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09/08/2019
Meditação de Pôr do Sol 09/08/2019 por  Daniela Soares dos Santos
09/08/2019

Comentários da Lição 6 (3o Trim/2019) por Pastoral UNASP-HT

Adorai ao Criador

A década de 1960 foi marcada pela luta de direitos civis nos Estados Unidos. Em tal período houve efervescência de movimentos que uniam a prática religiosa com a social, a fim de promover protestos, marchas, debates e palanques. Um dos eventos marcantes de tal período foi a série de marchas em prol dos direitos civis no estado do Alabama, na qual, o Pastor Martin Luther King e o Rabino Abraham Joshua Heschel tomaram a linha de frente. O segundo personagem citado é considerado um dos mais importantes eruditos da filosofia do judaísmo, e foi nesse contexto que Heschel declarava abertamente que as boas ações são atos de comunhão com o Criador (MATHIAS; LANDIM, 2010, p. 77).

Um dos grandes sociólogos da religião, Peter Berger (1985, p. 125) identifica que o movimento dos profetas do antigo Israel representa um marco no desenvolvimento do pensamento religioso em geral, pois, em suas mensagens a religião se une à ética. As religiões do Antigo Oriente Próximo apontavam os rituais de sacrifícios e performáticas litúrgicas como única forma de alcançar a revelação da divindade. Em contrapartida os escritos proféticos bíblicos apontam que o comportamento ético interpessoal é tão essencial quanto às ordenanças cúlticas para que a adoração a Deus seja verdadeira (Isaías 58). Evidência disso é a proclamação dos dez mandamentos em Êxodo 20, onde adorar ao único Deus é colocado no mesmo patamar de honrar pai e mãe. Nessa perspectiva, a prática da idolatria também implicava em uma mudança que abrangeria a maneira de compreender a divindade, o mundo e o ser humano.

A fim de compreender mais a fundo a relação do ser humano com Deus é necessário pautar-se em um conceito que nos é colocado desde a criação, a imagem de Deus no homem (LARONDELLE, 2016, p. 6-7). Tal ideia perpassa todo o cânon bíblico, pois implica no entendimento de que o homem deve se assemelhar com seu Criador. Por isso, lê-se em Levítico 20:7 “[…]sede santos, pois eu sou Santo […]”, como também na fala de Jesus em Lucas 6:36 “[…] sede misericordioso como vosso Pai é misericordioso […]”. Assim, a adoração bíblica envolve assemelhar-se com um Deus cuja misericórdia é infinita (Êx 33:6) ao ponto de fazer-se carne e trazer Sua presença no meio de nós (João 1:14). Não há como envolver-se de fato nessa adoração e não mudar a forma como se portar perante o outro.

Dessa forma, o Criador nos convoca a uma adoração que envolve sentir o que Ele sente ao presenciar os sofrimentos de seus filhos, ação essa que é chamada por Heschel de pathos divino. Relacionar-se com o Eterno implica em ser uma resposta a desumanização crescente, elevando com as atitudes e a voz o propósito de um ser que foi criado a Sua imagem e semelhança (MATHIAS; LANDIM, 2010, p. 74)

 

Referências

BERGER, P. L. O Dossel Sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo: Paulus, 1985.

LARONDELLE, H. K. Nosso Criador Redentor. Engenheiro Coelho: UNASPRESS, 2016.

MATHIAS, L. G. K.; LANDIM, R. A. Heschel: do pathos ao diálogo. Sacrilegens. Juiz de Fora, v. 7, n. 1, 2010.

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