Meditação de Pôr do Sol de 22/04/2016 por Fernando Valente
20/04/2016
Comentários da Lição 5 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas
28/04/2016

Comentários da Lição 4 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas

FÉ E CURA

Por onde passava Jesus atraia um grande número de pessoas que vinham para estar com Ele, ouvir seus ensinamentos e serem curadas. O capitulo 8 e 9 de Mateus relata fatos ocorridos logo após o Sermão da Montanha (capítulos 5 a 7), e antecede os capitulo 10 onde Jesus envia os 12 discípulos a pregarem o Evangelho do Reino e os habilita a realizarem curas.

Nos capítulos 8 e 9 estão relatados alguns dos sinais extraordinários do poder de Deus que confirmavam o poder divino de Jesus. É também no capitulo 9 verso 9 que está relatado o chamado de Mateus.

Dentre os milagres e curas dos capítulos 8 e 9, vamos destacar quatro e analisar as lições que podem ser aprendidas.

Deus não se preocupa com minha morte a de meus amigos e familiares. Afirmação impactante não é? Mas incompleta. Ele não se preocupa com nossas mortes apenas, mas muito mais imensamente com nossa morte eterna pela doença espiritual que nos aflige.

O plano da Salvação não nos poupou da doença e mortes físicas (Jo 17:15), mas através da compreensão da fé e cura oferecida por Deus, podemos aprender a perpetrar plena libertação nesta vida sujeita a pecados e apesar da morte, certeza da salvação e vida de esperança.

Poder pelo Toque

Primeiramente a cura de um leproso, relatada em Mateus 8:1-4. A lepra era uma das doenças mais terríveis da época, não havia cura e por ter caráter infecto-contagioso exigia isolamento do doente, afastamento da família e da sociedade mas não levava a morte rapidamente e por isso a pessoa passava anos sofrendo preconceito enquanto a doença ia deformando e gerando sequelas em seu corpo. Interessante contextualizar algumas informações sobre a doença, uma vez que hoje com o avanço da medicina já se sabe praticamente tudo sobre a doença inclusive sobre sua cura. A expressão “lepra” já não é mais usada afim de derrubar o preconceito e isolamento que marcaram a doença por séculos. Sabe-se que a hanseníase, como é chamada hoje, é transmitida de pessoa para pessoa através de gotículas de saliva, sendo necessário um contato muito íntimo para transmissão. Geralmente é transmitida pelas pessoas que convivem mais próximas no ambiente familiar e o mais interessante é que 90% das pessoas são resistentes a bactéria apenas 10 % desenvolvem a doença, mas demoram de 2 a 7 anos para desenvolverem os sintomas. A progressão da doença é lenta e ao longo da vida as deformidades vão mutilando os doentes se não houver tratamento, ao ponto que não há como esconder os resultados da doença das pessoas que estão em volta.

Após séculos e até milênios de convívio/luta com esta doença, somente em 1987 o médico Venezuelano Jacinto Convit foi reconhecido com o prêmio Príncipe de Asturias pelo descobrimento de uma vacina curativa da lepra. O descobrimento também obteve reconhecimento pela fundação Nobel que decidiu nominá-lo para o prêmio de Medicina do ano 1988. De fato, foi uma das doenças mais agressivas da história.

Naquela época, o procedimento com leprosos confirmados seguia os seguintes passos:

  1. Declarados imundos (Lv.13:3)
  2. Sua casa era destruída (Lv.14:45)
  3. Ninguém podia tocá-lo (Lv.14:46)
  4. Vida em isolamento (Lv.14:3)

Sendo assim esta doença acabava com a dignidade de qualquer pessoa, e é possível imaginar o escândalo que foi Jesus tocar o leproso bem como a importância da cura no contexto, não só para o leproso mas também par os familiares e amigos. Significava a retomada da vida familiar e social para o doente.

O leproso sabia que Jesus tinha poder para curá-lo, sua dúvida aparente (Mt.8:2) era por se sentir indigno da atenção do Mestre, ele se considerava um pecador e não merecia o poder de Deus. Mas Jesus não o rejeitou. Leprosos deveriam ser evitados, mas Jesus não o evitou. Leprosos não deveriam ser tocados, mas Jesus o tocou. Cena tremenda!

Num mundo precário, onde doenças como a lepra por anos tornou-se o mal dos séculos e o juízo de Deus, Jesus com sua simples e humilde atitude (de tocar o proibidamente intocável), devolveu-lhe no mesmo instante sua auto-estima. O interessante foi observar que seus discípulos tentaram impedir Seu gesto preocupados com uma possível contaminação do seu Mestre, e quem sabe assistir na exigência da lei o fim do seu ministério, não chegaram a pensar que o poder manifestado por Deus em Cristo o pudesse salvar de todo perigo ou como de fato aconteceu, ao invés de ser contaminado, contrariamente purificar aquele homem considerado imundo. O que sequentemente aconteceu na vida daquele homem resgatado bem como na daquelas pessoa que testemunharam tal fato foi algo tão inimaginável e inacreditavelmente tremendo, que até os nossos dias esse relato ainda repercute de forma espantosa e maravilhosa.

(Podes tornar-me limpo – O Desejado de Todas as Nações p.191).

Poder pela Palavra

Logo em seguida Mateus 8:5-13 nos apresenta o relato da cura do servo do Centurião romano. Fato muito peculiar pois um Centurião romano era um oficial militar de alta patente, comandante de até 100 soldados. Por outro lado havia um servo, que para os romanos não tinha muito valor muito menos doente. Servos eram considerados como uma ferramenta de trabalho que poderia ser descartada quando não houvesse mais utilidade. Mas no desenrolar dos acontecimentos entendemos que este não era um Centurião qualquer. Este era um homem de grande fé (elogiada por Jesus no verso 10). Se na cura do leproso o contexto era de alguém intocável por causa de uma doença transmissível terrivelmente temida, de modo semelhante o Centurião não era bem vindo naquela vizinhança e possivelmente odiado como opressor dos Judeus. Se por um lado o leproso não podia entrar na cidade por nenhuma razão, os gentios não podiam ingressar no templo, eles ficavam no pátio. Porém do alto comando militar aquele homem procurava a cura para seu servo doente, um ser socialmente insignificante. A diferença aqui é que o Centurião tinha fé que uma simples palavra de Cristo era suficiente para curar seu servo.

Ao rogar ajuda do Messias, o Centurião sabia exatamente qual era o poder de Cristo, notoriamente ele reconhecia Sua autoridade e reverentemente respeitava a presença do Senhor. Jesus por sua vez surpreende-se com tamanha fé, ao ponto de compará-la com Israel, concluindo que muitos gentios “tomariam” os lugares originalmente designados para a nação eleita, pois estes não creram como muitos gentios o fazem. Aqui mais uma vez é demonstrado ao povo judeu a salvação estendida aos gentios, assim como vimos em lições anteriores através da própria genealogia de Jesus.

Conhecer a verdade divina amorosamente revelada ao homem e não vivê-la, é o mesmo que enterrar talentos. Quem porta a luz e a compartilha não ficará impressionado quando seus não detentores reconhecerem em Deus seu Salvador pessoal, mesmo que não tenha havido qualquer intermédio dos ditos portadores da luz, lembremos que se não falarmos as pedras falaram.

Resumidamente foi isso que o Centurião romano enxergou ao cruzar seu olhar com o de Cristo. Ele não precisou de provas, os testemunhos sobre ele já bastavam. Pena que os intermediadores deste contato (outros judeus) não praticaram o mesmo exercício de fé. Em nossos dias os portadores da luz devem erguê-la o mais alto possível para que todos os que a vejam humildemente reconheçam suas posições e percebam que nossas necessidades são os únicos motivos para se alcançar a misericordiosa graça de Deus.

(O Centurião – O Desejado de Todas as Nações p.233).

Questão de Autoridade

Em Mateus 8:28-34 dois endemoniados vieram ao encontro a Jesus saindo de um cemitério. A soma de possessão demoníaca com o frequentar cemitério é a terceira mistura que carateriza mais excluídos e evitados pelos homens da época. Não havia situação mais degradante para uma pessoa do que esta descrita. Sem duvida a impureza é uma característica presente nesses três relatos. Eles vinham ao encontro de Jesus para enfrentá-Lo, pois ali era o seu terreno, o seu domínio (verso 29). Jesus entra num terreno invadido pelo inimigo, e por isso Ele veio à esta Terra, para poder resgatar-nos da opressão do inimigo que invadiu o mundo. O cenário é completo ao mostrar que minutos antes deste encontro com os endemoniados, Jesus navegava com seus discípulos que acabara de organizar. Num determinado momento da viagem, enquanto uma tempestade castigava a embarcação, Jesus dormia tranquilamente. Em atitude de pânico e desespero Seus discípulos o despertaram em busca por socorro. Logo que fora acordado prontamente pôs calma a tempestade. Ele conhece as forças da natureza, as leis da física por Ele foram criadas, e de maneira espetacular as ondas atenderam ao Seu mandar. Na sequencia houve o citado encontro com os endemoniados e sua condição destrutiva, esta é exatamente a condição em que o inimigo deseja para os filhos de Deus, degradando a criatura ele objetiva atacar o Criador. Contudo sabemos as falas dos demônios ao reconhecer o poder do Mestre. Autoridade resume os feitos de Jesus nestas cenas, e quando os demônios pedem para possuir aquela vara de porcos, estavam reconhecendo sua derrota diante do Filho do Homem.

Para os judeus da época, governar a natureza e os demônios era prerrogativa de Deus. Jesus sabia exatamente o que estava fazendo, e em cada passo Ele buscava mostrar ao povo o seu caráter divino.

Triste é ver que após o milagre “lhes rogaram que se tirasse da terra deles” (verso 34). Estes homens não estavam preparados para receber a Jesus, e para eles os porcos valiam mais do que os homens. Pois bem, perderam a chance de receber a benção de Cristo em suas vidas. Poderiam ter reconhecido a autoridade de Jesus, mas preferiram se concentrar no prejuízo econômico da perda dos porcos.

O poder outorgado por Deus à pessoa humana de Cristo demonstra que somente a exclusiva e restrita fé cultivada na comunhão diária, trará o contato necessário com o Pai a ponto de sermos um cônscio instrumento que não somente executa sua vontade, mas impressiona o coração do próximo, constrangendo-o visual e intimamente através da multiplicação das atitudes que refletem seu infinito amor e consequências.

Os primeiros evangelistas que Jesus credenciou tiveram suas vidas transformadas em um encontro “”casual”” quando Jesus, em função da tranquilidade local, escolheu ir para os lados de Genesaré. Ali, os dois endemoniados dirigiram-se a ele e a legião que os dominavam, incomodados com Sua presença, invocaram reconhecidamente Cristo como o filho do Deus vivo, (situação ignorada pelos moradores daquela cidade que apesar de pagãos em sua maioria, continham judeus que conheciam as profecias messiânicas), o que segue neste encontro (já mencionado anteriormente), flagra a evidente misericórdia divina para aqueles a quem ninguém mais enxergava fio de esperança – LIBERDADE – definitiva e perene se assim o desejassem.

Devido aos agora espírito de porcos possuírem uma imensa vara após deixarem o corpo daqueles homens e se precipitarem do abismo ao mar, toda cidade se volta contra aqueles que exterminaram pela paz e pela palavra de Deus, o maior incômodo criminoso daquela região, mas ao mesmo passo destruiu a fonte de renda de muitas pessoas. O alívio de alma instantâneo testemunhado naquele momento não sensibilizou a multidão que somente tempos mais tarde, notou a importância do desenrolar deste episódio. Cristo determinou aquela região como o campo ministerial de ambos curados da literal posse dominante do pecado, os frutos ali gerados só foram colhidos, segundo a narrativa bíblica, em Seu feliz reencontro de três dias onde todos agora prontos de espírito estavam preparados para absorver a mensagem de Deus diretamente da Sua boca.

(Cala-te, Aquieta-te – O Desejado de Todas as Nações p. 253)

Perdão

O quarto relato da semana esta em Mateus 9:1-8, o paralítico de Cafarnaum. Este também já havia perdido toda a esperança de restabelecimento, assim como o leproso. Ao se aproximar recebe as palavras de Cristo, que em um primeiro momento soam como se o Mestre não houvesse se compadecido do paralítico: “Filho, tem bom animo, seus pecados estão perdoados” (Mt.9:2). Como se Ele apenas “consolasse” o homem necessitado, sem de fato atuar no seu problema. Este homem não estivera nessas condições a vida toda e tinha consciência de que sua situação atual era resultado de uma vida pecaminosa. Tentou por diversos tratamentos e tinha sido declarado incurável e entregue a morrer sob a ira de Deus. Seu sofrimento era potencializado pela amargura, remorso, depressão e desespero. Seu grande desejo não era só a cura física mas o alivio do grande fardo do pecado (Ciência do Bom Viver p. 73,74).

Se pudesse ver Jesus, e receber a certeza do perdão e a paz com o Céu, estaria contente em viver ou morrer, segundo a vontade de Deus (O Desejado de Todas as Nações, p.267).

Não importa o quão longe estiveram os nossos passos do caminho certo, não importa quão profundo  e grave tenha sido o nosso pecado, Cristo tem o poder certo para restaurar através do perdão que só Ele pode conceder – aquele paralítico sabia e acreditava nisso.

Neste contexto, os escribas acusam Jesus de blasfemo, pois de fato apenas Deus pode perdoar pecados. Aqueles homens, lideres religiosos, não estavam preparados para concluir que Jesus era de fato o Messias. E é razoável pensar assim tendo como pano de fundo falsos profetas que até nos nossos dias realizam curas e prodígios. Podemos concordar que um milagre em si não prova nada a respeito do agente que realiza o milagre. Mas Cristo, primeiro se mostrou Deus, e só depois curou aquele homem. Uma lição que não seria esquecida por aqueles que assistiram tamanha demonstração de poder.

É dificílimo, mesmo para os que afirmam ser seguidores de Jesus, perdoar como Cristo nos perdoa. É tão pouco praticado o espírito do verdadeiro perdão, e são tantas as interpretações acerca do que Cristo requer, que se perdem de vista sua força e beleza. Temos opiniões muito incertas relativas à grande misericórdia e benignidade de Deus. Ele é cheio de compaixão e perdão, e nos perdoa abundantemente quando em verdade nos arrependemos e confessamos nossos pecados (Para Conhecê-Lo [Mm 1965], p.180).

Para Refletir

Com o leproso, Jesus tocou o intocável. Para o Centurião, Ele recebeu o gentio. Com autoridade demonstrou Seu domínio sobre o natural e sobrenatural. Ao paralítico Ele perdoou o imperdoável.

Jesus pode e quer curar você física e espiritualmente. Ele quer que tenhamos vida e vida em abundância. De que cura você precisa? “”Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” 1Jo 1:9

Guilherme, Ricardo e Jeser

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