Meditação de Pôr do Sol de 15/04/2016 por Fabiana Pedroza
13/04/2016
Meditação de Pôr do Sol de 22/04/2016 por Fernando Valente
20/04/2016

Comentários da Lição 3 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas

O SERMÃO DO MONTE

 

Pouco depois do seu 1º milagre e da assertiva manifestação que ocasionou a expulsão de mercadores do templo a época da páscoa, Jesus proferiu seu 1º discurso para uma grande multidão. Seu conteúdo impressionou de forma pouco usual a cultura da época e também foi o grande marco do início do Seu ministério.

Para compreendermos a fundo o Sermão do Monte, a pregação mais poderosa de todos os tempos, é preciso conhecermos o contexto em que foi apresentado. Jesus estava apenas começando de Seu ministério, na Galiléia, mas muitas coisas importantes ja tinham acontecido:

– Havia sido batizado por João Batista (Mt 3:13-17)

– Havia passado 40 dias no deserto quando fora tentado e venceu (Mt 4:1-11)

– Estava vivendo em Cafarnaum próximo ao mar da Galiléia quando começou a pregar (Mt 4:12-17)

– Já havia chamado seus 12 discípulos (Mt 4: 18-22)

– Passava a maior parte do tempo ensinando o povo e curando os doentes (Mt 4: 23-25)

 

Sua conduta ética inquestionável, totalmente baseada na enaltecida lei tão “bem” defendida pelos escribas e conhecida por toda comunidade judaica, pôs literalmente em parafuso a mente dos que a tutoriavam e a protegiam como legislação, mas não ousavam experimentar vive-la.

Seus ensinamentos, curas e milagres já haviam chamado a atenção do povo, bem como dos principais Fariseus e Escribas da época. Podemos perguntar: o que se passava na cabeça do povo e dos lideres espirituais de Israel uma vez que “o espírito da verdadeira devoção se havia perdido na tradição e no cerimonialismo, e as profecias eram interpretadas segundo os ditames de corações orgulhosos e amantes do mundo” (O Maior discurso de Cristo cap.1)?

Todos, inclusive os próprios discípulos de Jesus ansiavam por um Libertador, um líder politico e militar que os lideraria em uma guerra contra os Romanos restaurando mais uma vez a grandeza da nação de Israel. Os lideres religiosos também esperavam esse Messias Rei, e mais, esperavam que ele confirmasse seus ensinamentos e tradições além de os manter em posição de poder e destaque.

“Enquanto ali estavam sentados na verde encosta, esperando as palavras do divino Mestre, encheu-se-lhes o coração de pensamentos da glória futura. Havia escribas e fariseus que antecipavam o dia em que eles teriam domínio sobre os odiados romanos, e possuiriam as riquezas e o esplendor do maior império do mundo. Os pobres camponeses e pescadores esperavam ouvir a certeza de que suas arruinadas cabanas, a escassa comida, a vida de labuta e o temor da miséria haviam de ser trocados por mansões de abundância e dias de felicidade. Em lugar da única e ordinária vestimenta que os cobria de dia e lhes servia de cobertor à noite, esperavam que Cristo lhes daria os ricos e custosos trajes de seus conquistadores.

Todos os corações fremiam com a orgulhosa esperança de que Israel seria em breve honrado diante das nações, como o escolhido do Senhor, e Jerusalém exaltada como cabeça de um reino universal” (MDC 5.2).

Que tristeza, agora podemos entender João 1:11 “…Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam…”. O (errôneo) consenso geral do povo sobre o Messias os tornava incapaz de recebe-lo.

 

Mateus 5 começa com a chegada de uma grande multidão, estavam ali Judeus da Galiléia, Judeia, Jerusalém, Peréia além da população meio pagã de Decápolis, Induméia de Tiro e Sidom. Jesus, afim de ocupar um lugar propicio para falar a toda essa multidão, dirigiu-Se da praia da Galiléia a um monte próximo, assentou-se sobre a verde relva, os discípulos mais próximos e uma grande multidão ao seu redor. Pairava no ar um clima de excitação, curiosidade e ansiedade por parte de todos, algo grande estava para acontecer. Estavam todos ansiosos para ouvir as próximas declarações de Jesus sobre o Reino dos Céus que Ele anunciava como chegado, próximo (Mt 4:17) e Jesus então começa: Bem- aventurados os pobres de espirito pois deles é o Reino dos Céus (Mt 5:2-3) e assim por diante vai discorrendo sobre os princípios e normas de Seu Reino. Imaginem a confusão na cabeça de todos, era uma mensagem contraria a tudo que esperavam e tinham sido ensinados pelos sacerdotes e rabinos, mesmo assim “quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da Sua doutrina; porque Ele os ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas”(Mt 7:28,29).

 

Sem dúvidas o Sermão da Monte foi um espetáculo assistido por todo o Universo. De tão grandioso e rico em poder, até hoje percebemos a influência em diversas religiões milenares e/ou modernas. De fato é a pregação mais poderosa de todos os tempos. Tarefa impossível seria aprofundar em todos os aspectos dos capítulos 5, 6 e 7 do livro de Mateus em nosso contexto de estudos, contudo é de grande proveito toda lição aprendida do relato.

O Sermão do Monte é a melhor síntese já feita do evangelho. No contexto em que foi dado, Mateus apresenta a Cristo como “o novo Moisés”, uma vez que após ser batizado (Israel e o Mar Vermelho) e enfrentado um período de 40 dias no deserto (Israel e os 40 anos de peregrinação), Cristo se encontra com Israel no topo de um monte para lhes ampliar a essência da lei (a mesma proferida por Deus através de Moisés no Sinai).

 

A Lógica do Reino

 

Primeiramente, Jesus desconstrói toda e qualquer lógica pré-configurada na mente dos que aguardavam o reino que os libertaria. Como já mencionamos, o povo anunciava por uma liberdade constituída de conforto e estrutura local, talvez quem saiba um poderoso rei que enfrentasse o jugo a que Israel enfrentava. Minimamente uma revolução social era esperada, no entanto Cristo apresenta que a verdadeira liberdade e alegria viriam àqueles que se submetessem a uma revolução de EGO e caráter (Mt.5:1-12).

Em seguida Ele ratifica Seu propósito de confirmar toda a escritura e a expressão do caráter de Deus: os mandamentos (Mt.5:17-19). Lições de humildade (Mt.5:23-26), fidelidade (27-32), retidão (33-37), discrição (Mt.6:1-6 e 16-18), mordomia (19-21), confiança em Deus (25-34), justiça e até um resumo de como devemos falar com Deus em oração (6-13).

Por fim, uma aula sobre justiça, nos direcionando para aceitarmos uns aos outros em amor, deixando à Deus a tarefa de julgar o caráter das pessoas. Contudo Ele destaca que “pelos seus frutos os conhecereis”, o que torna essencial à vida do cristão que de maneira inteligente faça a leitura adequada dos maus frutos (e consequentemente sua fonte/árvore) para evitá-los em sua vida, não agindo enganados “como o homem insensato, que edificou sua casa sobre a areia” (Mt.7). Na estação seca, a diferença na aparência da rocha e da areia nas praias era quase imperceptível naquela região. Um construtor desavisado poderia construir sua casa na areia pensando que fosse rocha. O sermão de Jesus esclarece qual o terreno em que verdadeiramente nos garantirá base sólida, pois a tempestade certamente revelará os terrenos arenosos, aquele porém que estiver construído sobre a rocha permanecerá firme.

 

Uma Lupa

 

A ampla releitura da lei determinada pela propriedade de Suas palavras, evidenciava o resgate que seu discurso trazia a proposta original feita por Deus, quando Ele presenteou os homens com esta esperança. A revelação de que a felicidade (bem-aventurança) como resultado prático do verdadeiro amor e consequente obediência a Deus, nunca seria experimentada se esta fosse mecanicamente seguida. Esta amorosa explanação trouxe perplexidade a anos de raciocínio legalista e completamente destituído do amor à Deus e ao próximo. Em seguida o próprio Jesus resume a lei de Deus em dois grandes mandamentos e por isso temos a tendência de reclassificá-los: Amor à Deus sobre todas as coisas, e amor ao próximo como a si mesmo (Mt.22:37-39). De fato Ele simplifica um pouco as coisas neste resumo, contudo podemos concluir que tal expressão é a “nova lei do amor” substituindo a lei de Deus até então? Como acabamos de ver em Mateus 5:17 a 19, Cristo ratifica seu propósito de confirmar a lei de Deus sem qualquer alteração, por mínima que pudesse ser considerada. Em seguida, como por uma lupa Ele amplia os conceitos da lei, mostrando que cedemos a tentação antes mesmo da prática do pecado, e assim sendo já pecamos. Também assim Ele ratifica que a salvação não pode ser resumida no agir (obras), pois de fato muitas vezes pecamos sem aparente ação negativa, e a recíproca é verdadeira, por quanto muitas vezes agindo positivamente estamos cheios de nós mesmos e nossa obra é vazia. A resultante desta conta é uma só: salvação só existe mediante a fé na graça de Jesus.

 

Tradição

 

Naquele contexto, escribas e fariseus eram tidos como legalistas, o que Jesus nos ensina em Mateus 5:20 é que a salvação é para os que acreditam nos méritos dEle, e não em formalidades ou práticas/rituais. A justiça dos fariseus era falsa e destituída de amor, sendo assim os seus atos não eram aceitáveis aos olhos de Deus. Mesmo que tivessem a graça como único meio salvífico, estes homens haviam se contaminado com a tradição e acreditavam que elevando a rigidez no trato com a lei agradariam ao Senhor. A tradição, por vezes confundida com “conservação”, se mistura na vida prática do cristão. Uma vez que vivemos em um mundo globalizado, expostos a uma velocidade alucinante de informações, e na intensidade constante resultante de uma necessidade cada vez maior de nos ajustarmos ao meio para “sobreviver”, estamos sujeitos a absorver (total ou parcialmente) a tradição do meio na formação do nosso caráter e personalidade. Devemos estar atentos aos rituais e tradições da cultura em que vivemos, e intencionalmente conservarmos os estatutos eternos do Deus que nunca muda. A única diferença é que para aquela época o tradicionalismo os levava ao extremismo da rigidez ortodoxa, e hoje, as “tradições” modernas querem nos forçar a absorver os ritos e a cultura popular, como verdadeiros seguidores de Cristo precisamos resistir apoiados na Rocha.

 

O Reino Lógico

 

De fato vivemos longe da perfeição divina… ser humano algum alcançou (ou alcançará enquanto humano) tal perfeição, pelo simples fato que nossa natureza é corrompida. Mateus 5:48 nos exorta ao amor ao próximo, em específico aos nossos inimigos. Ser perfeito como Deus o é, significar amar incondicionalmente, devemos imitar a Deus neste aspecto. O paradoxo é que para amar incondicionalmente há uma condição primária, que possibilita e nos habilita à este amor: a humildade da lógica do Reino.

Com o objetivo de fazer as pessoas entenderem a importância da aplicação prática das verdades reveladas no Sermão do Monte, Cristo espalhou a mensagem do reino por todo Israel usando-se de parábolas e outros sermões como em Mateus 13:44-52. Os tesouros e preciosidades descritas por Cristo devem ser objeto de nossa constante busca enquanto aqui vivemos e lutamos contra nossa natureza. Vale a pena se desfazer das coisas que “temos” neste mundo, pois nada se compara ao real tesouro preparado por Ele, e acreditem, não estamos a falar sobre ruas de ouro e mansões, estes serão sem valor mediante a grandiosidade do plano de redenção! A promessa é o fator motivador para o abandono do “eu” e das coisas do mundo (materiais ou culturais), só assim o Espírito pode fazer em nos Sua obra.

O caráter formado segundo a semelhança divina é o único tesouro deste mundo que levaremos para o futuro. Já imaginaram poder viver sob a égide divina nesta terra e progredir sob este mesmo comando continuamente no céu? Notem o quão importante é o desenvolvimento dos seus pilares! Cristo em Seu sermão no monte apontou exatamente para esta possibilidade – se vocês quiserem Eu os ajudo a desenvolverem este caráter, sigam-me e vocês serão bem-aventurados.

 

Para Refletir

 

Nada que tenhamos neste reino, neste mundo, vale a perda do reino e do mundo por vir. Há uma escolha a fazer. Leia Romanos 8:5-10.

 

 

Guilherme, Ricardo e Jeser

 

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