Meditação diária de 11/12/2019 por Flávio Reti – Charles Romuald Gardès
11/12/2019
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12/12/2019

Meditação diária de 12/12/2019 por Flávio Reti – Orlando Villas Boas

12 de dezembro

Isaías 59:9  “Pelo que a justiça está longe de nós e a retidão não nos alcança”

Orlando Villas Boas

Eles eram em quatro irmãos (Orlando, Claudio, Leonardo e Álvaro), todos sertanistas e indianistas. Orlando nasceu em Botucatu, aqui no interior de São Paulo, em 1914, mas foi registrado em Santa Cruz do Rio Pardo, também no interior de São Paulo, porque lá seu pai era o prefeito. A comunidade indígena deve muito a esses valorosos irmãos e o Brasil também, pela contribuição que deram, aliás, deram a vida a serviço dos índios e da pátria, por esse motivo ele recebeu a medalha do Fundador da Royal Geographical Society. Nas suas empreitadas para alcançar os índios no interior do país, eles abriram mais 1500 quilômetros de picadas que viraram trilhas e depois estradas de terra e algumas delas hoje são asfaltadas. Ao longo desses 1500 quilômetros surgiram vilas e hoje algumas são cidades. O trabalho deles se destaca mais pela recuperação e salvação das tribos do Xingu, que eles chamavam de xinguanas, por habitarem às margens do Rio Xingu, na Amazônia. Sabe-se que juntos eles lideraram a expedição Roncador-Xingu que depois de 24 anos deixou para trás mais de 40 cidades, 19 campos de pouso para aviões de pequeno porte e, ajudados pela lei em 1961, criaram o Parque Nacional do Xingu. No Parque do Xingu ainda vivem 14 etnias diferentes e quase 7.000 índios. Ele escreveu 14 livros contando essa saga que ele denominou “A Marcha para o Oeste”, alguma coisa muito semelhante à conquista da América pelos colonizadores americanos. A diferença é que lá eles avançavam para o Oeste em busca do ouro das montanhas e não poupavam índios e animais (Isso você pode ver em qualquer filme de Farwest) e aqui nossos desbravadores adentravam na direção Oeste para ajudar, incluir os índios na população brasileira, criar escolas e levar medicamentos, demarcar suas terras para impedir a invasão pelos aventureiros e posseiros. Agora, o golpe doído que lhe deram foi sua demissão da Funai, o órgão que ele mesmo ajudou fundar. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso entrou no caso e exigiu a retratação do presidente da Funai. Um pouco desiludido pela ingratidão, e cansado das suas lutas, ele morreu com 88 anos, em 2002, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. E com isso fechou-se um capítulo lindo de trabalho em favor de gente abandonada pelas autoridades anteriores e que muitos de nós nem sabíamos que existiam. Conhecem o ditado “Fazer o bem sem olhar a quem” e foi exatamente isso que ele fez. Olhando para dentro de nossas igrejas, que se dizem cristãs, se cada um fizesse como ele fez, algum bem sem olhar a quem, nosso mundo seria muito diferente. Haveria mais amor, mais calor humano e menos pobres desamparados no mundo. Afinal, não é isso que o evangelho puro saído dos lábios de Jesus preconizou? Nas palavras do profeta Isaías, lemos “Acaso não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes ir livres os oprimidos e despedaças todo jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o famintos recolhas em casa os pobres desamparados, que, vendo o nu o cubras e não te escondas da tua carne? E se abrires a tua alma ao faminto e fartares o aflito, então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio dia” (Is.58:6,7 e 10). Fazer o bem sem olhar a quem, faz também a gente mais feliz, pense nisso!

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