Meditação de Pôr do Sol de 29/04/2016 por Filipe Corrêa de Lima
28/04/2016
Meditação de Pôr do Sol de 06/05/2016 por Flávio da Conceição
05/05/2016

Comentários da Lição 6 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas

DESCANSO EM CRISTO

No início dos nossos comentários neste trimestre salientamos que Mateus destinou seu livro aos judeus conhecedores do Antigo Testamento, portanto, obviamente a guarda do sábado ou a santidade deste dia nunca seriam questionados. No entanto, estes atentos expectadores, em vista dos acontecimentos protagonizados por Cristo, indubitavelmente repensaram seu formato de guarda.
Um judeu nunca aceitaria um libertador que o representasse sem a observância do quarto mandamento, que era extremamente defendido através de constante legislatividade acompanhado de emendas que trouxeram ao dia de “descanso” pela tradição um peso que nunca o pertenceu, além de açoitar mental e fisicamente a todos que o aceitassem. O sábado então, tornou-se um evidente fardo construído a partir das tradições humanas e estava completamente afastado da idéia de dia deleitoso, tornando-se um “ponto” a ser defendido e não testemunhado. Cristo dedicou sua vida para viver o sábado em toda sua essência e alegria, distribuindo as bênçãos que recebia de Deus, em troca do pesado fardo de seus seguidores e dos crentes em seu ministério.
A quebra de tradições oferecida por Cristo foi o norte dado a todos quanto de coração puro encontraram em seu amor liberdade para desfrutar a qualidade de vida agora conhecida “… e conhecereis a verdade e ela vos libertará” (Jo.8:32), “… Vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” (Jo.10:10). A promessa vicatória estava aí estabelecida, mesmo antes da cruz, Cristo trocou com quem o recebeu de coração aberto suas dores por Sua paz. Eis o vinde que ecoa até nós.

Um fardo, Um Jugo, Uma Força Extra!

“Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt.11:28-30 RA).

Com esse convite acaba o capitulo 11 de Mateus. São palavras cheias de grande significado que transmitem conceitos importantes para entender o evangelho. Convidamos vocês a analisarem as palavras de Jesus para entender cada detalhe do que ele estava dizendo.
Primeiro Jesus convida a todos para se tornarem seus discípulos, não encontrariam o caminho da vida e a verdadeira sabedoria escutando os que se chamavam “sábios e entendidos” da época, pois não eram melhores que “cegos guias de cegos” (Mt.15:14). Cristo é o único que conhece a Deus Pai por isso apenas Cristo pode revelar o Pai (João 14:6-7, 9). Ele convida os que estão cansados, isto é, todos os seres humanos que sofrem por consequência do pecado, não só de cansaço fisico, mas principalmente da alma e da mente, que é o que mais preocupa e pesa ao homem. Este era um convite muito relevante para a multidão que o escutava, pois a religião de Israel tinha se degenerado de tal modo que se tornara um incansável e trabalhoso intento para alcançar a salvação pelas obras. Convida também os sobrecarregados, a humanidade carrega a carga mais passada de todas que é o pecado, e ao invés de dar descanso à alma de quem levava um pesada carga de pecado, essa exigências Rabínicas só serviam para extinguir ainda mais qualquer esperança que restasse.
O jugo de Cristo deve ser entendido como a maneira de viver de Cristo que nada mais é que a vontade divina resumida na lei de Deus e ampliada no Sermão do Monte. Jesus se declara manso e humilde e quem é manso não deseja nada menos que o bem dos outros, e o humilde reconhece que depende inteiramente de Deus e coloca os desejos e necessidades de seu irmão antes que os seus próprios desejos.
Originalmente o jugo era um instrumento cujo propósito era facilitar e tornar mais leve o trabalho do animal proporcionando um esforço em conjunto para levar a mesma carga, mas desde os tempos antigos já tinha se transformado em um símbolo de submissão ante um conquistador. Estes tristes e desanimadores resultados eram precisamente os males que Jesus veio aliviar. Mas Ele não prometeu acabar com o jugo antes de Sua volta, ao invés disso por hora oferece um jugo mais leve, o que nos faz entender que todos nesta vida sem exceção tem um jugo a carregar, seja o jugo leve do perdão conquistado na cruz por Cristo ou seja o jugo pesado do pecado e da tentativa da salvação pelas obras.
Satanás havia declarado que era impossível ao homem obedecer aos mandamentos de Deus: e é verdade que pela nossa própria força não lhes podemos obedecer, isso torna o nosso jugo muito pesado. Cristo veio na forma humana e por sua perfeita obediência provou que a humanidade e a divindade combinadas podem obedecer a todos os preceitos de Deus (Parábolas de Jesus, p. 314). Quando entendemos isso, nos arrependemos dos nossos pecados e deixamos o comportamento de rebelião e afastamento de Cristo, nos achegamos a Ele e Ele nos dá o Seu jugo que é muito leve. Passamos a rejeitar o pecado e aceitar a maneira de viver de Cristo, e isto nos faz aceitos por Deus novamente. O jugo de Cristo é leve, pois sendo mansos e humildes nos submetemos a vontade de Deus, somos aceitos por ele e este jugo agora funciona com o propósito que foi criado: potencializar o trabalho de quem o usa gerando menos esforço e mais eficiência.

O Dia de Descanso

Os milagres, a doutrina revolucionária do Mestre (como pregada no monte) e a crescente multidão que Ele atraía sempre resultava em agitação e desconforto aos lideres judeus, mas o comportamento de Jesus e seus discípulos aos sábados era o que causava grande ódio entre os líderes da época. Em Mateus 12:1,2 a agitação foi por que os discípulos com fome passaram por um campo e colheram espigas para matar a fome e Jesus não os repreendeu. Em Lucas 14:1-6 Jesus cura um homem hidrópico (doença que causava edema/inchaço de todo o corpo) no sábado, e em João 5:9-16 cura um paralítico também no sábado.
O ambiente em que o povo e Jesus viviam era fruto do estremo zelo criado pelos líderes religiosos no intuito de proteger sua santidade. Sabiam que uma das razões pelas quais tinham ido para o cativeiro babilônico tinha sido a profanação do Sábado, assim os fariseus criaram uma série de regulamentos sobre o que era e não era permitido no sábado afim de evitar que toda a desgraça do cativeiro acontecesse novamente (o estudo nos trouxe outros exemplos absurdos de como este estatuto era regulado). Mas essas regras eram muito rígidas e impossíveis de serem cumpridas o que arruinava o propósito original do sábado. Mui pesado era o jugo até quando se tratava do dia especial de descanso!

O Dia de Descanso: Antes do Pecado

Em Gênesis 2:2, 3 temos o relato do final da criação. “No sétimo dia Deus acabou de fazer todas as coisas e descansou de todo o trabalho que havia feito. Então abençoou o sétimo dia e separou como um dia dia sagrado pois nesse dia acabou de fazer todas as coisa e descansou” (NTLH). O propósito original do sábado não era descanso físico, uma vez que quem havia feito todo trabalho era Deus, que não se cansa, mas sim uma pausa uma mudança nas atividades para um dia diferente separado dos outros seis e sagrado. Um presente para o homem curtir toda a criação em contato intimo com Deus, seu criador. “O sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado” (Mc.2:27).

O Dia de Descanso: Depois do Pecado

Após o pecado o sábado continuou um dia separado e abençoado, mas o descanso físico e mental dos 6 dias de trabalho também foi enfatizado. “Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Seis dias trabalharas e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que esta dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que nele há e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado o santificou” (Êxodo 20:8-11). É evidente a ênfase no descanso do trabalho, um dia especial de descaso físico e mental. Nada que tenha ligação com nossos negócios rotineiros da semana deve ocupar as horas do sábado. “De acordo com o quarto mandamento, o sábado foi dedicado ao repouso e ao culto religioso” (Beneficência Social p. 77). “Mas a mente não pode ser refrigerada, vivificada e enobrecida sendo confinada quase todas as horas do sábado entre paredes, ouvindo longos sermões e orações tediosas, formais.” (Testemunhos para igreja v.2 p. 583). Isaías 58:13 nos ajuda a entender melhor como Deus deseja que passemos o sábado, a ideia de não cuidar dos próprios interesses, não fazer a própria vontade e não seguir os nossos próprios caminhos deixam bem claro que ao sábado não devemos trabalhar ou fazer qualquer coisa relacionada ao trabalho, negócios costumeiros ou comércio, mas por outro lado o sábado deve ser deleitoso e santo. Deleite significa agradável, prazeroso, melhor e mais confortável que os outros dias da semana e sagrado remete ao enfoque espiritual que deve permear o clima de todas atividades realizadas neste dia.

O Dia de Descanso: Depois do Pecado – Parte II

Jesus não aboliu o sábado como muitos interpretam nas atitudes e palavras de Jesus, mas sim restaurou a verdade sobre o sábado combatendo os pesados fardos que as pessoas haviam colocado sobre ele. A resposta aos fariseus nos episódios acima revela claramente que Jesus queria dirigir a atenção deles ao que era realmente importante: o sábado deveria ser uma benção para o homem, nunca um fardo. Amar a deus sobre todas as coisas e ao próximo com a si mesmo (Mt 22:37,39) é o resumo da Lei de Deus e nenhum dia da semana tira a validade da mesma.
Em Mateus 12:3-8, Jesus usa uma conhecida história do Rei Davi para mostrar que Ele é o Senhor do sábado, portanto maior do que o dia em si, assim como o trabalho dos sacerdotes era maior do que a estrutura física do templo.
Outra divergência com os líderes da época é relatada em Mateus 12:9-14. Para a tradição judaica uma ovelha seria resgatada se caísse em uma cova no dia do sábado, porém a cura de um homem era transgressão. Até intentaram contra a vida de Jesus em episódios de cura aos sábados.
Então, Sua instrução e exemplo miravam na libertação do povo, não do sábado, mas das regras sem sentido que ocultavam o propósito desse dia: descanso em Cristo, na criação e o plano redentor. Em outras palavras, nossos atos no dia santo devem refletir o caráter amoroso do nosso Pai.
“Logo, é licito, nos sábados, fazer o bem” (Mt.12:12) está inserido em um contexto imediato de amor ao próximo, fazer bem ao próximo levando-lhe auxílio e cura (física, mental, espiritual).

Para Refletir

Repartir o pão, abrigar o pobre, cobrir o desamparado, são princípios da lei de Deus, inclusive da guarda do sábado. A partir de uma entrega genuína nestes princípios o Senhor se fará luz por meio de nós, Sua Glória será nossa direção e proteção, e o Senhor guiará, fortificará, edificará um novo ser, além de garantir o reparo em nossa conexão perdida com Ele. Deixando de lado a nossa própria vontade, Ele poderá agir em nós e por nós (Is.58:7-13).
Guilherme, Ricardo e Jeser

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