Meditação diária de 26/09/2019 por Flávio Reti – Jean Henry Dunant
26/09/2019
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27/09/2019

Meditação diária de 27/09/2019 por Flávio Reti – Giuliano Della Rovere

27 de setembro

Romanos 14:12  “Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus”

Giuliano Della Rovere

Estamos falando de um papa, o papa Júlio II, que exerceu seu pontificado de 1503 até 1513, data que coincide com os próximos anos após o descobrimento do Brasil. Ele já tinha um tio papa (Sisto IV) que o ajudou (nepotismo) a chegar lá, mesmo não sendo muito afeito às coisas da igreja. Ele inclusive, na campanha para ser escolhido o próximo papa, ajudou o rei Carlos VIII da França a invadir a Itália. Uma vez empossado, se tornou o papa que mais fez pela arte e pela cultura de Roma. Era amigo de Raphael, de Michelangelo que pintou o teto da capela Sistina, ele também assentou a primeira pedra para a construção da basílica de São Pedro em Roma. Foi ele quem assinou o famoso tratado de Tordesilhas acalmando os ânimos entre Portugal e Espanha. Mas tudo isso diz pouco de quem foi o papa Giuliano Della Rovere, porque nas suas escapadas ele tinha amantes e inclusive uma filha ilegítima de Nome Felícia Della Rovere, muito rica, que exercia influência dentro e fora do Vaticano. O papa Júlio II se empenhou ferrenhamente para arranjar casamento para sua filha e para empanar as coisas a fez se casar com um senhor 20 anos mais velho do que ela quando ela estava com apenas 14 anos. Com dinheiro recebido de seu pai, o papa Júlio II, 9.000 ducados, ela comprou um castelo e passou a exportar trigo com grande lucro, inclusive vendia para o Vaticano. Isso me faz pensar numa frase que li algures: “Muitas vezes os lacaios têm atitudes mais nobres do que seu próprio Senhor”. Os subalternos de toda a hierarquia eclesiástica e até os membros fiéis da igreja não têm noção das intenções de seu superior. Todos acham que estão trabalhando para o bem comum da igreja, a chamada Santa Sé, mas inconscientemente estão locupletando os bolsos do superior no topo da pirâmide eclesiástica. Isso não foi e não é prerrogativa apenas do papado, mas é o que se vê nas modernas igrejas evangélicas com a disputadíssima “teologia da prosperidade”. No final tudo envolve dinheiro, e não pouco. Quando você lê e para pra pensar na pessoa de Jesus, com toda a verdade que ele trazia nos lábios, foi categórico quando afirmou que “as aves do céu têm seus ninhos, as raposas têm seus covis, mas o filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mat.8:20). Os discípulos eram pobres, muitos deles simples pescadores, mas deixaram tudo, o pouco que tinham, para seguir o mestre sem perspectiva de lucro, de ganho. Única certeza que tinham era que o mestre lhes prometia a vida eterna e isso bastava. E nós, o que temos em mente, quando pomos a bíblia embaixo do braço e nos dirigimos a uma igreja? Temos, em menor escala, as mesmas intenções que tinha o papa Júlio II ou temos algum objetivo nobre, altruísta, desinteressado em favor de alguém menos favorecido que nós?  O dia do Senhor se aproxima e de tudo que os homens fizeram darão contas, até mesmo daquilo que está escondido no fundo do nosso coração.

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