Meditação diária de 21/02/2020 por Flávio Reti – O Bronze
21/02/2020
Meditação diária de 22/02/2020 por Flávio Reti – A bússola
22/02/2020

Comentários da Lição 8 (1o Trim/2020)

Lição 8: “Do mar tempestuoso às nuvens do Céu”.

O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o Céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o Seu reino será reino eterno, e todos os domínios O servirão e Lhe obedecerão” (Dn 7:27).

O capítulo 7 de Daniel menciona aquilo que já havia sido revelado em Daniel 2, porém de forma ampliada. Visualizamos neste capítulo as ações do chifre pequeno, ao qual o apóstolo Paulo faz alusão quando discorre sobre “[…] o homem da iniquidade, o filho da perdição, que se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.” (Ts 2:3 e 4). Contudo, esse poder maligno é restringido, e na sequência contemplamos uma cena de juízo que ocorre no céu e que antecede a segunda vinda de Cristo. Procuraremos, a seguir, esclarecer e ampliar os aspectos aqui ressaltados.

Os quatro animais

O capítulo 7 de Daniel descreve quatro animais, e cada um deles corresponde a uma parte da estátua do sonho de Nabucodonozor, porém com mais detalhes.

Leão: Símbolo próprio para Babilônia, pois figuras de leões alados eram vistas por todo o palácio. Nas cenas deste capítulo, vemos que além das asas do leão terem sido arrancadas, ele foi colocado em dois pés como homem e recebeu um coração humano. Essas descrições ilustram a decadência do império Babilônico.

Urso: Representa o império Medo-Persa. Daniel menciona que ele se levanta sobre um de seus lados, o que indica a superioridade dos medos sobre os persas. As três costelas entre os dentes representam Lídia, Babilônia e Egito, as conquistas mais significativas e decisivas para o estabelecimento do Império Medo-Persa.

Leopardo: Simboliza o Império Grego estabelecido por Alexandre, o Grande, o qual dominou o mundo em poucos anos, e por este fato é representado por um leopardo com quatro asas.

O animal terrível e espantoso: Os símbolos anteriores se assemelhavam aos animais mencionados. Este animal, com vários chifres, não foi descrito como semelhante a nada. Parecia mais cruel e voraz que os anteriores. Podemos visualizar, neste símbolo, um império que conquistou, governou e pisoteou o mundo com pés de ferro: Roma pagã.

Ao lançarmos um olhar retrospectivo para a história, constatamos que a profecia se cumpriu com precisão. As Escrituras são confiáveis! A compreensão de que Deus governa acima das tormentas deste mundo traz paz e refrigério ao nosso coração.

O chifre pequeno

Leia Daniel 7:7,8,19-25

Como já foi mencionado, o quarto animal é uma representação de Roma pagã. Conforme descrito, o animal tinha dez chifres, dos quais três foram arrancados para dar lugar a um chifre pequeno. “Embora pequeno no início, este chifre é descrito, mais tarde, como ‘mais robusto do que os seus companheiros’, literalmente, ‘maior que seus companheiros’. Ele simboliza a continuação do poder romano por meio da igreja romana.” (Comentário Bíblico Adventista, v. 4, p.907).

Daniel 7:25 descreve esse chifre proferindo palavras contra o Altíssimo, destruindo os santos do Altíssimo (Dn 7:25, ARC) e cuidando em mudar os tempos e a Lei. O período previsto para que o chifre pequeno levasse a efeito essas ações foi descrito como: um tempo, dois tempos e metade de um tempo. Na linguagem profética, a palavra “tempo” significa “ano”. E a forma dupla “tempos” significa dois anos. Logo, esse período corresponde a três anos e meio. Para cálculo profético, cada mês tem 30 dias. Assim, três anos e meio corresponde a 1260 dias que, de acordo com o princípio dia/ano, são 1260 anos.

Com o decreto do imperador Justiniano em 538 d.C., declarando o papa como o cabeça de todas as igrejas, a porta estava aberta para que o papado implementasse o seu governo. O bispo de Roma não possuía apenas autoridade religiosa, mas também poder político.

“O esforço do chifre pequeno para mudar os ‘tempos’ indicaria uma tentativa deliberada de exercer a prerrogativa de Deus de dirigir o curso da história humana.” (Comentário Bíblico Adventista, v.4, p. 915). No que se refere à lei, temos a seguinte citação: “A mudança mais audaciosa tem a ver com o dia semanal de adoração. A igreja romana admite abertamente a responsabilidade de introduzir a adoração no domingo, afirmando que tem o direito de fazer tais mudanças […]” (Comentário Bíblico Adventista, v. 4, p.916).

Em 1798, Napoleão lançou o papa na prisão, pondo fim aos 1260 anos de supremacia papal.

O tribunal se assentou

Leia Daniel 7:9, 10, 13, 14.

As cenas da visão profética aparecem na seguinte sequência: os quatro animais, as atividades do chifre pequeno, uma cena de juízo no céu, o reino eterno de Deus. O juízo no céu acontece depois dos 1260 anos de atuação do chifre pequeno (538-1798). É importante ressaltar que a sequência: atividades do chifre pequeno (538-1798), juízo celestial, reino eterno de Deus aparece três na visão (Dn 7:13,14,21,22,26,27). Creio que o propósito é que fixemos essa verdade.

Daniel 7 não apresenta maiores detalhes a respeito desse juízo, esse será o propósito das próximas lições. O objetivo desta lição é enfatizar o início de um julgamento de proporções cósmicas em favor do povo de Deus, o qual acontece no céu, depois do período de atividades do chifre pequeno, e antes da vinda de Cristo.

Cônscios de que o juízo pré-advento acontece no céu, o sacrifício de Cristo é a nossa única segurança.

A vinda do Filho do Homem

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele.” Dn 7:13

É importante compreendermos que esta não é uma imagem da segunda vinda de Cristo, a seguinte citação esclarece esse fato: “Aqui se representa a ida de Cristo ao lugar santíssimo para a purificação do santuário” (Comentário Bíblico Adventista, v. 4, p. 913). Nesta passagem, o Filho do Homem é descrito como se movendo horizontalmente de um lugar a outro no céu, a fim de aparecer diante do Ancião de Dias. O Filho do homem é o Messias Jesus Cristo, que vem à presença de Deus Pai como representante dos santos (1Jo 2;1), no dia antitípico da expiação. No estudo de Daniel 8, esse vínculo ficará mais evidente.

O sistema papal coloca, no lugar de Cristo, um mediador humano caído entre Deus e a humanidade. Daniel deixa claro que o único mediador é o Filho do Homem. O apóstolo Paulo reforça: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1 Tm 2:5).

Os santos do Altíssimo

Leia Daniel 7:18, 21, 22, 25 e 27

Esses textos descrevem aqueles que são o alvo da perseguição do chifre pequeno. (Dn 7:25). No que diz respeito à perseguição, deveríamos considerar o seguinte texto: “Satanás está preparando muitas e fortes tentações, para atacar o povo de Deus. É ele representado como andando de um lado para outro, qual leão a rugir, buscando alguma pessoa incauta a quem possa enganar mediante suas sutilezas, destruindo-a finalmente. Sem Cristo não podemos com segurança dar um passo que seja. Que conforto, porém, se acha entesourado para nós, nas palavras: “Roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça” (Lc 22:32). Satanás não ciranda a palha; é o trigo que ele deseja ter nas mãos. Tomemos, pois, ânimo, orando todo o tempo (Para Conhecê-Lo [MM 1965], p. 286; citado em Comentários de Ellen G. White sobre a 1ª LES 2020 dos adultos)

Num contexto adverso, os santos se alegram com a luz que emana de Daniel 7:14 e 18. No verso 14, o Filho do homem é apresentado como Aquele que recebe o domínio, a glória, e o reino. Porém, na interpretação apresentada pelo anjo, no verso 18, os santos recebem o reino. Entretanto, os santos sabem que esses textos não são divergentes, pois o Filho do Homem se identifica com Deus e com a humanidade, deste modo Sua vitória é a vitória daqueles que Ele representa, os santos do Altíssimo.

Para os fiéis, que aguardam a segunda vinda de Cristo, o apóstolo Paulo apresenta uma mensagem maravilhosa: “Porque eu estou bem certo de quem nem morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:37-39).

Conclusão

No capítulo 7 de Daniel, compreendemos que: 1) Deus está no controle da História deste mundo, portanto podemos ter expectativas positivas, a despeito do caos que presenciamos no planeta. Esse fato não anula o livre-arbítrio, ao contrário, ao dirigir a história, Deus preserva as condições necessárias para que exerçamos o livre-arbítrio. 2) Deus nos concede poder diante das pressões e perseguições, no presente e futuro, para sermos fiéis aos princípios cristãos. 3) Cristo é nosso intercessor no santuário celestial, Ele apresenta ao Pai os méritos de Seu sacrifício por todo aquele que Nele crê. Essa realidade deve motivar e fortalecer a nossa vida espiritual. 4) A vitória de Cristo será a nossa vitória, por isso mantemos a certeza de que estaremos com Ele em Seu reino eterno.

Por Humberto Costa Cezar

 

Os comentários estão encerrados.