Comentários da Lição 8 (2o Trim/2019) por Classe ECC (1/2)
24/05/2019
Meditação diária de 24/05/2019 por Flávio Reti – Anton Flettner
24/05/2019

Comentários da Lição 8 (2o Trim/2019) por Classe ECC (2/2)

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 2º Trimestre de 2019

Lição nº 8 – Paternidade e Maternidade

Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, o Seu galardão.” Salmos 127:3.

Das tarefas dadas aos seres humanos desde que o mundo passou a existir, nenhuma se compara àquela de gerar seres humanos e construir caracteres do bem, através da procriação. Não se compara em singularidade, ao necessitar de células de dois seres humanos de gêneros diferentes pra acontecer – plano perfeito! Não se compara em beleza e complexidade, quando se pensa nas várias etapas de desenvolvimento físico, mental e emocional pelos quais uma criança é conduzida em seu crescimento; mas também não se compara a nenhum outro projeto humano em nível de dificuldade, ao se avaliar que a meta final desse empreendimento visa  o Céu.

Provavelmente não haja fator que mais nos assemelhe ao Criador do que o de ter a capacidade de gerar vida, de recriar a partir de nós mesmos, a partir de uma perspectiva de amor e escolha, e não somente da capacidade física e biológica para tal. Talvez por isso, Satanás, que nunca aceitou não ter feito parte do comitê de Criação do Mundo e da Humanidade, tenha tanto ódio da família – o projeto mais primordial de implantação do Reino de Deus no planeta – sim, ele conhece muito bem o poder da família bem estruturada para a Salvação, não somente dos seus, mas de toda uma raça.

Ter filhos tem que ser uma escolha consciente, senão antes de sua vinda, pelo menos no tempo em que estão a caminho. Terão de ser trazidos à nossa consciência, em tempo o mais curto possível. E feito isso, daí por diante nada mais será igual. Não há como ser. E é melhor mesmo que não seja. Teremos mudado para sempre.

Cada vez que nasce uma criança, nasce também um novo pai e uma nova mãe, ainda que estes já tenham muitos filhos antes. Não há experiência anterior que sirva integralmente para o que chega agora. Cada um é único, quando chega ou quando parte dessa vida. E jamais um preencherá o lugar do que se foi. Que incrível isso!

Existe um estudo feito na Suécia – no qual mais de 1,4 milhão de homens e mulheres foram avaliados durante 15 anos, e que mostra que pessoas que optaram por ter filhos – a despeito de todo o desgaste envolvido nessa condição – tiveram maior longevidade, e essa diferença foi maior quanto mais idoso(a) o(a) homem/mulher. Ou seja, pessoas por volta de 60 anos com filhos tinham alguma vantagem em longevidade em relação aos que não os tinham, mas se falamos de pessoas de 80 anos com filhos, então sua vantagem em longevidade se mostrou mais significativa. Existe ainda outro estudo feito na Dinamarca, no qual se estudou 21.000 casais e se encontrou significativos resultados de longevidade entre os que optaram por ter filhos, com vantagem ainda maior na longevidade das mães. Seja como for, todos esses estudos atribuem a maior expectativa de vida dessas pessoas, às mudanças de atitude de homens e mulheres que, ao terem filhos, adotam hábitos mais saudáveis e se expõem menos ao risco e perigo, uma vez que estão conscientes de que alguém depende deles pra viver.

De fato, quem se arrisca nessa jornada, não imagina que vai mais aprender do que ensinar.

Mas há outras coisas a se considerar no assunto. Embora possa ser uma opção não ter filhos, na maior parte das vezes, essa situação traz mais dor do que satisfação.

É importante, sempre que se põe um projeto em vista, considerar se a vontade de Deus se afina com a nossa. Nesse ponto não é diferente. Atrás de um exame negativo, pode haver uma resposta de amor de Deus, Aquele que sabe de todas as coisas. A intimidade de um casal com Deus lhe dará o conforto e a paz diante de uma resposta entendida como “ainda não”, ou “definitivamente não”. O outro lado da Eternidade nos aguarda com todas as respostas.

Outra questão importante a considerar como cristãos, é o apoio e acolhimento de pessoas que lutam sozinhas para criar e educar seus filhos, sejam pais/mães solteiros, divorciados, abandonados ou mesmo viúvos (de cônjuges falecidos ou não, acredite!). Tais pessoas carecem de apoio em diferentes níveis, do material ao espiritual, para que sua família não corra riscos de ruína e sofrimento maior do que já sofre pela ausência de uma figura de referência. É bom lembrar que um número cada vez maior desses casos tem se aproximado da convivência da Igreja, e que qualquer coisa que façamos a “esses (Meus) pequeninos irmãos”, fazemos ao próprio Mestre.

Mas quando falamos de optar pela paternidade e maternidade, estamos falando do maior projeto da vida. Estamos entrando num caminho sem volta, num universo desconhecido e sem garantias. Tudo começa pela nossa própria experiência como filhos, que invariavelmente nos influenciará (consciente ou inconscientemente) as ações e comportamentos. Será sábio pedir a Deus sabedoria para não repetir os erros que tanto condenamos e reprovamos em nossa própria criação, um coração aberto ao Espírito Santo e uma mente santificada para aceitar humildemente a Palavra de Deus como o padrão a ser seguido sempre, ainda que exija resignação total e submissão de vaidades e desejos pessoais.

Enquanto em fase de formação da estrutura do caráter – diga-se, os primeiros 7 anos da vida – é de responsabilidade total dos pais o moldar a formação do caráter de seus filhos, ainda que contem com auxílio operacional de outros no cuidado com as crianças. A ninguém mais cabe essa obra, pois é intransferível. Deuteronômio 6:6 a 9 destaca muito bem a importância de se ensinar vivendo e se viver ensinando, de modo dinâmico e coerente enquanto se percorre junto com os filhos o caminho da vida e da sabedoria.

Finalmente, em concluída a tarefa de criá-los e educá-los, termos de aceitar que nossa obrigação estará terminada, e nada, a não ser a influência positiva de uma vida de amor, fé e obediência dos pais permanecerá para continuar a ser observada. Nossa parte  será exercitar, com a ajuda de Deus, ser pais amorosos e sábios, ainda que imperfeitos. A deles é escolher se vão querer seguir o nosso caminho ou não. E nada há que possamos fazer a esse respeito. Alguns percorrerão a escuridão pra entenderem que estavam na luz. Enquanto isso, temos a nosso favor, o instrumento mais poderoso que existe: a oração – poesia capaz de trazer o Eterno para junto de nossos filhos; e espada para destruir o Inferno que deles tente se aproximar.

Pais de joelhos, filhos em pé. E, quando caírem, se porventura caírem, e acharmos que fracassamos, e formos tentados a achar que nosso trabalho não compensou e que nada valeu a pena, é bom sempre lembrar que o Pai que espera o(a) nosso(a) filho(a) voltar é o mesmo que nos espera no fim do caminho. Aleluia!

 

Josele Vizotto, 53 anos, mãe dos gêmeos Giordanno e Rafaella, de 23 anos, universitários.

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