Meditação de Pôr do Sol de 13/05/2016 por Flavio de Vasconcellos Pinheiro
11/05/2016
Meditação de Pôr do Sol de 20/05/2016 por Flavio Reti
18/05/2016

Comentários da Lição 7 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas

SENHOR DE JUDEUS E GENTIOS
Por vezes temos dificuldades de entender outras pessoas. Quão comum é tomarmos uma ação bem intencionada acreditando que seria a vontade de alguém próximo, e por fim percebemos que não era. A situação é mais frequente quando não conhecemos o outro, e de fato somos surpreendidos constantemente pelo que vemos e ouvimos, seja no círculo familiar, seja no trabalho, nos estudos, na igreja, ou até em nossas conversas com o Pai. Expectativa versus realidade é uma máxima que na maioria das vezes (para não dizer todas) estarão em diferentes planos.

De fato, não iremos entender a todos. Mesmo aqueles que temos a sensação de conhecer bem, não podemos tomar por regra que iremos entendê-los o tempo todo.

Entender a Deus é uma das razões para estudar ainda mais a Sua Palavra. Esta exposição nos leva para mais perto dEle e assim podemos reconhecer Sua Voz. Quanto mais gastarmos tempo meditando em Seus ensinos, mais compreensão teremos da Sua vontade. Contudo, como seres limitados, jamais conseguiremos ter total entendimento, e muitas vezes ficaremos angustiados com algumas questões. Mateus nos ensina a confiar em Deus mesmo que não se consiga entender Suas decisões.

Olhando um pouco mais de perto os milagres que Cristo realizou dois mil anos trás, facilmente identificamos Seu caráter altruísta. Jesus não se satisfazia em atrair a atenção para Si mesmo unicamente como um “operador de maravilhas”, nem como alguém que curasse as doenças do corpo. Queria atrair para Si como seu Salvador. Lembramos aqui que o povo ansiava por um outro tipo de salvador, esperavam um poderoso rei para libertar o povo do cativeiro romano e distribuir conforto e riquezas entre a nação judaica. Ao observarem a fluência de Cristo em Seu discurso, Seu poder para curar e perdoar, logo passaram a admirá-Lo. Tal admiração da descuidosa massa era chocante ao Seu espírito. Nenhum egoísmo tinha parte em Sua vida, e Jesus não Se servia de nenhum dos meios que se empregam para conseguir lealdade ou atrair homenagem (A Ciência do Bom Viver, p.31).

A linguagem do ministério de Cristo é de uma sucessão de bençãos. Ele abençoa o seu povo com o propósito de abençoar as outras nações vizinhas. Ele abençoa a Sua igreja única e exclusivamente para abençoarmos o mundo. “Vós sois o sal da Terra” (Mt.5:13). E quando Deus faz que Seus filhos sejam sal, não é apenas para sua própria preservação, mas para que sejam instrumentos para a preservação de outros. Todo cristão genuíno deve ser uma influência que ilumina os que se acham em treva. Mas nenhum de nós difunde luz sobre outros se não tiver recebido raios de iluminação divina da Palavra de Deus (Refletindo a Cristo [MM 1986], p.197).

 

O Contexto do Milagre

João Batista havia sido assassinado por uma trama da família de Herodes (Mt.14:1-12). Ao receber a mensagem, Jesus retira-se a um lugar afastado, possivelmente por sentir a grande perda “daquele que lhe abriu o caminho” (Mt.3:3). Mas o povo O seguiu, e possuído de íntima compaixão com a multidão que ali estava, Jesus inicia uma incontável sequencia de curas e milagres. Até que veio a tarde, e a multidão precisava se alimentar.

O livro de João identifica André como o discípulo que mencionou haver um menino em meio a multidão com 5 pães e 2 peixes (Jo.6:8-9). Agora coloque-se no lugar de André. Milhares de pessoas à frente. Uma ordem direta de Cristo: “dai-lhes vós de comer” (Mt.14:16). Um lugar deserto e afastado, a multidão cansada, a hora avançada, e a única fonte de alimento era aquele lanche de um garotinho. Sinceramente não sabemos se a solução identificada por André foi uma prova de fé no poder de Jesus, ou uma resposta pessimista à insistência do mestre em alimentar as mais de cinco mil pessoas. No início do diálogo os discípulos sugeriram que Jesus se despedisse da multidão pois sabiam que seria uma tarefa sobre-humana providenciar alimento naquela condição, mas Jesus insistiu com eles, e ao ver que não haveria alimento suficiente, Jesus operou mais um milagre naquela tarde: serviu um jantar à todos os que o seguiram. Jesus não fez um milagre tímido, ele o fez em fartura, doze cestos “sobraram” em uma multiplicação que foge à logica humana.

 

Um Jantar no Deserto

Todos os milagres do repertório de Jesus são muito importantes, mas este em específico tem significado diferenciado. Muitas vezes Jesus falou à multidão por parábolas usando situações cotidianas pra exemplificar os conceitos do Reino de Deus, também por muitas vezes Jesus foi direto e explícito, mesmo assim o povo continuava cego sem aceitar e sem entendê-Lo. O pecado é o maior de todos os males, e as multidões estão submersas nele, e por isso perdem todo o senso das realidades eternas. É nosso dever compadecer-nos dos pecadores e auxiliá-los. Cada um será alcançado de uma maneira diferente, e alguns só serão alcançados por atos de beneficência desinteressada. “Ao verem a prova de vosso amor desinteressado, será para eles mais fácil crer no amor de Cristo” (Parábolas de Jesus, p.387).

É a graça de Deus sobre a pequena porção que a torna suficiente. A mão de Deus pode multiplicá-la cem vezes mais. Com Seus recursos, Ele pode estender uma mesa no deserto para mais de um milhão de pessoas. Com o toque de Sua mão Deus pode aumentar Sua escassa provisão e torná-la suficiente para todos. Foi Seu poder que aumentou os pães e o cereal nas mãos dos filhos dos profetas (Exaltai-O [MM 1992], p.62).

 

Mantenha o Olhar

Cristo, “o restaurador”, passou uma gratificante, porém extenuante tarde de trabalho ao lado de Seus discípulos. Sentados sobre a relva de um lugar retirado para onde Jesus fora intencionado em descansar, seus seguidores que vinham de todas as partes a sua procura, tiveram o privilégio de testemunhar talvez o milagre de maior repercussão coletiva realizado publicamente por Ele – a multiplicação de pães e peixes. No entanto horas mais tarde, este mesmo Jesus viria a experimentar o escárnio e desprezo de algumas destas mesmas pessoas, que se permitiram a percorrer o emocional e intempestivo sentimento, migrado do “amor ao ódio” por Ele, ao verem frustradas suas expectativas de não aceitação tanto ao assédio, como ao conturbado convite manifestado pela turba que conclamava Seu nome como o novo Rei de Israel. Seus discípulos, que coadunavam da mesma ideia, foram por Ele despedidos para atravessar o lago, porém ao insistiram em permanecer, Cristo que lhes conhecia os corações, falou-lhes com autoridade nunca antes vista por eles para que partissem, a mesma autoridade que usou momentos mais tarde para despedir a multidão que alimentara. Sozinho então, retira-se para orar. Esta é a primeira lição desta história! Jesus não conseguira descansar como objetivou, ao contrário, atendeu as necessidades de todos que o procuraram naquela região deserta, e mesmo exausto, buscou refúgio para sua fadiga não em uma cama, mas em sua relação com Deus, ou seja, Ele descansou no Senhor. Neste intervalo de tempo não há relato de um merecido sono, Cristo então surge para os discípulos renovado em suas forças a ponto de poder caminhar, mesmo que sobre as águas, uma longa distância até encontra-los em relativo apuro para manter o barco equilibrado em sua rota devido uma tempestade. Seu contato com Deus lhe proporcionou a devida recuperação de Suas energias. A grande segunda lição estava por acontecer…

Recapitulemos alguns dos episódios testemunhados pelos discípulos ao lado de Cristo até então:

 

– O Sermão da montanha

– A cura de leprosos, a cura da sogra de Pedro, a cura remota (à distância) de enfermos – o criado do centurião romano, paralíticos, cegos e parafraseando um termo bíblico – muitas outras curas.

– Uma tempestade acalmada

– A expulsão de demônios

– A conversão de cobradores de impostos

– A ressurreição da filha de Jairo

– A confirmação dada por Cristo do cumprimento profético no trabalho de João Batista

– A multiplicação de pães e peixes e muito mais…

Após o episódio do jantar por um milagre, Jesus direcionou os discípulos para Cafarnaum, eles tomaram o barco e foram. No meio do caminho a embarcação estava sob fortes açoites de uma tempestade e Jesus foi de encontro com o barco andando por cima das águas. A história todos conhecemos, os discípulos temeram que fosse um fantasma se aproximando, mas Cristo se identifica e o curioso Pedro pede para “surfar” também, e aí veio uma aula prática de salvação pela fé (nEle): Pedro, a partir do momento que desviou o olhar do Mestre, temeu a tempestade, e afundou nas águas. Agora vem a pergunta: Como, depois de terem presenciado tantas maravilhas os discípulos não estavam espiritualmente preparados para discernir o sagrado das coisas de Belial? Por que simplesmente dentre suas opções a primeira não foi imaginar que aquele a quem reencontravam no lago poderia ser Jesus? Indubitavelmente a resposta se encontra em nós mesmos. Em que o nosso comportamento modernamente incrédulo, apesar do extenso conhecimento sobre tais histórias se difere daqueles pescadores?

A terceira lição é inevitável. Pedro repetiu a mesma atitude praticada junto com seus companheiros minutos antes e protagonizou, a despeito da real prova recebida de Cristo ao seu apelo de também poder andar  sobre as águas, o fracasso retribuído da tal benção com a tremenda falta de fé que sempre o acompanhou. Mesmo sendo um homem das águas, de onde tirava seu sustento, temeu por sua vida clamando imediatamente ao Mestre que mais uma vez o socorre e ternamente o questiona: – Por que duvidaste? Precisamos aprender a clamar pela intercessão de Cristo e optar primariamente sempre por nosso Pai celestial. Lembrar de seu socorro somente no fim das coisas não altera seu amor, mas nos deixa tão longe de seus propósitos a ponto não enxergarmos que na busca de Sua comunhão encontraremos solução e resultado para o objetivo de nossas vidas.

 

Enganoso é o Coração

Ainda por não ter chegado sua hora, algumas vezes Jesus retirou-Se de cena propositadamente, migrando para outras regiões onde Ele conhecia a necessidade dos locais por Seu alívio. Em outras ocasiões Ele era forte em seu discurso e usava a autoridade que somente o Filho do Homem possuía. Satanás estimulava os espias patrocinados pelo clero judaico afim de pegarem Jesus em alguma cilada ou algum vacilo que pudessem justificar sua prisão, condenação e morte. Cristo conhecia o mal que se desdobrava em suas mentes e através da Sua comunhão com o Pai, Ele sempre se antecipava a maldade que viria na sequência.

Os ritos higiênicos foram determinados por Deus à Israel quando estes ainda migravam pelo deserto, porém, em regras eivadas de tradição, os fariseus acresceram a Lei de Deus emendas que sorviam a verdade estabelecida por Ele, tornando-os então novos legisladores da ordem “celestial”. A verdade resgatada por Cristo naquele momento recuperava a real luz da palavra de Deus e os retirava do patamar em que nunca deveriam ter estado. A discussão que se segue desmascara a nítida intensão sacerdotal na indução do uso da palavra “corbã”, que significa, isto é oferta ao Senhor. Cristo aprofundou o tema e os inquiriu publicamente em uma retórica impossível de ser quebrada com os fracos argumentos sacerdotais e de forma igualmente clara dirigiu-se a multidão e aos discípulos orientando-os a respeito da honra que deveriam guardar a seus pais em troca de ofertas inventadas, assim como os exagerados rituais de limpeza que não encontravam fundamento bíblico nenhum (Mt.15:1-20).

Mais uma vez a lição estava dada, nenhuma lei humana poderia pretender supor-se a lei ofertada por Deus. Quando isso de alguma forma é aceito, passamos a entender que não é a impureza que entra em nosso corpo que contamina, pois esta, ao cabo de horas é eliminada, mas o que sai de nossa boca, de fato contamina, tem potencial para denigrir a fraca e despreparada mente humana e subjuga-la à vontade do ditador das almas. Cristo operou na libertação destas almas através do devido conhecimento da sua palavra.

O comentário sequencial de Seus discípulos está pleno de terror. O rosto desfigurado daqueles homens denotavam o ódio que alimentavam por Cristo e seus seguidores, mas Jesus cheio do espírito de sabedoria não titubeou ao afirmar que “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada” (Mt.15:13) e concluiu com a ilustração comparando-os a cegos que guiando-se um ao outro caiam no abismo (verso 14). Busquemos pois racionalmente  como agradar a Deus.

“…este povo se aproxima de Mim e com a sua boca e com os seus lábios Me honra, mas o seu coração está longe de Mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens” (Is.29:13). Nesta fala Jesus dá um alerta para uma realidade que verdadeira até os dias de hoje, o legalismo em forma de religião resultando na tão proclamada “hipocrisia”. Frequentemente nos deparamos com ela.

A hipocrisia é como fermento. Ele pode estar escondido na massa, e sua presença ser desconhecida até que produza seus efeitos. Misturando-se, logo invade toda a massa. A hipocrisia opera secretamente, e se for tolerada, encherá a mente com orgulho e vaidade. Há enganos praticados agora, semelhantes aos que foram praticados por fariseus. Quando o Salvador deu essa admoestação, Ele advertiu a todo que crê nEle a ser vigilante. É preciso vigiar contra o perigo de absorver esse espírito e nos tornamos como aqueles que tentaram apanhar numa armadilha o Salvador (Manuscrito 43, 1896).

 

Senhor de Todos

A história continua, e a passagem de Cristo naquela região (agora em direção à Tiro e Sidom – Mt.15:21) ainda revelou mais algumas lições. Se aproximou do Mestre uma mulher cananéia. Em humilde atitude de fé ela pede por misericórdia, sua filha estivera endemoniada. Num primeiro momento Cristo não dá atenção, e com alguma insistência (possivelmente com algum barulho também) segue-se um curioso diálogo (versos 22 a 28).

Cristo não atendeu imediatamente a súplica da mulher. Recebeu essa representante de uma raça desprezada, como o teriam feito os próprios judeus. Assim procedendo, era Seu intuito impressionar os discípulos quanto à maneira fria e insensível com que os judeus tratariam um caso assim, ilustrando-o com o acolhimento dispensado à mulher; e quanto ao modo compassivo por que desejava que tratassem com essas aflições, segundo o exemplificou na atenção que posteriormente lhe deu ao pedido… Jesus acabava de partir de Seu campo de labor, porque os escribas e fariseus procuravam tirar-lhe a vida. Eles murmuravam e se queixavam… recusavam a salvação tão generosamente oferecida. Ali Cristo encontrou uma criatura de uma raça infeliz e desprezada, não favorecida com a luz da Palavra de Deus. Entretanto, ela se submeteu imediatamente à divina influência de Cristo… pediu as migalhas que caíam da mesa do Senhor.

O Salvador ficou satisfeito… mostrou que que aquela que era tida como rejeitada de Israel, não mais era estranha, mas uma filha na família de Deus. Como filha, tinha o privilégio de compartilhar das dádivas do Pai (O Desejado de Todas as Nações, p.400, 401).

 

Para Refletir

Cristo não tinha espírito de exclusivismo. Cristo não conhecia distinção de nacionalidade, posição nem credo. Toda pessoa sincera e contrita é preciosa diante de Deus.

Quão limitada é nossa expectativa a respeito de Deus? O quanto pensamos conhecer a Cristo quando de fato não dedicamos tempo para conhecê-Lo?
Guilherme, Ricardo e Jeser

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