Comentários da Lição 8 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas
19/05/2016
Meditação de Pôr do Sol de 27/05/2016 por Gilberto Rodrigues Jr.
25/05/2016

Comentários da Lição 9 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas

ÍDOLOS DA ALMA E OUTRAS LIÇÕES DE JESUS
Feliz ou infelizmente somos o resultado do ambiente que vivemos. Apesar desta frase poder basear-se exclusivamente no ponto de vista de quem a lê ou escreveu, dificilmente conseguiremos divagar muito daquilo que seu teor explicitamente propõe. Dos “rabiscos” sociais impressos na mente recém-chegada ao mundo, até aquela que em na fase adulta foi escrutinada por todo tipo de influência opcionalmente absorvida ou rechaçada, nelas teremos as referências de pensamentos e atos que nortearão as gerações futuras.

Nossa tendência natural ao pecado tem nos impedido de entender que todo conhecimento que adquirimos perde seu valor ao vir acompanhado da prepotência diretamente proporcional ao nosso orgulho, e isso, é praticamente inevitável. Na maioria das vezes, é só a partir da tristeza provocada pelo imenso vazio das experiências e da contínua prática de vida arrogante que conseguimos compreender a proposta Divina onde o humilde torna-se maior e mais sábio que o estudioso, não pela comparação de conhecimento, mas pela postura do caráter.

É exatamente neste ponto que está a beleza do evangelho. Deus sabe que enquanto vivermos neste mundo pecaminoso sempre estaremos suscetíveis a sua influência, Seu plano não é nos tirar do mundo, mas livrar-nos do mal. Conhece nossa estrutura por isso nos propõe transformação, entende nossas lutas porque também as viveu, sabe que a principal se dá no campo das escolhas, portanto ela é íntima assim como Seu convite também o é, ofertando força para vencermos nossas batalhas pessoais. Quando entendemos esta grandeza compreendemos o exemplo onde somente a humildade de uma criança pode ilustrar o que a pureza de espírito pode alcançar – o reino de Deus – e agora assim, podemos racionalmente alterar a frase inicial desta introdução para: “Felizmente somos o resultado de nossas escolhas”.

 

A grandeza da humildade

 

Ter ambição não é pecado, aliás, se for bem conduzida, pode tornar-se uma tremenda qualidade. Pecado é ser ambicioso. Pecado é quando a ambição torna-se um orgulhoso meio de vida.

As vezes paro pra imaginar o sentimento de Cristo em relação a seus discípulos durante aqueles três anos de preparo, o cenário percebido é que depois de tanta luta, desprendimento, paciência, calma, tolerância, tempo, variadas repetições sobre o mesmo assunto, insistência, sofrimento, desapontamento, fé e amor dedicados a pessoas que não o compreendiam, não tinham a menor noção do significado da maioria das coisas que Ele dizia e em grande parte das vezes direcionavam suas atenções somente para aquilo que os interessavam. Suas mentes pareciam acomodadas mesmo ouvindo as palavras do Mestre e dia-a-dia tentavam fazê-las apontar para seus ideais limitados e corrompidos.

Após ouvirem sobre a grande quebra de paradigma proposta no sermão da montanha, testemunharem atos de altruísmo e abnegação constantes e diários conferidos a Cristo por sua extrema humildade ao Pai, os discípulos ainda preocupavam-se com as posições que presumidamente seriam assumidas por eles num reino celeste-terrenal que brevemente seria estabelecido, mas o problema não parava aí… Em diversas oportunidades, a despeito do contraste desta atitude em relação a de Cristo e o que Ele lhes ensinava, ainda havia entre eles uma disputa pior, a de quem seria o maior neste reino. Tais ações promoviam gigantes passos para trás em suas vidas espirituais, ou seja, repetiam seus atos mesquinhos e tudo o que eles até então haviam aprendido no meio em que foram criados, observando desde os crassos erros de compreensão teológica até otimização de seus defeitos de caráter, apesar do intenso contato com o novo ensinamento dado por Cristo.

Esse mesmo sentimento levou a ambição satânica a desejar ser maior e maior ignorando seus conhecidos limites. É a propagação deste desejo e a vã tentativa de sua prática que imprimem e replicam em nosso meio ações semelhantes a de Lúcifer. Hoje me pergunto: Em que somos diferentes deles? Principalmente se ainda considerarmos o agravante de sermos conhecedores de suas histórias.

Mais uma vez Cristo, por sua bendita remissão nos outorga poder para sanar este mal enraizado no enganoso coração humano, através do serviço ao próximo e do exemplo de pureza de uma criança, Jesus nos auxilia a enxergar os resultados de como este antídoto tem eficácia no combate ao orgulho e regeneração do caráter.

O episódio que retrata isto está relatado em Mateus 18:1-4. A verdadeira grandeza para Cristo está em rejeitarmos o “eu” e sermos humildes de espírito como uma criança o é. Por ser inteiramente dependente, a criança voluntariamente aceita aquilo que ela não pode ter por si só. Nós devemos desenvolver o mesmo espírito em relação ao nosso Pai. Um dos indicadores da humildade é a obediência, é colocar a Palavra de Deus acima da nossa própria vontade.

A vontade, refinada, santificada, encontrará em seu mais elevado deleite em fazer o Seus serviço. Quando conhecermos a Deus como nos é dado o privilégio de conhecê-Lo, nossa vida será de contínua obediência. Mediante o apreço do caráter de Cristo, por meio da comunhão com Deus, o pecado se nos tornará aborrecível (O Desejado de Todas as Nações, p.668).

 

A grandeza do perdão

 

Como amar um inimigo? Ou, se não formos tão longe, como continuar amando a quem nos magoa? Como responder em Cristo a atitudes que desaprovam relações amistosas em qualquer nível?

Provavelmente todos nós já passamos pela experiência de ter sido injustiçados por alguém que prezamos e talvez na mesma proporção nos deparamos com o momento do enfrentamento, e na tentativa de solucionar o conflito acabamos por piora-lo, ou ainda fugimos de ambas as opções.

A grandeza do perdão sugerida por Cristo e teoricamente compreendida por seus seguidores passa resumida e obrigatoriamente por algumas etapas, sendo talvez, o reconhecimento da necessária cessão fraternal de amor imprescindível para o total desembaraço de qualquer situação conflituosa. Não se preocupar com o tempo é outra medida a ser considerada, independente do que isso possa levar. Muitos ainda não entendem a brevidade de nossos dias, e ao optar por esta alternativa, consequentemente aprenderão da forma mais difícil, o quão maléfico é quando não se abrevia o período de uma mágoa. Doar amor sem a expectativa de ser retribuído não significando ser o “trouxa” da história (como muitas vezes é visto em nossos dias), pois Deus nos pede para amarmos nosso próximo como a nós mesmos e não além disso. Este é o limite que o Senhor estabelece para nos orientar nos relacionamentos, mas quando esperamos por algum tipo de recompensa deixa de ser amor, tornando-se mero cumprimento protocolar. Somente através do desprendimento experimentaremos a real essência de viver perdão.

Outros detalhes como testemunhas são importantes dependendo de cada caso, mas o manual deixado e vivido por Cristo nunca avançaria para esta etapa se cada criatura divinamente concebida permitisse que em seu coração fosse ouvida a voz do Santo Espírito que nos convence de todo mal. O perdão precisa dominar o que somos, para nos permitirmos estar predestinados a amar.

Mateus 18:15-35 é um esboço completo da teologia do perdão de Cristo. O conselho é para que perdoemos de maneira pessoal, indo diretamente à pessoa que nos magoou para restauração do relacionamento (verso 15). E aqui Ele repete o que comentamos na semana passada, mas dessa vez não direcionado apenas à Pedro e sim a toda a igreja (versos 18 e 19), e no verso 20 Cristo nos garante que “onde estiverem dois ou três reunidos em Meu nome, ali estou no meio deles”, para confirmar que é a vontade dEle quando um grupo de pessoas (dois ou mais) está empenhado na restauração de um crente. Nos versos 21 a 35, entendemos a necessidade do perdão, não apenas para benefício dos outros, mas para o nosso próprio. São grandes as consequências para os que não perdoam.

 

Ídolos da alma

 

A manifesta disposição expressa pelo jovem rico em seguir Jesus aparentemente não se sustentou além de uma entrevista inicial com o Mestre. Intimamente, ele projetava como seu grau de influência, caso viesse a se tornar seguidor de Cristo, poderia ampliar-se devido a já desfrutar reconhecidamente o “status” de um afortunado social (Mt.19:16-30).

Como vimos anteriormente, a exemplo da dureza do coração não disposto em perdoar e da insana busca por posição, os ídolos da alma não são visíveis como os manufaturados na pedra ou madeira, e o amor ao dinheiro encaixa-se perfeitamente neste contexto. Quem o possui vangloria-se, quem não o tem se sujeita a inveja e cobiça, expondo o pobre coração desprovido de amor ao orgulho ganancioso que auxilia a nutrição dos ídolos da alma. O humano desconectado de Deus não tem condições para avaliar quem verdadeiramente O busca, até porque não são somente os ricos que procuram a Deus por interesse ou conveniência. Somente a íntima ligação com o Pai pode garantir o que a Bíblia testifica em algumas citações onde declara que “Jesus conhecendo-lhes o coração… lia-lhes as mentes”, e apesar de Cristo desejar que ele o seguisse, seu apego material e ausência de desprendimento para as coisas seculares o mantiveram longe dos propósitos Divinos.

Tudo que idolatramos nos afasta de Deus. Aquele jovem não enxergou a Cristo como um espelho o faria, e apesar de Cristo aceita-lo como ele era, ele não estava disposto a tornar-se semelhante a Ele, ao contrário, quis se apropriar da nobreza de Cristo assim como se apropriava daquilo que o dinheiro lhe proporcionava. Sua tristeza frente à orientação do Mestre não se deu somente pela proposta em se desfazer de todos seus bens, mas pelo fato de que neste dia ele enxergou quem realmente era, ao optar por seus bens, não seguindo a Cristo, ele havia optado conscientemente por idolatrar seu ídolo.

Neste relato temos dois importantes tópicos para refletir: Primeiro em relação ao jovem rico que “se devotasse sua aptidão à obra de salvar, poderia se tornar obreiro diligente e bem-sucedido para Cristo. Precisava porém, aceitar primeiramente as condições do discipulado. Precisava entregar-se a Deus sem reservas” (Parábolas de Jesus, p.393). Cristo recebeu este jovem por ver nele todo este potencial, “olhando para ele, o amou” (Mc.10:21). O segundo tópico é quanto aos recursos empregados na obra, e isto nada tem a ver com uma teologia de prosperidade. “Deus, em Sua providência, moveu o coração de alguns que possuíam riquezas e os converteu à verdade, para que pudessem manter Sua obra em progresso. E se aqueles que são ricos não fizerem isso, se eles não cumprirem o propósito divino, Ele os ignorará e chamará outros para que lhes tomem o lugar e cumpram o sagrado propósito. Com suas posses alegremente distribuídas, atenderão às necessidades da causa do Senhor. Nisso eles serão os primeiros. Deus terá em Sua causa aqueles que farão isso. Ele poderia perfeitamente enviar meios do Céu para promover Seu trabalho, mas isso está fora de Suas cogitações. Ele ordenou que os homens sejam Seus instrumentos e que, como um grande sacrifício foi feito para redimi-los, eles façam sua parte na obra de salvação, sacrificando-se uns pelos outros e mostrando quanto prezam o sacrifício feito em favor deles” (Testemunhos para a Igreja, p.174).

 

O que iremos ganhar?

 

No discorrer do relato bíblico, logo após o Jovem rico retirar-se da presença de Jesus, lemos acerca da parábola dos trabalhadores na vinha e o tempo gasto por cada um que chegava no decorrer do dia (Mt. 19:28-20:16). Esta história contada por Cristo trouxe aos que eram influenciados pela crença de que o reino vindouro do Messias seria terrenal, uma ampla visão do real plano divino e uma clara resposta do papel que nos cabe para a atrevida pergunta de Pedro: “e nós? O que ganharemos por já termos deixado tudo e te seguirmos primeiro?” (Mt.19:27).

Estes primeiros seguidores de Cristo imaginavam que deveriam receber as primícias da honra celeste em troca da sua “pronta” fidelidade, acreditavam possuírem mérito em si mesmos por terem aceitado o chamado do Mestre e por isso deveriam ser prontamente recompensados. Não compreenderam a respeito de qual riqueza Cristo pregava para eles. Não entenderam que o reino dos Céus seria nos Céus. Até então, tão pouco compreendiam o desdobramento profético terrestre e sua cronologia já estabelecidos. Apesar de sua pergunta estar completamente descontextualizada da compreensão do plano Divino, Cristo não censurou os motivos que levaram Pedro a questiona-Lo, pelo contrário, deu-lhe uma ótima resposta, ilustrada e a altura do seu conhecimento. Nesta altura, todos os presentes também receberam clara luz que lhes trouxe a necessária compreensão de que seus pés calcariam este terreno passageiramente, mas seus olhos assim como os nossos deveriam estar fixos nas coisas do celestiais. Hoje, exercitamos como crentes em Deus a vida que queremos no Céu, não importando para Ele quando iniciamos nossa carreira ao seu lado, mas aceitamos Sua infindável proposta de amor. Todos os que aceitarem receberão o mesmo galardão ao fim do dia.

“O Senhor deseja que descansemos nEle sem pensar na medida do galardão. Quando Cristo habita no coração, o pensamento de remuneração não é supremo. Esse não é o motivo impelente do nosso serviço. Verdade é que, num sentido secundário, devemos olhar à recompensa. Deus deseja que apreciemos as bênçãos prometidas, mas não que sejamos ávidos de remuneração, nem sintamos que, para cada serviço devamos receber compensação. Não devemos estar tão ansiosos de obter o galardão, como de fazer o que é justo, independentemente de todo o lucro. O amor a Deus e a nossos semelhantes deve ser nosso motivo” (Parábolas de Jesus, p.398).

 

Para Refletir

 

Um fato curioso segue no relato de Mateus 20:20-27, onde a mãe dos discípulos Tiago e João pede por um posição “privilegiada” para seus filhos no Reino. No verso 22, Tiago e João respondem imediatamente que poderiam “beber do cálice” que Jesus havia de beber, isto é, passar pelo calvário e morte, contudo nem eles (e nem os outros discípulos) faziam a menor ideia do que significava aquela pergunta, tampouco tinham noção das cenas do sofrimento e morte de Jesus.

Os interesses em ganhar o Céu por meio de uma máscara de comportamento, leis, como se nós pudéssemos por nossas forças sermos “aprovados” por Deus no grande exame da eternidade, é que pode nos privar do mesmo.

Muitas vezes o “custo” por seguir a Jesus será alto.

O que nos prende? Qual o ressentimento que nos persegue? Podemos afirmar que muitos estão morrendo por uma mágoa acariciada pela falta de perdão, enquanto a outra parte segue sua vida normalmente. Esta abnegação focada no perdão é, em parte, tomar a cruz de Cristo e segui-Lo. Devemos buscar a “grandiosa humildade” de uma criança com a humildade para depender de Deus, e a facilidade de perdoar e seguir em frente. A criança vive, acredita, depende, confia, perdoa e segue.

Obviamente não é algo simples de conseguir, e então como uma criança é no colo do Pai que pedimos por esta ajuda.
Guilherme, Ricardo e Jeser

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