Culto Sábado 15/08
14/08/2020
Feliz Sábado
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Comentários da Lição 7 (3º Trim/2020)

LIÇÃO 7 – COMPARTILHANDO A PALAVRA 

De 08/08 a 14/08

“Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que Me apraz e prosperará naquilo para que a designei.” Is 55:11

A palavra de Deus cumpre seus divinos desígnios. Esta verdade se reflete na perspectiva de 4 aspectos, que revelam o caráter e amor de Jesus. Conhecê-los impulsiona os motivos para não se envergonhar deste evangelho, que “…é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê;” Rom 1:16,

Primeiro. A simbologia da palavra:

Em Salmos 119: 105, Davi comparou a Palavra de Deus a uma “lâmpada para seus pés e uma “luz” em seus caminhos, revelando a alegria de quem toma a lei de Deus como sua conselheira e guia. O Pastor Dwight Nelson, ao comentar o Salmo 119, ressalta o triste resultado de uma pesquisa realizada nos EUA, que constatou que apenas metade dos que se dizem cristãos fazem escolhas morais com base nos princípios e normas das Escrituras.[i] Isso significa que para metade desse grupo de “cristãos” a palavra não tem sido lâmpada para os pés e não tem sido luz para os caminhos.

Charles Sanders Pierce, estudioso dos símbolos, ensina que “Um símbolo, ao se constituir como tal, se dissemina entre as pessoas.”. Mas, somente, continua o professor: “Ao ser usado e experimentado, tem seu sentido ampliado.”[ii] Em outras palavras, um símbolo tem seu sentido efetivo em nossa vida quando nos apropriamos do que ele representa, quando o experimentamos. Em Amós 8:11, diz o Senhor: “Eis que vêm dias… em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR.”. Jeremias, por sua vez, confidenciou: “Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e as tuas palavras foram para mim o gozo e alegria do meu coração;” Jer 15:16.

Mas foi na Última Ceia, que o conceito de Sanders encontra o melhor exemplo: “quando comiam, Jesus tomou o pão, e abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, e disse: Tomai, comei, isto é o meu corpo. E, tomando o cálice, e dando graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados.” Mateus 26:26-28. Nos apropriamos dos mérito de Cristo ao experimentarmos os seus preciosos símbolos.

 Segundo. O poder da palavra:

A NVI Bible, em uma campanha feita em 2011, instalou um grande quadro branco, no centro de Londres, em que perguntava: Qual é a sua palavra mais poderosa? O resultado foi impressionante. Em poucos dias, centenas de pessoas de inúmeros países já haviam participado e preenchido o imenso espaço. Existe uma verdade implícita nessa ação. Acreditamos que palavras têm poder. Arthur Kudner, um executivo americano, escreveu para seu filho alguns versos, nos quais constatou uma verdade curiosa sobre palavras:

“Não tenhas medo das palavras grandes, pois Se referem a pequenas coisas. Para o que é grande, os nomes são pequenos: Assim a vida e a morte, a paz e a guerra, a noite, dia, a fé, o amor e o lar. Aprende a usar, com grandeza, as palavras pequenas. Verás como é difícil fazê-lo, mas conseguirás dizer o que queres dizer. Entretanto, quando não souberes o que queres dizer, usa palavras grandes, que geralmente servem para enganar os pequenos.”[iii]

Ao analisar o tamanho das palavras em diversos idiomas, George Kingsley Zipf, linguista e filósofo, professor da Harvard[iv], concluiu que “o tamanho de uma palavra apresenta relação inversa com sua frequência”. Rudolf Flesch, em 1948, apresentou outro interessante estudo, afirmando que as palavras mais essenciais são as menores.[v]

É interessante observar na Bíblia a constatação de Kudner, a Lei de Zipf, e a Fórmula de Flesh. Pois “Fé” é uma pequena palavra que remove grandes montanhas. “Amor”, pequena palavra que resume toda a Lei. “True” (Verdade), pequena palavra para algo tão grande. “Cruz”, uma pequena palavra para o maior ato de amor de toda história, e “Céu”, pequena palavra para passar toda a eternidade. E muito ainda poderia ser dito quanto ao “Pão”, à “Luz”, ao “PAI”, e finalmente, ao “VERBO”, “…que se fez carne e habitou entre nós”.

Terceiro. A força transformadora:

Paul Hiebert, um dos principais antropólogos missiológicos da século XX, enunciou a seguinte pergunta, em seu livro Transforming Worldviews: An Anthropological Understanding of How People Change (em tradução livre: Transformando visões de mundo: uma compreensão antropológica de como as pessoas mudam): “Alguém poderia se tornar cristão depois de ouvir o evangelho apenas uma vez?[vi] O autor sugere que a única resposta seja “SIM”.

E com razão, pois embora a transformação que Jesus gere não se descreva em equações, as palavras de Ellen White trazem luz ao processo de transformação: “É lei, tanto da natureza intelectual como da espiritual, que, pela contemplação, nos transformamos. O espírito gradualmente se adapta aos assuntos com os quais lhe é permitido ocupar-se. Identifica-se com aquilo que está acostumado a amar e reverenciar.[vii].

Por trás desta afirmação há uma verdade fundamental: nossa distância de Jesus não se mede em metros, mas em semelhança. Heráclito (540 a 480 a.C) afirmou: “Você não pode atravessar duas vezes o mesmo rio, pois outras águas estão continuamente fluindo.”. Isso serve a entender a prática da vida espiritual. A transformação que a palavra de Deus promove em nós não é estática, mas progressiva. Ou seja, senão estamos crescendo em fé, é sinal que estamos diminuindo em transformação. Conversão na bíblia não é retornar uma vez para Deus, mas tornar a Deus todos os dias. “Tornai para mim, diz o Senhor dos Exércitos, e eu tornarei para vós.” Zc 1:3.

Quarto. As promessas garantidas

“Deus não é homem para que minta, nem filho de homem para que se arrependa. Acaso ele fala e deixa de agir? Acaso promete e deixa de cumprir?” Números 23:19.

 Em 1915, com 87 anos de idade, Ellen White faleceu em sua casa, em Elmshaven, Deer Park, Califórnia. As últimas palavras registradas por esta serva de Deus foram: “Eu sei em quem tenho crido.”.

Quanto mais conhecemos a Deus, mais confiamos em suas promessas. O fator interessante é que as promessas possuem um propósito fundamental para nossos relacionamentos. Promessas expõem o nível do compromisso de um lado e o nível de confiança do outro. Em outras palavras, as promessas aprofundam nosso relacionamento.

Na bíblia não é diferente. Deus não fez promessas para mostrar o que Ele pode, mas o que Ele é. As promessas de Deus alavancam nossa fé, que é a base de nosso relacionamento com Ele. Nas últimas palavras de Jesus, em sua oração sacerdotal, Cristo projeta o caráter de Deus sobre o cumprimento da mais dura de todas as promessas, na cruz do calvário:” …que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo a quem enviaste.” João 17:3.

Que este amor grandioso e transformador, revelado em símbolos, nas pequenas, mas tão poderosas palavras, e na maior de todas as promessas, possa nos impulsionar a compartilhar a Palavra de Deus, a fim de que o Espírito Santo as faça prosperar em cada um de nós.

[i] https://reavivadosporsuapalavra.org/2013/12/04/salmo-119/

[ii] Peirce, Charles Sanders 1958. The Collected Papers. Cambridge, MA: Harvard University Press, in Ribeiro, Emílio Soares. Um estudo sobre o símbolo, com base na semiótica de Peirce. Estudos Semióticos. [on-line] Disponível em: http://www.fflch.usp.br/dl/semiotica/es i. Editores Responsáveis: Francisco E. S. Merçon e Mariana Luz P. de Barros. Volume 6, Número 1, São Paulo, junho de 2010, p. 46–53. Acesso em “dia/mês/ano”

[iii] http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rap/article/view/5878/4571

[iv] https://en.wikipedia.org/wiki/George_Kingsley_Zipf

[v] Ibiden iii

[vi] Hiebert, Paul G. 2008. Transforming Worldviews: An Anthropological Understanding of How People Change. Grand Rapids, MI: Baker Academic, in Dias: The “Secret” Power Behind Mission: The Name of Jesus, disponível em https://digitalcommons.andrews.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1216&context=jams

[vii] http://ellenwhite.cpb.com.br/livro/index/10/331/340/influencia-da-percepcao

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