Meditação diária de 18/06/2019 por Flávio Reti – Saloth Sar
18/06/2019
Meditação diária de 20/06/2019 por Flávio Reti – Roberto Gomez Bolaños
20/06/2019

Meditação diária de 19/06/2019 por Flávio Reti – Ahmed Salman Rushdie

19 de junho

I João 4:18  “No amor não há medo, antes, o perfeito amor lança fora o medo…”

Ahmed Salman Rushdie

Basta ler o nome que já nos lembramos de alguma coisa acontecida em Londres. Trata-se de uma sentença de morte contra esse homem por ter escrito os chamados versos satânicos com os quais ele deprecia o Al Corão, livro sagrado dos muçulmanos. Ele é um escritor de ficção, nascido na Índia, mas que se formou na Universidade de Cambridge. Ele gosta de escrever coisas misturando a vida real com fantasia e alguns mitos da cultura popular, do folclore e de crendices. Ele foi casado com uma atriz de quem se divorciou e sempre permaneceu solteiro de lá para cá. Foi até condecorado com o título Knight Bachelor (Cavalheiro celibatário) em 2007. Ele ainda vive e está com setenta anos no momento em que escrevo esse devocional. Rushdie já era famoso, consagrado como escritor, quando foi premiado com a obra Filhos da Meia Noite, mas se tornou muito mais famoso e conhecido quando escreveu um livro com o título Versos Satânicos, acusando o Islã por perseguir as demais religiões cristãs e hindus. Com isso o mundo islâmico se levantou contra ele por considerar a obra ofensiva ao profeta Maomé e se propuseram entre si, entre os muçulmanos, a executá-lo onde quer que fosse encontrado, em qualquer lugar do mundo, era o voto da fatwa, emitida pelo aiatolá Khomeini, do Irã, que julgou seu livro como uma ofensa, uma blasfêmia, que provocava o afastamento de fiéis da fé islâmica, logo, seria punido com a morte. Diante disso, Salman Rushdie foi obrigado a se precaver e passou, a viver no anonimato. A publicação e a sentença de morte foi em 1989 e em 2005, 16 anos depois, a fatwa foi reeditada por Ali Khamenei com as seguintes palavras: “Mesmo que Salman Rushdie se arrependa ao ponto de se tornar o homem mais piedoso do nosso tempo, a obrigação permanece para cada muçulmano, de o enviar para o inferno, não importa a que preço, e mesmo fazendo o sacrifício de sua própria vida. Mas Rushdie tinha lá suas razões, ele citava incidentes de terrorismo, de brutalidade, inclusive o afogamento de xiitas, em 1983, motivados pela atuação muçulmana. Até hoje Salman Rushdie vive escondido nalgum lugar da Gran Bretanha, mas continua escrevendo e imprimindo suas ideias, suas novelas, seus comentários, tudo em segredo e sigilo, mas não desistiu diante da ameaça de morte.

Aqui está um ponto curioso que me faz rememorar a vida de Jesus. Nosso mestre, Jesus, não escreveu livros atacando a ignorância dos líderes de seu tempo, mas falava abertamente contra eles que sempre o acusavam de blasfemo e prometiam matá-lo. Bem, ele sabia que iria morrer, porque para isso ele viera ao mundo, mas nunca temeu as ameaças e sempre enfrentava cara a cara seus opositores. Jesus nunca se escondeu com medo de morrer. Ele usou e abusou da ousadia corajosa de falar a verdade e nunca recuar diante da oposição. Esse é um exemplo a ser seguido: nunca temer falar a verdade, custe o que custar, porque ao conhecer a verdade ela pode nos libertar de muitas amarras do passado, das tradições, das crenças infundadas, dos costumes dominadores de políticos, do pecado principalmente. São dele as palavras “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). E, por acaso, não é liberdade que todos queremos?

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