnas (pássaros pretos, pra nós) e eu contei para meu primo da mesma idade que morava em Potunduva, município de Jaú. Ele veio de trem para se juntar comigo e juntos fomos ao cemitério caçar os filhotes das graúnas nos ninhos. Levamos nas costas, por um quilômetro, uma escada pesada de madeira para alcançar o beiral, mas pegamos vários naquele dia. No Bairro da Saúde, em São Paulo, na rua Carneiro da Cunha, há uma feira livre e nela há um barraca de verduras e temperos. Dentro da barraca é comum a freguesia ver uma graúna de nome Peto livre, pousando aqui e ali, junto com os donos da banca há dez anos. Peto nunca soube o que é gaiola e sempre acompanha os donos na feira, nas compras, em frente à televisão e nas horas de almoçar ou jantar. Ela come junto e come de tudo, desde o arroz do prato, frutas e verduras, pão. Diz o dono que ela é a primeira a chegar ao prato.

Fiquei impressionado com a liberdade que a ave tem e com a confiança depositada nos seus donos. Seria esse o comportamento que Deus esperava de seus filhos, quando os criou e os pôs no jardim do Éden? Que nós fôssemos assim confiantes na sua providência, que depositássemos inteira confiança na sua proteção e certeza de que ele nos daria o sustento de cada dia? Assim é o Peto, na barraca de verduras. Ele vive como se fosse um membro da família e seus donos estão muito felizes com ele. Será que Deus está feliz conosco?

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