Meditação diária de 22/04/2017 por Flávio Reti
22/04/2017
I Encontro de Liberdade Religiosa da APSo
23/04/2017

Meditação diária de 23/04/2017 por Flávio Reti

Dia Nacional do Choro

“Bem aventurados os que choram, porque serão consolados” Mat 5: 4

Você começou a ler essa meditação acreditando que o dia nacional do choro se referia ao choro das pessoas, com lágrimas nos olhos e soluços, com lenços enxugando os olhos e gente por perto consolando. Pois bem, sinto decepcioná-lo, mas o choro a que se refere a data de hoje é um ritmo de música instrumental, um gênero de música popular que surgiu no Rio de Janeiro em meados do século XX, popularmente chamado de chorinho. No rio de Janeiro pipocou grupos

munidos de violão, flauta e cavaquinho animando os bailes nos salões da alta sociedade do império. Os componentes dos grupos musicais de choro eram chamados de chorões. Um nome ressalta dentre os chorões compositores, Pixinguinha, quem consolidou o choro como gênero musical brasileiro introduzindo no conjunto seu saxofone e se tornando o maior compositor de chorinho. Outros nomes foram surgindo na sequência do tempo, como Jacó do Bandolim, Altamiro Carrilho na flauta.

Mas esquecendo o choro musical, vamos ver que o choro verdadeiro, real, é antigo na experiência das pessoas. Se alguém diz que não chora, pode duvidar, porque na infância, desde que nasceu chorou muitas vezes.

Muitos personagens bíblicos choraram por diversas razões. Esaú chorou ao se defrontar com seu pai depois de ter vendido sua primogenitura (Gen. 27:38). José, depois de vendido para o Egito chorou ao reencontrar seus irmãos (Gen.43:30). A filha de Faraó teve compaixão do menino Moisés quando este chorava (Ex.2:6). Ana chorava no tabernáculo, ao ser interpelada por Eli, porque pedia a Deus um filho (I Sam. 1:8). É longa a lista de pessoas que a bíblia afirma que choraram. Jesus chorou várias vezes: na morte de Lázaro, na entrada em Jerusalém, no jardim do Getsêmani. Gosto de ler sobre a nova Jerusalém e saber que nela “nunca mais se ouvirá voz de choro” (Is.65:19) e me arrepio ao pensar que fora da cidade “haverá choro e ranger de dentes” (Mat.25:30).

Muitos tipos de choro são justificáveis, as pessoas choram por N motivos. Mas há quem chore por algum motivo falso. Na antiguidade era comum o choro das carpideiras, profissionais que ganhavam para chorar e fazer as pessoas chorarem (Jer.9: 17 e 18). No sermão feito por Jesus e que ficou conhecido como o sermão do monte, Jesus disse que são “bem aventurados os que choram, porque serão consolados”. Com essas palavras Jesus não estava dizendo que o choro em si tem o poder de remover a culpa. E também, o choro do qual ele fala não consiste em melancolia e lamentação. Nós às vezes choramos porque nossos atos nos trazem consequências. O choro a que Jesus se referia era o choro do arrependimento, de tristeza pelos pecados. “Em cada pecado Jesus é ferido novamente e quando olhamos para ele, a quem nós transpassamos, nós choramos pelos pecados que trouxeram angústia sobre ele. Tal choro é que levará à renúncia do pecado” (Desejado de Todas as Nações, p.300). Chore, mas chore pelos seus pecados e porque Jesus o ama. Quando foi a última vez que você chorou pelos seus pecados, se é que chorou? Quando foi a última vez que você chorou com os que choram? Mas aposto que você se alegrou com os que se alegram! (Rom.12:15). Cada um sabe seus motivos para derramar lágrimas, mas, afinal, qual é o propósito de chorar? Um cientista tem uma teoria do motivo pelo qual o choro evoluiu: de acordo com Oren Hasson, as lágrimas podem servir como uma forma de mostrar que você baixou a guarda. O choro tem muitas interpretações: choro de saudade, de alegria, de dor, de raiva, mas “chorar entre o pórtico e o altar pedindo a Deus que poupe o seu povo é difícil (Joel 2:17). Se você tiver que chorar, escolha uma causa nobre pela qual chorar, mas nunca chore por bobagens deste mundo, porque aqui nesta terra nada vale uma lágrima.

Os comentários estão encerrados.