Meditação diária de 15/02/2017 por Flávio Reti
15/02/2017
Meditação diária de 17/02/2017 por Flávio Reti
17/02/2017

Meditação diária de 16/02/2017 por Flávio Reti

Dia de Santo Onésimo

“sim, rogo-te por meu filho Onésimo que gerei nas minhas prisões” Filemom 1:10

A Igreja católica pinta Onésimo como um santo. Se foi um santo, ele foi um santo ladrão. Ele foi, ao que se sabe, um escravo fugitivo que recebeu o evangelho através de Paulo em Roma e se converteu. Sabe-se que ele deve ter roubado a seu Senhor, Filemom, ao fugir e Paulo agora o manda de volta a Filemom. A tradição católica diz que ele veio a ser bispo e mártir e isso biblicamente

não se sustenta. Era para Roma que fugiam os escravos, porque era uma metrópole e na multidão seria mais fácil passar desapercebido. O Comentário Bíblico Adventista sugere que Onésimo deve ter procurado os cristãos de Roma por causa da caridade deles e também porque conhecia Paulo quando ele esteve na casa de Filemom. Por uma dessas coincidências inexplicáveis, Onésimo

se converteu ao evangelho e passou a ser muito útil a Paulo, ajudando-o nas suas necessidades. Lembre-se que Paulo chegara a Roma preso esperando julgamento porque na cidade de Jerusalém Paulo fora preso por precaução e retirado, pelas autoridades, de um alvoroço onde intentavam matá- lo. Na sua defesa ele apelou para o tribunal de Roma. Agora lá estava Paulo em Roma, aguardando julgamento, mas continuava preso.

Tudo que temos de Onésimo é referências encontradas numa carta de Paulo a outro crente de nome Filemom, que era, provavelmente, da cidade de Colossos. De Onésimo mesmo, a bíblia fala muito pouco. Filemom deveria ser um convertido rico da igreja de Colosso, deveria ser dono de escravos, a quem Paulo convertera quando esteve pregando na cidade. Quando se fala de Filemom, que também é nome de um dos livros da bíblia, o assunto inevitavelmente recai em Onésimo, o escravo de Filemom, que havia fugido para Roma. Ao escrever para Filemom, Paulo explica que Onésimo agora estava convertido, que era muito útil a ele na pregação e que o estava mandando de volta. Roga a Filemom que o aceite, que o perdoe, “como um irmão amado”, porque agora ambos são convertidos. A carta de Paulo a Filemom, para ser compreendida, não podemos esquecer o assunto sobre escravos no Império romano, nos dias de Paulo. A estrutura social não se sustentava sem os escravos e eles eram considerados membros da casa de seus donos. Especula-se que desde

150 anos antes de Cristo até 240 anos depois de Cristo, a proporção de escravos era de três escravos para cada cidadão livre. A história registra um homem chamado Cecilio que possuía 4116 escravos. Onésimo foi apenas mais um escravo no Império romano. Passaria desconhecido, como milhares de outros, sem a carta de Paulo a Filemom registrando essa feliz coincidência de ambos aceitarem o evangelho.

Deixando “santo Onésimo” de lado, destacamos a beleza do evangelho. Paulo, embora preso e acorrentado a um soldado, numa prisão imunda de Roma, consegue ver através do sofrimento a beleza do evangelho quando exclama: “Eu não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rom.1:16).

Que esse espírito de perdão, entre Onésimo e Filemom, permeie nossas relações enquanto continuamos vivendo presos a este mundo. Se Deus é bom e grandioso em perdoar, como está no Salmo 86:5 e 7, por que nós temos tanta dificuldade para perdoar questiúnculas que surgem entre nós no dia-a-dia? Se sabemos que “se confessarmos nossos pecados, ele é fiel e justo para

nos perdoar os pecados” (I Jo.1:9), por que temos tanta dificuldade em perdoar? Talvez nos falte o conhecimento de que quem não perdoa não merece perdão. Quando Jesus ensinou os discípulos orar, ele disse “perdoa-nos como nós perdoamos”. Perceba que é condicional. Se você não perdoa, não será perdoado e ponto final. Sem perdão, sem salvação!

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