Comentários da Lição 4 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas
21/04/2016
Meditação de Pôr do Sol de 29/04/2016 por Filipe Corrêa de Lima
28/04/2016

Comentários da Lição 5 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas

A GUERRA VISÍVEL E A INVISÍVEL

Estamos imersos em uma infinita fonte de coisas invisíveis. Quer seja em uma análise microscópica onde mesmo com um certo grau de dificuldade conseguimos visualizar as cadeias moleculares, mas ainda temos velado tudo o que compõe cada átomo, elétron, e sub-partícula participantes destas cadeias. Ou quer seja em uma cosmovisão de tudo o que compõe o universo em sua extensão, onde ainda hoje, mesmo com todo recurso e tecnologia disponíveis temos limitado (bem limitado) alcance do que está ao nosso redor. Cientistas como Stephen Hawking ainda defendem a ideia de “pluriversos” que, apesar de ser matematicamente provável, é impossível de se ver/tangibilizar, e uma tarefa hercúlea de se explicar via álgebra e cálculo diferencial. Ainda não mencionamos toda radiação que foge do espectro/frequência visível ao ser humano ou as ondas eletromagnéticas, como as microondas produzidas no aparelho homônimo que todos temos em casa, ou as ondas de rádio, TV, telecomunicações em geral, sem falar nas ondas gravitacionais onde o assunto se expande à uma infinidade de teorias e iterações da física, muitas destas pouco conhecidas na prática (apesar de amplamente estudadas). Sim, de fato há muito mais coisas invisíveis do que as que podemos enxergar. E é em meio ao invisível que ocorre a maior guerra de toda a história do universo: A batalha entre o bem e o mal. Não sabemos ao certo como é possível, não há ciência capaz de definir com precisão este campo de batalha. Apesar de muitas teorias, o embasamento para tangilibilizar este cenário vem direto da fonte criadora: Deus através da Bíblia.

Mateus nos traz lampejos do que foi inspirado pelo Espírito Santo a escrever, ele diz: Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos Céus é tomado à força, e os que usam de força se apoderam dele (Mt.11:12).

A princípio esta afirmação nos leva à enxergar uma violenta batalha no reino dos Céus, e não seria improvável uma leitura desavisada entender que nesta batalha é o lado inimigo que “toma à força” o reino dos Céus. A leitura contextualizada da Bíblia se faz importante nela toda, e é especialmente decisiva para este trecho. Se voltarmos alguns versos no capítulo 11 percebemos uma construção racional sobre aquilo que Jesus declarava aos que o questionavam. No início Jesus mostra os milagres e as maravilhas transformadoras do Seu reino (verso 5), em seguida a referência é a João Batista e o seu trabalho divinamente orientado que preparou a “entrada” do reino, com uma ênfase no paradoxo de uma vida humilde que é exaltada por seguir a vontade de Deus, tanto para João Batista, quanto para os que vieram depois e tiveram a honra de viver ao lado de Cristo (verso 11).

Cosmovisão

Com isso em mente nos aproximamos da ideia chave para entender a vida e tudo que se passa ao nosso redor, além de entender a história desde antes da criação até a eternidade. Eventualmente nos deparamos com questões comuns como: Quem sou eu? De onde vim? O que estou fazendo aqui? Qual é o sentido da história? Temos a tendência de respondê-las de acordo com a cosmovisão que pessoalmente adotamos.

Do léxico, cosmovisão é: substantivo feminino, maneira subjetiva de ver e entender o mundo, explicar as relações humanas e os papéis dos indivíduos e o seu próprio na sociedade, assim como as respostas a questões filosóficas básicas, como a finalidade da existência humana, a existência de vida após a morte etc.; visão de mundo (Dicionario On Line).

Do Gênesis ao Apocalipse a Bíblia revela a cosmovisão cristã: somos filhos de Deus criados a imagem e semelhança dEle. Viemos das sucessivas gerações de Adão e Eva, os primeiros seres humanos criados por Deus. Nosso destino é sermos restaurados a perfeição da criação inicial se assim quisermos e aceitarmos ter a nossa vida conduzida segundo a vontade de Deus (expressa em Sua lei). A história do mundo mostra o amor de Deus pelo ser humano em contraste com a maldade de Satanás, mostra também o sacrifício de Cristo provando para o Universo que Deus é amor e a obediência à Sua lei protegem a criação e garantem vida plena em contraste com a tese de Satanás que os seres criados não precisam de tais ‘restrições de sua liberdade’ para serem felizes (Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja, v. 5, p. 738). Estas são apenas algumas respostas construídas tendo como base a cosmovisão cristã.

História

De Gênesis (3:15) a Apocalipse (12:7-10) a Bíblia revela um contínuo conflito entre Cristo e Satanás, entre o reino da justiça e o reino do pecado. A Bíblia nunca subestima a existência e a função de Satanás nos assuntos da história humana. Na verdade, ela retrata a origem de Satanás em seu esforço para ser como Deus (Is 14:12-15; Ez 28:12-15); em sua rebelião contra o Senhor, resultando em sua expulsão do Céu (Lc 10:18; Ap 20:7-9); e mostra o fim que o aguarda na aniquilação apocalíptica (Ap 20:7-10).

 

Mas entender a Cosmovisão Cristã nem sempre é fácil e evidente, muitas vezes temos dificuldade em afastar a cortina e ver o invisível, “as tentações de Satanás apresentam coisas terrenas e as tornam envolventes e atrativas, de modo que as realidades celestiais são eclipsadas e o apego ao mundo é posto em primeiro plano. A obra de Satanás é acorrentar os sentidos a este mundo” (Nossa Alta Vocação p.283). Exemplo de cegueira de cosmovisão é visto em Mateus 11:16-19, onde Jesus evidencia o tema quando compara a humanidade de sua época a um grupo de crianças sentadas na praça que quando convidadas a cantar musicas de casamento não participaram, então foram convidadas a cantarem musicas de sepultamento e também não cantaram, simplesmente não queriam fazer nada. Sem dúvida, Cristo se referia ao povo do Israel que vivia em seu tempo, e mais especificamente aos que escutaram João Batista e mais tarde Jesus. Mesmo quando anunciaram o reino messiânico, e foram testemunhas dos milagres (Mt.11:21-23) que acompanharam a sua proclamação. “Esta geração” tinha gozado de privilégios muito maiores que os de qualquer geração dos tempos do antigo testamento mas apesar dessas oportunidades sem precedentes, poucos tinham “ouvidos para ouvir” (verso 15), para perceber o verdadeiro significado da missão do João Batista e Jesus. Por outro lado, os escribas e fariseus rechaçaram abertamente a Cristo e o acusaram de impostor (DTG 183-184), embora vacilaram em adotar a mesma atitude para com o João Batista, pelo menos abertamente (cap. 21:23-27). Se estivessem atentos à cosmovisão bíblica explícita no Antigo Testamento não estariam tão cegos ao cumprimento das profecias. João Batista serve de ponte entre o antigo e o Novo Testamento (DTG 191-192). O Antigo Testamento termina com a profecia de que ele viria (ver Mt.3:1; 4:5-6), e o Novo Testamento começa com o registro do cumprimento dessa profecia (Mt.3:1-3; Mc.1:1-3). As mensagens proféticas do Antigo Testamento se centralizam na vinda do Messias e na preparação de um povo preparado para recebê-lo (Mt.11:13-14). Em João Batista, o antigo chegou a seu apogeu e deu lugar ao novo. A mesma geração que escutou ao João também foi testemunha da vinda do Messias e do estabelecimento de seu reino. Além disso, foi esta mesma geração a que finalmente viu cumprir-se plenamente tudo o que os profetas do Antigo Testamento haviam predito a respeito de Jerusalém e da nação Judaica (ver Mt.23:36; 24:15-20, 34).

 

Dois Lados e Uma Fronteira

 

Voltando à Mateus 11:12 e embasados no fato de que há uma guerra histórica, visível e invisível, na qual todos estamos envolvidos e todos escolhemos um lado da fronteira (perceba, não há um muro para nos apoiarmos enquanto “decidimos”), chegamos à conclusão de que o reino dos Céus avança com energia, avança com grande poder para cima do reino das trevas. Jesus diz que não veio trazer paz à terra (ao conflito), mas veio trazer a espada (Mt.10:34). O “Leão da tribo de Judá” vem para fazer justiça (Ap.5:5), o que certamente não é uma mensagem delicada. “Abrir caminho”, romper a porta” de Miquéias 2:13 são demonstrações de como o Senhor age na batalha contra as trevas. O contra-ataque inimigo não deve ser subestimado, pois temos um rival que joga sujo, e revidará violentamente.

É necessário que todo cristão enxergue “como esse conflito penetra em todos os aspectos da experiência humana; como em cada ato da vida a pessoa revela um ou outro daqueles dois princípios antagônicos; e como, querendo ou não, ela está mesmo agora decidindo de que lado do conflito estará” (Ellen G. White, Educação, p. 190). Nesse momento a batalha se torna perigosa, Jesus disse que “Desde o tempo em que João Batista começou a pregar até agora, o Reino dos Céus tem avançado vigorosamente, e pessoas violentas o estão atacando” (Mt.11:12, New Living Translation, tradução livre). Por esta óptica, Jesus faz uma afirmação profunda sobre Seu conflito com Satanás. O reino de Deus tem sido a esperança e a força vital do Seu povo desde que o pecado entrou no mundo. Esse reino se transformou em realidade histórica quando o Filho, a segunda pessoa da Trindade, tomou sobre Si a natureza humana para redimir do pecado a humanidade. Desde então, o reino de Deus tem avançando em ritmo constante, ainda que o reino de Satanás tenha tentado impedir a iniciativa divina. No entanto, o triunfo de Deus no conflito está garantido. Como testemunha, veja como o ministério do Filho transformou trágicas consequências do pecado em prova triunfante da Sua vitória: “Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho” (Mt 11:5). “Quem não é por Mim é contra Mim; e quem comigo não ajunta espalha” (Mt 12:30). Escolher estar com Jesus significa vida eterna. Escolher estar com Satanás significa destruição eterna, e na cosmovisão cristã o crente possui uma grande vantagem, já sabe o final da historia e e pode escolher ficar do lado de Cristo, O Vencedor. Devemos estabelecer inflexível inimizade entre nós e o nosso adversário. Mas precisamos abrir o coração à influência do Espirito Santo. Devemos querer nos tornar tão sensíveis às santas influências, de modo que o mais leve sussurro de Jesus nos mova até que Ele esteja em nós e nós nEle, vivendo pela fé no filho de Deus,”(Signs of Times, 23 de marco de 1988).

 

Agenda da Batalha

 

·         Para haver uma batalha é preciso haver dois lados, sempre polarizados (Mt.12:25-29);

·         O próprio Senhor dos Exércitos promete destruir o inimigo (Is.27:1);

·         Por sermos de Deus e vivermos em um mundo dominado pelo inimigo, estamos imersos no conflito, não há como escapar (1Jo.5:19);

·         A paz só vai ser restabelecida quando Deus colocar fim ao conflito e destruir o inimigo (Rm.16:20);

·         Cedendo ao mal passamos a sentir na pele os resultados de vivermos em meio ao conflito, sujeitos a todo tipo de maldade inerente ao homem caído (Gn.3:14-19);

·         A luta não é contra a carne (tangível) mas sim contra o poder do mal, sendo assim só a armadura de Cristo para resistirmos (Ef.2:2; 6:10-13).

 

O Fim da História (Alerta de spoiler)

 

Na cosmovisão cristã temos a vantagem de saber qual lado já venceu. Cristo conquistou a vitória decisiva em nosso favor. Após a cruz, não restou nenhuma dúvida sobre quem é o vencedor e sobre quem pode participar os frutos dessa vitória. A causa de Satanás é de fato uma causa perdida.

“Para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte” Hb.2:14. Ao ressuscitar da morte, Cristo venceu o último inimigo (a morte), colocando-o sujeito debaixo dos Seus pés (1 Co.15:20-27). O inimigo mesmo derrotado, sabe que pouco tempo lhe resta até que sua sentença seja cumprida (Ap.12:12) e o mal eliminado eternamente (Ap.20:10), então com grande fúria ele reage.

Vivemos em um mundo desestruturado e amaldiçoado pela ansiedade e pela dor, onde a serpente não está limitada a uma árvore no meio do jardim, mas todo o jardim está infestado de serpentes. Em meio à este conflito real e presente, temos uma grande certeza: Jesus fez por nós o que nunca poderíamos fazer por nós mesmos. Embora Sua vitória tenha sido completa, a batalha continua. Nossa única proteção está em nos colocarmos de corpo e mente do lado vencedor. Realizamos isso pelas escolhas que fazemos cada dia.

 

Para Refletir

 

Muitas vezes o inimigo usará uma estratégia para nos desencorajar a fé em Jesus. Para alguns será usando força, para outros a razão. Estudamos vários mistérios nesta lição, e com certeza não conseguimos cobrir todos os detalhes, até porque não os temos.

Quantas coisas, mesmo na vida secular, continuam misteriosas a nós? Paramos de acreditar, por algum momento, na existência do sol só porque existem muitos mistérios relacionados à ele? Obviamente não! Quanto mais então para questões de fé na Palavra de Deus? Somente a confiança em Deus e a submissão à Sua vontade pode nos posicionar no lado vencedor. Isso não inclui apenas a salvação mas, também, todos os problemas e vitórias da vida.

 

Guilherme, Ricardo e Jeser

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