Comentários da Lição 2 (3º Trim/2016) por Filipe Lima
05/07/2016
Meditação de Pôr do Sol de 08/07/2016 por José Cláudio de Souza
13/07/2016

Comentários da Lição 3 (3º Trim/2016) por Filipe Lima


Introdução – Texto chave: Salmos 146:7-9

Gosto muito dos textos da Bíblia no antigo testamento relacionados a misericórdia. Eles nos dão paz e transmitem a presença de um Deus de amor. Mas o melhor é que eles nos convidam a sair de nossa zona de conforto e levar tudo aquilo de confortável e agradável que aprendemos sobre Ele, aos nossos irmãos mais necessitados. Essa é a grande essência da lição deste trimestre. Ontem escutei um sermão do presidente da Divisão Sul Americana, pastor Erton Kohler, onde mencionou uma frase que me impactou: “a igreja começa quando o culto termina”. É exatamente assim que deve ser, buscarmos Sua presença no interior da igreja, para leva-la aos que estão na área externa sem o conhecimento da fonte de água da vida.

É interessante o fato de Deus não ter Se limitado a ser misericordioso conosco apenas de forma espiritual. Ele foi além e Ele está sempre além. Por isso, mostrou também o Seu interesse em nos abençoar nas questões físicas, materiais, nas questões de sobrevivência. Para tanto, estabeleceu regras sociais, que, se praticadas, melhor nos ajudariam a conviver com as pessoas, a revelar amor para com o nosso próximo, a jogar fora o egoísmo que insiste em morar em nosso coração, a demonstrar que reconhecemos que o Senhor é misericordioso para com todos nós.

 

Misericórdia e justiça: marcas do povo de Deus – Texto chave: Êxodo 23:2-9

 

O foco aqui está na justiça social que nasceu no coração de Deus. A justiça social tem como principal finalidade atender as necessidades básicas das pessoas. De acordo com o capítulo 22 e 23 de Êxodo, nosso dever como cristãos é ajudar os menos favorecidos espiritual e materialmente. Essa é a melhor forma de agradar a Deus. Esses conceitos se obedecidos, se praticados, “amenizariam” os impactos da queda, “combateriam” as consequências do pecado. A natureza pecaminosa gostaria de prevalecer, mas a natureza divina estaria sendo alimentada. E através de regras de justiça e misericórdia entre as pessoas, Deus estaria restaurando o homem à Sua imagem, à Sua semelhança. – “Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu corpo, pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: ‘que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus’” (Miqueias 6:7 e 8).

É bem interessante a abordagem da lição, pois nesse contexto de levarmos conforto e boas novas ao semelhante, está o sábado bíblico (memorial da criação) como item a ser também divulgado. Ele é uma benção tão grande que não pode ficar apenas entre uns poucos filhos de Deus, deve ser amplamente divulgado.

 

Alguns dos variados benefícios e propósitos do sábado e suas variações:

1) O sétimo dia da semana: dia de repouso para todos – ricos e pobres, patrões e empregados, moradores e visitantes, seres humanos e animais.

2) O sétimo ano: ano de repouso da terra. Nada devia ser plantado, nada devia ser colhido. E os frutos que brotassem espontaneamente serviriam de alimento para toda e qualquer pessoa ou animal.

3) O quinquagésimo ano: além de repouso da terra, o ano de número 50 exigia que as dívidas fossem perdoadas, e, se fosse o caso, que o servo fosse libertado, e que os bens deixados em garantia fossem devolvidos.

 

Preocupações universais – Texto chave: Gênesis 2:1-3

 

O sábado foi feito por causa do homem e está vinculado a criação do mesmo. Como comentamos assim, quando analisamos o verdadeiro sentido do sábado, notamos que não podemos nos contentar com a benção exclusivamente para nós, mas também o levaremos a outras pessoas a fim de que elas também desfrutem tal benção.

Existe um invisível poder preservando a semana e o sábado ao longo dos milênios. O sábado poderia ter-se perdido no tempo na antiguidade, por exemplo, durante os dias do dilúvio. Mas isso não aconteceu, pois JESUS, o Autor do sábado, não teria santificado um dia errado. Naqueles quatro mil anos iniciais ele não mudou de lugar na semana, nem ela foi alterada. Aliás, antes do dilúvio essa alteração seria impossível pelo zelo daqueles seres humanos poderosos intelectualmente, ao contrário do que afirmam muitos estudiosos. Há umas perguntas muito intrigantes: Por que se deseja mudar a numeração dos dias da semana? Por que se deseja mudar a quantidade dos dias da semana? Por que se deseja alterar o dia bíblico de santificação na semana? Essas são questões que fazem pensar que existem interesses obscuros, mas bem explicitados na Bíblia, no livro de Daniel, por trás da semana e por trás da santificação do sábado. Se pesquisarmos bem descobriremos que há um conflito que vai se acentuando com o passar dos anos, entre a santificação do domingo e do sábado.

 

Se a lei dada por Deus para o benefício dos pobres houvesse continuado a ser executada, quão diferente seria a condição presente do mundo, moralmente, espiritualmente e materialmente! O egoísmo e a importância atribuída a si próprio não se manifestariam como hoje, antes cada qual alimentaria uma consideração benévola pela felicidade e bem-estar de outros; e não existiria tão extensa falta do necessário como se vê hoje em muitas terras.

 

Os princípios que Deus ordenou impediriam os terríveis males que em todos os séculos têm resultado da opressão do rico ao pobre, e da suspeita e ódio do pobre para com o rico. Ao mesmo tempo em que poderiam impedir a acumulação de grandes riquezas, e a satisfação do luxo ilimitado, impediriam a consequente ignorância e degradação de dezenas de milhares, cuja servidão mal paga é exigida para acumular essas fortunas colossais. Trariam uma solução pacífica àqueles problemas que hoje ameaçam encher o mundo de anarquia e morticínio” (Patriarcas e Profetas, capítulo 51 – “O cuidado de Deus para com os pobres”).

 

A voz profética: parte 1 – Texto chave: Isaías 1:13-17

 

Eu fico bem feliz e ao mesmo tempo admirado em perceber o quanto a Bíblia tem condições de balizar e guiar nossas vidas nos caminhos propostos por Deus. Ali em Provérbios 31:8 e 9 vemos claramente que o verdadeiro caminho para a felicidade do EU, não está em primeira pessoa e sim em terceira, no ELE, ou pluralizando, ELES. Zelando pelo bem do meu semelhante com atos de justiça e honestidade com todos indistintamente. Precisamos ficar atentos a voz daqueles que sofrem, e estes estão muito próximos de nós:

 

“Por toda parte ao nosso redor se ouvem lamentos de um mundo em tristeza. De todos os lados há necessitados e opressos. Pertence-nos ajudar a aliviar e suavizar as durezas e misérias da vida. Unicamente o amor de Cristo pode satisfazer as necessidades da alma. Se Cristo está habitando em nós, o nosso coração estará cheio de divina simpatia. As fontes contidas do amor fervente semelhante ao de Cristo, serão franqueadas” (Profetas e Reis, 718 e 719).

 

Nos tempos de JESUS havia o problema dos pobres, viúvas, leprosos e outros tipos de oprimidos. Hoje há o problema dos desabrigados por catástrofes naturais, dos que fugiram da guerra, de crianças órfãs de famílias pobres, de pessoas sem qualificação profissional, dos desempregados, dos negros, dos idosos desamparados e até das mulheres exploradas e abusadas. Há outras classes mais, que sofrem. Como já informamos, há em torno de um bilhão de pessoas muito pobres nesse planeta, quase uma pessoa em sete.

Nós, adventistas do sétimo dia, devemos conhecer o nosso Manual da Igreja, pois ele contém normas legais de elevadíssimo valor moral, ético, totalmente baseado na Bíblia. Porém, poucos tem conhecimento. Não é um livro que devemos ler por completo, mas a cada questão, ele deve ser consultado. No mínimo isso.

 

 

A voz profética: parte 2 – Texto chave: Isaías 58:2

 

Todo o capítulo 58 de Isaías é muito forte, eis o trecho que mais me impacta:

 

Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho. Eis que jejuais para contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto.

 

Esse trecho deixa bem claro que Deus odeia exibições exteriores e que não são genuínas, de coração. Esse tipo de proceder o desagrada e é rejeitada por Ele. Teorias, formas e aparências – isso de nada vale. É um engano. Principalmente para quem assim age. E com consequências eternas! Essa é uma grande alerta para que não permitamos esse acontecimento em nossas vidas.

 

Uma força para o bem – Texto chave: Sal. 82:3 e Isa 1:17

 

Eu entendo que o povo de Deus antigo fazia bons programas, mas Deus não Se agradava deles, nem dos programas, nem dos adoradores. Eles se descuidavam das ações pelos pobres e desamparados. Não defendiam a justiça nem cuidavam das viúvas e dos endividados. Nada faziam para levar a esperança da salvação a essas pessoas, senão que se afastavam delas e as condenavam como inferiores e desprezíveis.

Hoje também somos assim, ao menos em geral. Somos uma igreja rica, rica em conhecimento (há literatura boa e farta, há mestrados e doutorados, há estudos, etc.) e rica em posses, com dinheiro disponível para muitas ações. Mas falta fé, ou seja, falta poder. Sim, devemos felizmente admitir que a situação está mudando, mas ainda faltam ocorrer muitas mudanças. Devemos recorrer ao poder do Espírito Santo, é com Ele que terminaremos a missão da igreja na Terra.

 

Talvez sejamos tentados a manifestar cobiça, avareza, e a cultivar um insaciável desejo de receber mais. Se cedermos a essa tentação, trará ela sobre nós os mesmos perigos que recaíram sobre a antiga Jerusalém. Fracassaremos em conhecer a Deus e em representá-Lo em Seu verdadeiro caráter. Temos de vigiar atentamente a nós mesmos, não seja o caso de cairmos em virtude da descrença, tal como ocorreu aos judeus. Temos de trabalhar sem qualquer egoísmo” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 8, pág. 134).

 

Comentário de Ellen G. White

 

“Uma religião legalista tem sido considerada uma forma correta de religião para este tempo. Mas é engano. A repreensão de Jesus aos fariseus é aplicável aos que perderam do coração o primeiro amor. Uma religião fria, legalista, jamais pode levar almas a Cristo; pois é destituída de amor, é religião sem Cristo. Quando o jejuar e orar é praticado num espírito de justificação própria, são abomináveis a Deus.

A solene assembleia de culto, a rotina de cerimônias religiosas, a humilhação exterior, o sacrifício imposto – tudo proclama ao mundo o testemunho de que o praticante dessas coisas se considera justo”

(Mensagens Escolhidas, v. 1, 388).

 

Filipe Lima

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