Meditação diária de 28/09/2018 por Flávio Reti
28/09/2018
Culto Divino Pr Jeferson Santos 29/09/18
28/09/2018

Comentários da Lição 13 (3o Trim/2018) por Profª Ana Kelly Ribeiro

Viagem a Roma

“Paulo, não tenha medo. É preciso que você compareça perante César.” Atos 27:24

“Enfim, chegamos ao nosso destino”. Que frase, não? Não sei se você já fez uma longa e árdua viagem. Não a passeio, mas por necessidade ou trabalho. Ou uma trilha que começou como uma boa aventura e transformou-se em um desafio de sobrevivência. Como é bom avistar a linha de chegada!

Estamos chegando ao fim da jornada de Paulo. Viajamos com ele. Que luta! Esse apóstolo, tão humano como nós, deu o seu melhor para completar a carreira. Com seus erros e acertos, sua história nos diz: persista!

Mas antes que relaxemos, os capítulos 27 e 28 vão nos conduzir para os agitados mares da rota ao sul da Grécia. E uma menção honrosa: Lucas. Teremos que agradecer os relatos feitos por um médico que enfrentou provações, ameaças e até o naufrágio, dando suporte à pregação do evangelho. Esse notável evangelista mostra que Deus pode usar nossos talentos e habilidades se tivermos uma mente cheia de coragem e amor.

Pois bem, lá estavam eles, indo para Roma por um trajeto que incluía Sidom, Mirra, Cnido, Bons Portos, a ilha de Malta, Siracusa para só então chegarem ao destino final. Estavam acompanhados de mais de 270 passageiros além de Júlio, o centurião. Ao chegarem a Bons Portos, Paulo tentou advertir sobre o perigo da viagem, mas não recebeu crédito. Iludidos por “bons ventos do sul” preferiram seguir viagem. Não demorou muito, surgiram os ventos e tufões.

Na décima quarta noite, ainda estávamos sendo levados de um lado para outro no mar Adriático, quando, por volta da meia-noite, os marinheiros imaginaram que estávamos próximos da terra. Lançando a sonda, verificaram que a profundidade era de trinta e sete metros; pouco tempo depois, lançaram novamente a sonda e encontraram vinte e sete metros. Temendo que fôssemos jogados contra as pedras, lançaram quatro âncoras da popa e faziam preces para que amanhecesse o dia. Tentando escapar do navio, os marinheiros baixaram o barco salva-vidas ao mar, a pretexto de lançar âncoras da proa. Então Paulo disse ao centurião e aos soldados: “Se estes homens não ficarem no navio, vocês não poderão salvar-se”. Atos 27:27-31

A essa altura as palavras de Paulo começam a ser ouvidas. Curioso não? Como “os bons ventos” da juventude nos fazem duvidar das advertências. Muitas vezes ouvimos alguém dizer: – Cuidado com essas amizades! – Você percebeu seus novos hábitos? – Preste atenção nos pensamentos que você tem nutrido. Ou ainda somos questionados: – Você tem certeza que vai embarcar nessa relação? – Como anda sua consagração? Mas nos sentimos tão seguros na nossa própria percepção! Ou tão movidos pelos nossos desejos, que começamos a racionalizar alguns riscos que escolhemos correr. Então você vê o barco balançar.

Mas Paulo e Lucas molhados e agarrados naquelas cordas nos dão uma importante lição: estamos dentro desse conflito e até que ele acabe, estaremos sujeitos a tempestades. Elas são causadas por aqueles que estão próximos, pela própria história da humanidade ou até por nossas decisões equivocadas.

Você pode estar nesse momento com a vida sob risco de naufrágio. Alguém que divide o teto com você pode estar desestruturando seus dias por causa de um vício. Seu filho, que cantarolava na Escola Sabatina, pode ter lhe revelado que não acredita em Deus. O fim da sua resistência diante da sobrecarga de trabalho ou das dívidas podem ter tirado o seu chão. Ou a solidão da aposentadoria pode ter deixado o seu céu cinzento.

Não importa o tipo de tempestade ou a causa. Três perguntas podem ser úteis para enfrentar o tumulto ao seu redor.

  1. Onde posso lançar minhas âncoras? Precisamos estabilizar nossas emoções para aguentar e sair dessa. Se o sistema de navegação falhou precisamos lançar âncoras. E ninguém no mundo tem mais âncoras que o cristão. Enfrentemos os nossos medos trazendo à mente um plano B que ancore nossas emoções. Vá para a pior das hipóteses e escancare diante dela as promessas de Deus! Eis aqui uma das maiores garantias:

“Mas agora assim diz o Senhor, aquele que o criou, ó Jacó, aquele que o formou, ó Israel: “Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu. Quando você atravessar as águas, eu estarei com você; e, quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, você não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas.” Isaías 43:1,2.

Deus nos diz que mesmo estando nesse mundo caótico nós atravessaremos as tormentas com Ele. Se ajoelhe e lance mão disso! Não deixe a falta de esperança atingir sua estabilidade. Cante! Repita as promessas.

  1. Vale a pena pular fora? Quando os marinheiros viram a situação, o instinto de fuga falou mais alto que a unidade. Quem de nós nunca permitiu o cérebro divagar em possibilidades de pular fora do casamento quando o diálogo travou? Será que é muito improvável na igreja o pensamento de dar um tempo quando a crise se instala e as pessoas são cruéis? Veja esse texto:

A nossa tendência nas dificuldades é fugir a toda pressa. É mais fácil livrar-se de um casamento perturbado do que o enfrentar e esforçar-se para a sua reparação. A natureza humana quer se retirar para um lugar onde cada um de nós pode ficar totalmente sozinho, fechar a porta e descer as cortinas. Afastados, nos afundamos ainda mais na depressão. Alguns tragicamente, se voltam para a bebida, as drogas e até um revólver.” Charles Swindoll

Não desista da sua família. Não abandone sua igreja, por pior que as coisas estejam. Arregace as mangas e faça alguma coisa. Isso vai lhe redobrar as forças e renovar o sentido da existência. Permita-se ser abraçado e até diga que está precisando. Juntos somos mais fortes!

  1. Temos diante de nós o senso da realidade? Conhecemos de fato a descrição bíblica do grande conflito em que estamos imersos? Precisamos entender o plano de Redenção que nos foi proposto na Bíblia. Compreender através da Lei do Senhor, da doutrina do Santuário, para que grandeza e beleza fomos criados e o contraste com os estragos feitos pelo pecado. Ao ter bem claro o custo do resgate oferecido por Deus, o desenrolar dos eventos finais, saberemos que não estamos em colônia de férias. Paulo disse aos homens: “- se alimentem e se fortaleçam para o que está por vir. Vocês precisarão de todo o preparo para enfrentar o desfecho dessa história.” Amadureça. Solidifique seus conhecimentos. Cultive saúde. Seja mentalmente lúcido. Você vai precisar.

Quando as águas furiosas racharam aquele navio, os homens se agarram firmemente ao que havia e apesar de encharcados e exaustos, chegaram a praia. Todos. Como havia sido revelado a Paulo.

É como a história da humanidade. Escolhemos destruir esse planeta, a nosso modo. Deus, no entanto, é o Capitão de uma embarcação que chegará a seu destino. Gosto de uma alegoria que diz que nossa história é como um navio programado para cruzar o Atlântico rumo à Europa. Você pode ir à proa, passear pelo convés, ir à sala de máquinas, mas o navio chegará ao seu destino. Pode até pular em alto mar. Mas o navio chegará ao seu destino porque quem o conduz é o Onipotente.

Paulo, Aristarco e Lucas chegaram ao seu destino terrestre. Paulo ficou preso e acorrentado, mas, mesmo assim, Deus lhe deu em uma prisão domiciliar a oportunidade de continuar sua missão, pregando, orando e adorando. Não me surpreenderia saber que alguns companheiros de naufrágio tenham se tornado irmãos na fé. De lá ele também escreveu, inspirado pelo Santo Espírito,  alguns dos textos mais belos e inspiradores da história humana.

Ao encerrar o estudo do livro de Atos, percebo na vida da Igreja Cristã primitiva uma força que os conduziu acima das circunstâncias, de suas falhas de caráter, de seu conhecimento. A força do propósito. Eles entenderam que, movidos pelo Espírito, pregariam o evangelho até os confins da terra e então Cristo voltaria para renovar esse mundo, suas vidas e os laços um dia rompidos entre Deus e seus filhos.

Deus tem esperado por muito tempo que o espírito de serviço se apodere de toda a igreja, de maneira que cada um trabalhe para Ele segundo sua habilidade.” Atos dos Apóstolos. Esse é o propósito que nos manterá estáveis, unidos e fortes. Ficaremos abatidos? É possível. Mas não desistiremos. Ouça o apóstolo mais uma vez:

“Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece.” Filipenses 4:12,13

Espero encontrar Paulo pessoalmente. Quero lhe agradecer pelas lições de resistência. Quero ver a surpresa no olhar de Estevão ao ver o antigo Saulo narrando sua conversão. Quero ver os apóstolos reencontrando o Mestre Jesus em abraços e lágrimas de alegria. Tenho contado os dias para esses momentos. Peço diariamente que Deus fortaleça a minha mente, limpe meu coração e enraíze nele o propósito de encontrá-Lo. Que a querida igreja do IASP esteja lá! Aqueles que já descansaram e os que estão crescendo nas salinhas do departamento infantil, os que passaram uma temporada e aqueles que completarem a carreira nesta colina. E com Ele viveremos eternamente.

Amém.

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