Quebrando o Silêncio 2019 (Sábado 24/08)
23/08/2019
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23/08/2019

Comentários da Lição 8 (3o Trim/2019) por Pastoral UNASP-HT

Lição 8: “Meus pequeninos irmãos”

“O rei, respondendo, lhes dirá: em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizeste”

A lição dessa semana apresenta a Cristo e seus ensinos sobre o próximo, como no sermão da montanha (Mt 5), o bom Samaritano (Lc 10), o rico e Lázaro (Lc 16), e o sermão profético em Mateus 25.

A parábola do rico e Lázaro me chama a atenção. Algumas perguntas surgem na leitura do texto. Sendo apenas uma história ilustrativa porque Cristo deu um nome para o personagem pobre e não deu um nome para o rico? Mateus (cap 19) conta a história de um jovem, também rico e sem nome, que quer aprender mais sobre salvação. Talvez a identidade dessas pessoas importasse pouco, ou simplesmente o dinheiro fosse sua própria identidade. Outra curiosidade são os detalhes da roupa desse homem rico. Roupas de purpura aparecem novamente no texto bíblico na crucificação de Cristo, como instrumento de escarnio e zombaria, como se Cristo fosse um rei de verdade (Mc 15). Aliás, roupa é um assunto recorrente no texto sagrado. Jesus é aquele que veste (Gen 3) com roupas novas (Ap3:5).

Apenas por duas vezes Cristo descreve o além vida, na história do rico e Lázaro e também em Mateus 25. Curiosamente essas duas histórias se unem por esse elemento, a roupa. Enquanto o rico, que vai para o inferno após sua morte, possuía vestes de linho e purpura, Cristo lembra que uma das características dos morados da eternidade é cobrir a quem precisa. Como um ciclo, ele nos cobre primeiro e nos convida a cobrir. Talvez não somente com roupa, mas cobrir os erros com o perdão, cobrir com amor quando nos é oferecido o ódio, cobrir de paz um mundo violento sem Deus.

O problema talvez não fosse a qualidade da roupa do rico, mas sua incapacidade de trocá-la. A melhor maneira de trocar as vestes, segundo o texto bíblico é oferendo sua roupa outro. Me lembro da história de Davi e Jonathas, diz o texto que o coração de ambos se unem no exato momento em que Jonathas tira a capa que está usando e cobre seu amigo que não conhecia, apenas por perceber sua necessidade (1 Sm 15). AS almas de uma verdadeira amizade se unem ao cobrirmos o outro, não com uma roupa qualquer que sobra no armário, mas a capa que estamos vestindo.

Outro elemento que me chama a atenção na história são as distancias. Na terra os dois personagens estão apenas uma porta de distância. Já no além vida o texto afirma que a distância aumenta para um “grande abismo” (v26). Em Mateus 25 Cristo pede distância, “apartai-vos de mim, malditos para o fogo eterno”.

Em ambas as histórias, existe uma incapacidade de perceber algo. O rico e seus irmãos, aos quais ele tenta interceder, são incapazes de ouvir os profetas, inclusive se o próprio Lazaro ressuscitasse, eles não ouviriam. Se Cristo ressuscitasse eles também não perceberiam. Em Mateus 25 o grupo da esquerda de Cristo pergunta “quando foi que te vimos com fome, sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso?”. Eles não percebem os profetas falando, não percebem a Cristo ressurreto, não conseguem ver nada ao seu redor além de si mesmos.

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