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28/07/2016

Meditação de Pôr do Sol de 22/07/2016 por José Henrique Arzani

ESPERANÇA NA ADVERSIDADE
por José Henrique Arzani

 

Não morrerei, mas viverei; e contarei as obras do Senhor. Salmo 118:17

 

Há períodos de nossa vida que transcorrem de forma diferente. No início de 2013 vivenciei uma situação desafiadora após a retirada de um nódulo cervical que me acompanhava por dois anos. Conforme o procedimento usual, ele foi enviado ao laboratório de patologia, a fim de se obter o diagnóstico do material retirado. Nem tanto para minha surpresa, o resultado indicou um Linfoma de Hodgkin, uma forma de câncer no sistema linfático. Digo que não me surpreendeu porque a curiosidade despertada pela situação havia me levado a pesquisar sobre todas as possibilidades de um nódulo ou linfonodos na região cervical.

 

Meus familiares, que não partilham de nossa esperança e moravam distantes de mim, ficaram em desespero, imaginando todas as dificuldades que eu passaria sozinho, sem a presença deles. Todavia, meu coração continuava confiante na vitória que me estava garantida.

 

Fui então encaminhado a uma hematologista de Campinas. No início do tratamento, tive de fazer exames de tomografia computadorizada de todas as regiões do corpo, Raio-X, coleta de líquido da medula óssea e um exame PET-Scan muito desagradável. O procedimento levou cerca de duas horas, e o contraste injetado gerou grande mal-estar. Para realizar esse exame, fui proibido de ingerir carboidratos e laticínios nas 12 hores que o antecediam, sendo aconselhado a me alimentar de embutidos e suínos. Tive de me adequar à recomendação sem ferir meus princípios.

 

O diagnóstico apontou o estágio IIA da doença, com indicações iniciais de seis a oito sessões de quimioterapia e 15 sessões de radioterapia para retardar o linfoma. Na primeira sessão de quimioterapia, antes mesmo da aplicação do medicamento, injetaram em mim dois remédios, um anti-histamínico e outro para cortar os enjoos. Em poucos minutos, parecia que estava vendo nuvens, então comecei a me debater, senti náuseas e fiquei com a visão turva. As enfermeiras, percebendo minha condição, logo cessaram os medicamentos e aferiram minha pressão. Estava em 60/40. Poderia ter morrido ali mesmo, antes do início do tratamento, porém Deus não quis assim. Tinha propósitos maiores.

 

A partir disso iniciei uma jornada de três meses de quimioterapia, com enjoos frequentes, vômitos nas madrugadas, mucosite, corpo fraco, baixa imunidade e perda de cabelos. A mucosite, inflamação da parte interna da boca, fez-me ficar dois dias sem conseguir beber água ou ingerir praticamente nenhum tipo de alimento, por causa da ardência que sentia.

 

Comecei a jornada diária de radioterapias e aguardei três meses para fazer um novo exame PET-Scan, a fim de saber os resultados do tratamento. Conclusão: “Estudo sem evidências de lesões hipermetabólicas com características de neoplasia em atividade. Em relação ao estudo anterior, nota-se regressão metabólica e redução volumétrica dos linfonodos cervicais à esquerda.”

 

Em nenhum momento me senti desamparado por Deus ou vítima de uma situação originada pelos Céus. Em todo tempo busquei refletir acerca de minha comunhão com Deus, minha confiança Nele e no Seu cuidado infindo. Comecei a me sensibilizar diante das pessoas, ter uma visão diferenciada da vida e dos propósitos divinos.

Atualmente a doença está em remissão. Certamente creio que Deus tem um propósito especial para minha vida; pois, por Sua soberania, poderia ter me deixado morrer. No entanto, ao pensar que por meu intermédio muitas outras pessoas O conheceriam, que mediante minhas palavras, minhas ações e meus comportamentos outros poderiam se salvar, Ele me permitiu viver mais. Louvado seja Deus por Sua infinita graça e misericórdia. Agradeço ao Senhor pelo fato de me fazer um instrumento de salvação.

 

Que neste sábado tenhamos a certeza de que, independentemente de qualquer situação, temos um Pai que nos ama. “Deus tem um Céu cheio de bênçãos que deseja conferir àqueles que buscam fervorosamente o auxílio que só o Senhor pode dar” (Comentário Bíblico Adventista, 1:1197).

 

José Henrique Arzani
Chegou ao IASP em 2009 como aluno e atualmente é professor da Educação Básica, secretário-assistente do Ensino Superior, participante do Coral Jovem e membro da Igreja do IASP.

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