Meditação diária de 26/07/2019 por Flávio Reti – Fulgêncio Batista Zaldívar
26/07/2019
Meditação de Pôr do Sol 26/07/2019 por Valdir Lindemute de Araújo
26/07/2019

Comentários da Lição 4 (3o Trim/2019) por Pastoral UNASP-HT

Lição 4: Misericórdia e Justiça no livro de salmos e provérbios 

Defendei o pobre e o órfão; fazei justiça ao aflito e necessitado, livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios (Sl. 82:3-4 ARC).

 

São 4 os personagens do texto dessa semana: pobre, órfão, aflito e necessitado. A palavra “pobre” (Dal) aparece 48 vezes na bíblia hebraica (BH). Apenas 5 vezes em salmos sendo nos salmos 41, 72, 82 e 113. Para o salmista existe uma recompensa para aquele que atende ao pobre, o livramento no dia do mal (Sl 41:1). O livro de provérbios explica a ideia de “dia do mal” ao apontar para a soberania de Deus que criou os ímpios para um propósito, serem destruídos no dia do mal (Pv 16:4). O dia do mal então é o dia de juízo para o ímpio. O caminho aparente para o livramento desse dia, ou da felicidade, segundo o salmista é o atendimento ao pobre (Sl 41:1). As ideias de juízo e auxílio ao pobre mais uma vez conectadas no texto bíblico. 

O salmista também afirma que Deus vai se “compadecer do pobre e do aflito e salvará a alma dos necessitados” (Sl. 72:13 ARC). Nessa poesia o pobre, o aflito e necessitado estão sob o olhar atencioso de Deus. O salmista também faz pedidos a Deus. Os verbos utilizados são “defender” e “socorrer”, ambos no imperativo. O tronco verbal em hebraico traduz uma ideia de intensidade. Ele vê a impiedade e injustiça e grita imperativamente para Deus fazer algo por eles, talvez porque ele mesmo não possa. Mais uma vez o tema juízo e pobreza se encontram, só que ao invés de Deus trazer livramento aos cuidadores de necessitados, temos alguém pedindo para Deus justiça imediata em favor de quem precisa. Mais um convite interessante do livro de salmos, o de interceder por quem precisa. 

O salmista também afirma que Deus é aquele que “levanta o pobre do pó, e do lixo levanta o necessitado para o fazer assentar com os príncipes, sim, com os príncipes do seu povo’’ (Sl. 113:7-8 ARC). Uma citação direta do livro de 1 Samuel que diz: “Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado, para o fazer assentar entre os príncipes, para o fazer herdar o trono de glória; porque do SENHOR são os alicerces da terra, e assentou sobre eles o mundo. (1 Sam. 2:8 ACF)”. O levantar do pobre como um instrumento da soberania Divina. Em resumo, no livro de salmos, o pobre é aquele que Deus usa para levantar e se fazer soberano, é aquele por quem o salmista intercede junto ao Pai, é por quem Deus se compadece, é instrumento de livramento no dia do mal.

Já a palavra “órfão” (Yatom) aparece 42 vezes na BH sendo 8 no livro de salmos. Na ótica do salmista Deus é o auxílio do órfão (Sl 10:14) e faz “justiça ao órfão e ao oprimido (Sl. 10:18 ARA). Ele também é “Pai de órfãos e juiz de viúvas no seu lugar santo” (Sl. 68:5 ARC). O Senhor “guarda os estrangeiros; ampara o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios. (Sl. 146:9 ARC)”. Em resumo, para o órfão Deus é Pai, Juiz, Amparo e Auxílio.

Já o “aflito” (‘any) aparece 80 vezes sendo 29 só no livro de salmos. De fato, aflição é um assunto recorrente em poesias humanas em diálogo com o divino. Deus é mais uma vez um personagem central, em sua misericórdia, sendo aquele que “não se esquece do clamor dos aflitos’’ (Sl 9:12 ARC). Traz segurança ao aflito (12:6), é o refúgio para o aflito(14:6), livra o povo aflito (18:28), “não despreza, nem abomina a dor do aflito, nem ocultou dele o rosto, mas o ouve, quando grita por socorro” (Sl. 22:24 ARA), o SENHOR ouve e livra o Salmista aflito que clama em todas as suas tribulações” (Sl. 34:6 ARA). Em resumo, quando o assunto é aflição em salmos, o poeta via a aflição imposta pelos ímpios (Sl 10) mas acredita em um Deus que se lembrava na aflição (Sl 74) e cuidava do povo (Sl 18) e dele mesmo (Sl 40). E quando o assunto é justiça, Deus “julgará os aflitos do povo, salvará os filhos do necessitado e quebrantará o opressor” (Sl. 72:4 ARC).

Por fim, o “necessitado” (Rush) que aparece somente nesse verso em salmos, porém um tema recorrente em provérbios, ocorrendo 16 vezes no livro. Salomão aconselha “o que dá ao necessitado não terá falta, mas o que dele esconde os olhos será cumulado de maldições” (Prov. 28:27 ARA), “melhor é o necessitado que anda na sua integridade do que o perverso, nos seus caminhos, ainda que seja rico. (Prov. 28:6 ARA). O contexto de justiça Divina mais uma vez está presente em “O que escarnece do necessitado insulta ao que o criou; o que se alegra da calamidade não ficará impune” (Prov. 17:5 ARA). Outro tema recorrente é a soberania de Deus sobre ricos e pobres. “O rico e o necessitado se encontram; a um e a outro faz o SENHOR” (Prov. 22:2 ARA). 

Para White (p.25, 2000) “A religião pura e imaculada perante o Pai é esta: “Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.” (Tg. 1:27). Boas obras são os frutos que Cristo requer que produzamos; palavras amáveis, atos de benevolência, de terna consideração para com os pobres, os necessitados, os aflitos. Quando corações simpatizam com corações oprimidos por desânimo e angústia, quando a mão dispensa ao necessitado, é vestido o nu, bem-vindo o estrangeiro a um assento em vossa sala e um lugar em vosso coração, os anjos chegam muito perto, e acordes correspondentes ecoam no Céu”. 

Por Pr. Lucio Pereira

 

WHITE, Ellen G. Evangelismo. Testemunho Para a Igreja. v 2. Tatuí, SP: Casa Publicadora, 2000.

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