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Meditação diária de 02/09/2019 por Flávio Reti – Marcio Moreira Alves

02 de setembro

Mateus 12:30  “Quem não é comigo é contra mim, e quem comigo não ajunta, espalha”

Marcio Moreira Alves

Inicialmente um jornalista, nada de anormal, mas que entrou pelos meandros da política, já que era filho do um ex-prefeito de Petrópolis e dono do badalado Hotel Ambassador onde havia um bar que se tornou ponto de encontro de grandes políticos e intelectuais da década de 1960 e isso deve ter deixado alguma influência na vida do rapaz. Observe os caminhos percorridos pelo jovem Marcio Alves a partir de 1965 em pleno regime militar instaurado no País. O Conselho da Organização dos Estados Americanos (OEA) vinha se reunindo no Rio, na frente do Hotel Glória, tentando limitar as ações do militares nos governos sul-americanos com apoio dos Estados Unidos. Certo dia, o presidente Humberto Castelo Branco, posto na presidência pelos militares brasileiros, estava presente na reunião e houve uma grande manifestação de protesto enquanto a polícia prendia vários manifestantes e até altas personalidades. Marcio Alves, resolveu correr atrás da Kombi da polícia que levava presos alguns militantes da oposição, companheiros seus de protestos e de ideias contrárias aos militares. Depois, como deputado, Marcio esteve numa comissão parlamentar visitando presos políticos em Juiz de Fora e lá encontrou vários torturados e asfixiados dentro dos quarteis do exército brasileiro. Marcio Alves resolveu denunciar o presidente, agora já era Ernesto Geisel como o principal torturador e sádico nacional. Na tribuna do congresso nacional, ele proferiu um discurso convocando a população para um boicote às comemorações do dia da pátria e instigando as jovens brasileiras a não namorar e nunca se casar com oficiais do exército.  Com isso ele passou a ser considerado, pelo ministro da justiça, um deputado rebelde e o ministro mandou para o congresso um pedido de autorização para julgar o deputado e no final processar, com gana de colocá-lo também na prisão.  A crise se avolumou e os deputados votaram pela negação do pedido e após a votação cantaram o Hino Nacional. Ao terminar, o congresso já estava cercado pelo exército e os deputados foram saindo humilhados pelo meio de um corredor formado pelos militares com uma ordem expressa do presidente para fechar o congresso e obviamente Marcio Alves, o disparador de tudo estava jurado de morte. Seu melhor recurso no momento foi sair do país e se exilar. Primeiramente no Chile, depois França, Cuba e Portugal e só voltou ao Brasil depois da anistia. Ele é considerado o disparador do famoso AI-5 (Ato Institucional n.5). Marcio Alves faleceu em 2009 enquanto era comentarista da Rede Manchete de Televisão.

Mas a luta de Marcio Alves me lembra uma expressão que Cristo falou para o apóstolo Paulo no caminho de Damasco: “Dura coisa é para ti recalcitrar contra os aguilhões (At.26:14). Há também um provérbio popular que diz “Contra a força não há resistência”. Ele bem que lutou, mas foi incapaz de vencer o poder do militarismo insano instaurado no período da ditadura no Brasil. O apóstolo Paulo, lutou, mas foi incapaz de prosseguir contra a autoridade de Jesus que havia instruído a organização dos discípulos e apóstolos para irem a todo mundo e pregarem o evangelho. Há um momento que nós também devemos parar, pensar e parar de lutar contra o governo de Deus. Se assim procedermos, seremos nós os prejudicados pela nossa teimosia. É bom lembrar que o céu não é para os revoltados, insubordinados, mas para os humildes de coração, limpos de coração, submissos à vontade santa de nosso Deus.

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