Culto de Adoração (Sábado 02/11/2019)
01/11/2019
Meditação de Pôr do Sol 01/11/2019 por Adriana Pires
01/11/2019

Comentários da Lição 5 (4o Trim/2019) por Classe dos Pais

5 -TRANSGREDINDO O ESPÍRITO DA LEI

“Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus olivais e as suas casas, como também o centésimo do dinheiro, do trigo, do vinho e do azeite, que exigistes deles”(Ne 5:11)

O título da lição desta semana me remeteu à obra “Do Espírito das Leis” de Montesquieu, importantíssima para a concepção científica da política do Estado Moderno de Direito como o reconhecemos hoje em nações onde haja a democracia como linha filosófica de governo.

Interessante observar que tanto no contexto religioso como no científico, há o imperativo de que, para uma real efetividade da Lei é necessário que haja sempre obediência a princípios éticos e morais, devendo a letra da Lei servir apenas como um recurso de delineamento de um padrão a ser replicado pelo grupo que a ela se submete, tanto governantes quanto governados. Assim como o homem, para sua existência, é composto por matéria e fôlego de vida, as Leis, em sentido lato, precisam de regras sistematizadas, como a constituição de um determinado país, que correspondam aos anseios éticos e morais do povo que a elas será submetido. Observem o preambulo de nossa constituição:

“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.”

Se houvesse sinergia entre a intenção e o gesto, não ficaríamos tão indignados com nossos governantes como desde sempre ficamos após a queda do homem no Éden.

O que nos chama a atenção nesta lição, é que Deus espera que não nos pautemos pelos padrões de justiça do mundo. Por sermos um povo Seu, nossos padrões devem se pautar pelas regras celeste.

Parafraseando Paulo em I Coríntios 6:12, não é porque é permitido que se convém fazer. Aliás, todo o capítulo 6 de I Coríntios fala do resultado da transgressão do espírito da Lei.

O povo se queixava da exploração pelos mais poderosos. Desde aqueles que governavam até aqueles “irmãos” que conseguiam emprestar. Porém, não poderiam cobrar juros, ainda que baixos. Os pobres, ao invés de serem ajudados conforme previsto pelo espírito da Lei em períodos de dificuldade econômica, eram usados pelos ricos. Filhos eram dados como escravos por quem não conseguia quitar suas dívidas contraídas para pagar impostos absurdamente altos. A mesma tirania praticada por povos estranhos, era praticada “normalmente” entre irmãos. Já pensou em qual filho você daria para quitar suas dívidas? Isso era normal! Totalmente dentro da lei!

Se nos ajudássemos mutuamente, ninguém da igreja enfrentaria miséria. Tal como o povo dos dias de Neemias, o nosso povo padece em pecado. Muitos há abastados dentro da igreja que não ajudam financeiramente ao pobre e a viúva. Exploram ao máximo toda vantagem que possam obter na hora de pagar por serviços ou receber alugueis, por exemplo. Não conhecem e nem ajudam o departamento da ADRA de suas igrejas. Porém, não fazem nada de errado perante a “letra” da lei.

Que recado Neemias adaptaria para os costumes de nossos dias?

Temos sido justos perante Deus diante dos nossos pobres?

Diante dos absurdos que vemos diante de nós, que podemos fazer para “restituir terras, vinhas, olivais e casas? Centésimos de dinheiro, trigo, vinho e azeite?

Não é porque pagamos nossos funcionários de acordo com as convenções sindicais que estejamos sendo verdadeiramente justos com eles.

O que podemos fazer pela nossa comunidade de maneira a combater a pobreza e a injustiça?

Como iremos andar no temor do Senhor para evitar a zombaria dos outros povos?

Deus não quer que apenas devolvamos ou “paguemos” nossos dízimos. Nosso compromisso vai bem além.

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.” Isaias 1:11

“O sacrifício dos ímpios é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento.” Provérbios 15:8

Melhor não fazer juramentos, do que fazê-los e não os cumprir. Nossas palavras possuem muito poder e precisamos ser cautelosos para que Deus não seja desonrado com nosso mau testemunho. “Muitas pessoas se afastam do cristianismo por causa daqueles cujas palavras soam cristãs, mas suas ações provam o contrário”.

Ghandi dizia: Amo o cristianismo, mas odeio os cristãos, pois não vivem os ensinamentos de Cristo.

Neemias abriu mão de muitos direitos de ganho que lhe cabiam ante o povo, seus irmãos, e por isso a lição nos recomenda seguir o seu exemplo.

A Lição desta semana nos conclama a, pela comunhão com Deus, desenvolvermos sensibilidade quanto aos irmãos que estão perto de nós, para que então saibamos atender aos de fora. Aprendamos a amar primeiro a Deus, nossas famílias e só então teremos habilitação para fazer justiça ao mundo.

Uma máxima que está na moda é: antes de salvar o mundo, arrume o seu próprio quarto.

Pratiquemos a generosidade de Neemias. Seremos mais ricos que muitos bilionários por aí.

Parabenizo a Classe da Escola Sabatina dos Pais do UNAS-HT pelas muitas iniciativas de ajuda humanitária que tem sido um grande sucesso. Vocês são um grande exemplo. Continuem e cresçam cada vez mais neste ministério.

(Comentário escrito por Jermute Moraes, membro da Igreja do UNASP-HT)

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