Meditação diária de 24/04/2017 por Flávio Reti
24/04/2017
Noite especial com Desbravadores Luzeiros da Colina
25/04/2017

Meditação diária de 25/04/2017 por Flávio Reti

Dia do Cão de Guia

“Ora, para aquele que está na companhia dos vivos há esperança, porque melhor é o cão vivo do que o leão morto” Eclesiastes 9:4

Meu pai costumava criar cães de caça. Ele gostava de caçar perdizes e codornas e para isso precisava de cachorros treinados. Nós sempre tínhamos em casa alguma cadela com filhotes de cachorro perdigueiro, aqueles malhados de branco e marrom e com uma orelha enorme pendurada. Eu era o encarregado de treinar o cão inicialmente. Eu fazia uma bola de pano preenchida com penas de codorna e passava no focinho do cachorrinho e depois arrastava a bola pela casa, pelo quintal para que o cãozinho se acostumasse com o cheiro e aprendesse a seguir pelo cheiro. Com pouco tempo ele já estava no campo ao lado de um outro cão mais adestrado. Muitas vezes, para que ele não corresse na frente e atrapalhasse a caçada, meu pai amarrava um pedaço de pau nas pernas dele de maneira que ele não conseguia correr na frente do cão mais adestrado e era obrigado a andar devagar. Curioso que quando eles detectavam o lugar por onde passou uma codorna, eles iam dando voltas e varejando até chegar aonde ela estava. Sem dúvida, eles a achariam. Demorava às vezes alguns minutos e todas as voltas que a codorna deu pelo capinzal eles davam também, simplesmente farejando atrás dela.

Você sabia que existe escola especializada no treinamento de cão-guia para cegos? Em 2011 o governo federal lançou um projeto que visa o aumento de cães guia e está ampliando para todos os Estados do Brasil. O lema do projeto é “Viver sem Limites”. O primeiro centro de formação está localizado em Camboriú, em Santa Catarina. Trocar a bengala por um cão é o sonho de muitos cegos no Brasil, isso porque, existem 1.4 milhão de cegos no Brasil, segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, e cerca de apenas 60 cães-guia. Os que se inscrevem na fila para conseguir um cão, às vezes esperam mais de 4 anos.

O cão tem sua utilidade. Temos na bíblia um caso de um cão cumprindo profecia. O rei Acabe havia usurpado fraudulentamente a propriedade de um homem de nome Nabote. O profeta Elias foi ao seu encontro e lhe anunciou a palavra do Senhor: “Assim diz o Senhor. Por ventura não mataste e tomaste a herança? … no lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote lamberão também o teu próprio sangue” (I Re.21:19). Logo a seguir o rei Acabe entrou em guerra contra os sírios e um dos arqueiros alvejou Acabe que suportou o resto do dia em seu carro de guerra, mas à tarde ele morreu. O sangue da ferida corria no fundo do carro e no final do dia, quando os soldados foram lavar o carro, os cães apareceram para lamber o sangue de Acabe (I Re.22:38), cumprindo assim a profecia proferida pela boca de Elias.

Aqui está um quesito para refletirmos. Muitas vezes um cão vem a ser mais útil a Deus do que os homens. No livro de Apocalipse, o anjo afirma através de João que fora da cidade santa ficarão os cães (Apoc.22:15), uma referência às pessoas vis, como se refere o apóstolo Paulo ao dizer “acautelai-vos dos cães, acautelai-vos dos maus obreiros” (Fil.3:2).

Os cães têm muitas lições a ensinar. Lições de valentia, de utilidade, no caso do cão-guia, mas também têm lições de covardia, de traição, de agressividade. Temos que aprender pelas características boas dos nossos amigos cães. Os cães são adestrados, nós somos ensinados.

Precisamos desenvolver nossa inteligência para entender a diferença. Quando nosso verso acima fala que melhor é o cão vivo, eu quero entender que eu posso ser esse cão vivo no sentido de esperto, inteligente, ciente em contraposição do leão morto, inútil. Ellen White comentando a respeito de Judas, logo após ter vendido seu mestre e tentar devolver o dinheiro, ela diz o seguinte: “Judas viu que suas súplicas eram em vão e precipitou-se da sala, exclamando: É tarde! É tarde! Sentiu que não poderia viver para ver Jesus crucificado e, em desespero, foi enforcar-se. Mais tarde, naquele mesmo dia, a caminho da sala de Pilatos para o Calvário, houve uma interrupção nos gritos e zombaria da turba ímpia que levava Jesus ao lugar da crucifixão. Ao passarem por local retirado, viram ao pé de uma árvore, sem vida, o corpo de Judas. Era uma cena horripilante. Seu peso rompera a corda em que se pendurara à árvore. Ao cair, rebentara-se-lhe terrivelmente o corpo e cães o estavam agora devorando. Seus restos foram imediatamente enterrados e ocultos às vistas. A retribuição parecia visitar já os que eram culpados do sangue de Jesus” (DTN, p.722). Os cães têm prestado excelentes serviços, é verdade.

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