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03/05/2019
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04/05/2019

Meditação diária de 04/05/2019 por Flávio Reti – João e José Salvador Perez

04 de maio

Eclesiastes 7:1  “Melhor é a boa fama do que o melhor unguento …”

João e José Salvador Perez

Eles nasceram em São Manoel, no interior de São Paulo, e foram os artistas sertanejos que mais tempo estiveram na mídia, ao todo 82 anos, sempre cantando músicas chamadas de raízes, aquelas que falam de amor, que falam da terra, da fauna e da flora. Ainda meninos, encantando com suas vozes e com sua música, eles foram morar numa fazenda de café, da cidade de São Manuel e o administrador da fazenda os levou, pela primeira vez, para cantar na rádio local, a Rádio Clube de São Manuel que existe ainda hoje no centro da cidade. A rotina era trabalhar na roça durante a semana e nos finais de semana cantar na rádio, sem receber um centavo por isso, apenas por amor à música e pela ambição de um dia ser alguém no reino da arte. Mas a crise do governo de Getúlio Vargas bateu por lá e a família se viu obrigada a tentar a sorte em São Paulo. Assim, embarcaram com tudo que tinham nas costas (quatro sacos com apetrechos de cozinha e duas trouxas de roupa) e foram pra São Paulo. As meninas, em número de três foram ser diaristas em casas de famílias abastadas, os meninos também em número de três, Tinoco foi trabalhar num depósito de ferro velho, Tonico conseguiu uma enxada e foi se oferecer para capinar terrenos das chácaras de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo e Chiquinho foi trabalhar numa metalúrgica. Mas trabalhando, eles conseguiam algum dinheiro suficiente para bancar o lazer dos finais de semana que era ir ao circo. Certo dia, em um dos espetáculos, os garotos conheceram a dupla Raul Torres e Florêncio, violeiros já famosos que cantavam na Rádio Record de São Paulo. Os dois jovens se inscreveram num programa de calouros e se saíram bem, foram convidados para cantar em um auditório e foram aplaudidos de pé por mais tempo que a dupla de maior sucesso e em pouco tempo estavam contratados para cantar em uma outra Emissora, a Rádio Difusora, sendo abraçados e saudados pelos demais cantadores do gênero. Quando o salário mínimo era 280,00 réis, eles passaram a ganhar 1.200,00 réis, uma fortuna pra quem estava chegando da roça à capital. Mas eles ainda mantinham seus nomes de família, era a dupla dos irmãos Perez, até que alguém contestou que uma dupla assim tão boa não podia conservar o nome em espanhol, a origem dos pais, e os batizou como Tonico e Tinoco. Daí para frente o sucesso foi estrondoso, não tiveram mais parada. Era excursões para todas as cidades, shows em clubes, em cinemas, em pátios de armazéns, em praças públicas e a fama seguiu imediatamente. Só de uma viagem que fizeram para Ribeirão Preto, a dupla voltou com 4.500,00 réis para cada um quando o salário mínimo era, como vimos, 280,00 réis. No final da II guerra mundial o Brasil já possuía 117 emissoras de rádio e o número de aparelhos receptores era estimado em 3.000.000 e em todas elas a dupla Tonico e Tinoco era transmitida diariamente nos programas matinais e vespertinos.

Bem, a fama passou, hoje a dupla não existe mais, já faleceram e só ficaram as reminiscências de uma fase dourada para eles. Aqui está a lição: a vida está passando para nós também, dentro em pouco seremos apenas saudades, e daí? Depende de você agora. A fila está andando, acorde!

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