Entre Mulheres – Sábado 22/08, às 17h
21/08/2020
Feliz Sábado
21/08/2020

Comentários da Lição 8 (3º Trim/2020)

LIÇÃO 8 – COMPARTILHANDO A PALAVRA 

De 15/08 a 21/08

“Vendo Ele as multidões, compadeceu-Se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” Mt 9:36

“Splagchnizomai” é a palavra grega mais forte para compaixão. É utilizada para demonstrar a profundidade da piedade que Jesus manifestou pelo ser humano. Em suas atitudes, em seu tratamento com outros, e em seu ministério de cura, Jesus revelou os fundamentos de sua compaixão, deixando registrado na história o que para Ele verdadeiramente importa.

Atitude:

O que trouxe Jesus ao mundo não foi a ira de Deus, mas o Seu amor. Embora Sua vinda tenha pronunciado o juízo, “pois quem não crê já está julgadoJo 3:18, Jesus nunca perdeu de vista o grande motivo de sua vinda: porque “Deus amou o mundo de tal maneira”. Este extremo amor levou Jesus à mesa de publicanos e pecadores, avançando sobre o abismo da condenação legalista por pontes de salvação e graça. O amor é atitude. Se nossa compaixão não nos leva em direção ao próximo, é mera teoria. A religião legalista estava presa ao critério de condenação, baseado no conceito de pecado, impurezas e imundícias. Mas o que a condenação aprisiona, o amor de Cristo liberta. Quando nossa compaixão for maior que nosso julgamento, deixaremos de tentar evitar para tentar redimir.

 Tratamento

Para além das diferenças que afastavam, Jesus via as oportunidades que aproximavam. Segundo a lei judia, estrangeiros eram considerados imundos. Mas Jesus, ao tratar com o Centurião romano, não explorou aquilo que o mantinha diferente, mas ressaltou a fé que o fazia igual: “nem mesmo em Israel achei fé como esta”. Lc 7:1, Estas foram as palavras escolhidas para aproximar. Jesus sabia que quanto maior a qualidade das palavras, maior a qualidade de um relacionamento. De fato, pesquisas na área da psicologia comprovam os efeitos positivos de um elogio equilibrado. A validação emocional é um componente poderoso das interações humanas, pois nos aproximamos de quem é capaz de ver o melhor em nós. O cristão deve ter este olhar calibrado em ver no outro as virtudes que Jesus tem em si. Pois toda qualidade de caráter é um pequeno veio que leva à Cristo.

Ministério de Cura

Em sua compaixão pelo ser humano, Jesus sempre propôs a cura completa. Ninguém estará fisicamente bem até que esteja espiritualmente são. A saúde do corpo está ligada a saúde da mente. E cada cura física de Jesus foi uma oportunidade de cura espiritual. Não poderia ser diferente, pois “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” 2 Cor 5:19. O fato de Cristo antecipar-se a cura física e a suprir necessidades temporais não muda o fato de que veio ao mundo pela doença espiritual e por valores eternais. Devemos entender isto. A atenção às necessidades físicas abre caminho para a satisfação espiritual. Ellen White afirmou que “seja qual for a vocação de uma pessoa na vida, seu primeiro interesse deve ser ganhar almas para Cristo”[i]. Em outras palavras, a nossa vocação é uma ferramenta de atuação em prol da salvação. Doença, fome, e quaisquer outras mazelas deste mundo que precisem ser atendidas são somente meios para que o Espírito Santo possa atuar plenamente na necessidade fim. O anúncio de que o Reino de Deus chegou proclama o início do processo de redenção que começa por mudar aqui e termina com a mudança além. No caminho por onde passa o amor haverá remédio, alimento, roupa, atenção, conselhos, provisão, mas seu destino é sempre a salvação.

O que verdadeiramente importa

 Finalmente, existem 3 coisas que no fim do dia da vida cristã é o que importam. A primeira foi ensinada na parábola das dez virgens, das quais 5 eram néscias. Ao clamarem às portas das bodas, às virgens néscias ouviram “não vos conheço” Mat 25:12. Embora estivessem com vontade genuína de entrar, não ficaram de fora pela sua falta de intenção, mas pela sua falta de ação. Na vida cristã, mais importam atitudes do que intenções.

 A segunda lição é ensinada na parábola dos talentos. O servo que recebeu menos foi aquele que menos fez. Por isso, perdeu o pouco que tinha para aquele que tinha mais: “dai-o ao que tem dez” Mat 25:28. O problema deste servo não foi ter recebido pouco, mas não ter feito nada. Pois na vida cristã, mais importa a quantidade de esforço empregado do que a quantidade de talento recebido.

A terceira lição, vem da parábola da separação dos cabritos das ovelhas (Mat 31:46). As ovelhas foram postas à direita, porque ao Filho do Homem visitaram, hospedaram, deram de comer, beber e vestir. Mas os cabritos foram postos à esquerda. Argumentaram que jamais viram o Filho do Homem passar necessidades, querendo dizer que o reconheceriam se o tivessem visto. O problema não foi conhecerem o Filho do Homem, mas a falta do que fizeram aos pequeninos de Deus. João disse: “Ninguém jamais viu a Deus;” 1 Jo 4:12. Na vida cristã, mais importa o amor que me leva ao outro, do que o conhecimento que acumulo sobre quem é Deus.

 Conclusão

 Depois de haver negado Jesus três vezes, também por 3 vezes Pedro pode reafirmar seu amor. Somente agora estava pronto para ouvir a mais divina incumbência: “Apascenta os Meus cordeiros… Pastoreia as Minhas ovelhas… Apascenta as Minhas ovelhas” Jo 21:15-17. Esta mesmas palavras dirigidas a Pedro devem soar diariamente aos ouvidos de cada cristão. Se a compaixão de Cristo fruir pela nossa vida, não haverá ao nosso lado ovelha sem pastor.

 [i] Desejado de Todas as Nações, pag. 822.

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