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27/03/2020
Meditação diária de 28/03/2020 por Flávio Reti – Clip para papel
28/03/2020

Comentários da Lição 13 (1o Trim/2020)

DO PÓ ÀS ESTRELAS
“Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas, sempre e eternamente” (Dn 12:3).

Chegamos ao final de mais um trimestre de estudos e gostaria de convidá-los a olhar para trás e relembrar o que aprendemos durante estes meses.
Esta lição em particular, chega em um momento importante, crucial e providencial eu diria, em que somos provocados a olhar para nosso velho mundo, reexaminarmos nossas prioridades, definirmos de maneira mais sólida nossas crenças e valores, mas principalmente, decidirmos onde depositamos de fato nossa esperança.
Se como metáfora da realidade, o profeta Daniel representa a postura desejada para o povo remanescente, a certeza de que seu livro permaneceu guardado – SELADO – para este tempo particular em que vivemos, nos incita a reflexão profunda sobre nossa condição, quer como igreja, quer como indivíduos candidatos à cidadania do Reino.
Como introdução deste fechamento, considerando o contexto social do país e do mundo, não consigo retirar da cabeça um texto que, para mim, resume a essência de tudo que estudamos, e que curiosamente, da mesma forma escolhida pelo Pastor Brasil de construir a lição com Binômios, apresenta duas verdades fundamentais para este tempo:
Eu sei que o meu Redentor vive
Eu sei que por fim Ele se levantará sobre a terra.
Como disse, as lições apresentaram binômios que nos fizeram perceber, por um lado, as demandas resultantes da condição deplorável em que o pecado nos coloca, seja pela atividade direta das forças contrárias à Deus (as potestades do mal), seja por nossa própria condição degenerada e escolhas mal feitas que nos fazem agravar a situação.
Foram 13 lições sobre o pecado, seus métodos, resultados e intenções, mas graciosa e divinamente inspiradas, cada uma delas seguidas de uma demonstração clara de que para cada ação do inimigo existe uma contra ação poderosa de nosso Deus e Redentor.
Do lado do pecado e seus efeitos, vimos
LEITURA – Encaramos de frente o fato de que, separados de Deus, nossa compreensão da realidade se deturpa, e não existe vida fácil, conhecimento por osmose ou aprendizado sem esforço. Se quisermos recuperar a noção clara das coisas, precisamos arregaçar as mangas e estudar. Apenas pela diligente dedicação a leitura da Palavra, devoção constante e a aplicação diária ao conhecimento e instruções de Deus, poderemos alcançar a compreensão de qual seja sua perfeita e agradável vontade para nossa vida. O pecado nos tornou fracos de mente e de memória. A Leitura e dedicação ao estudo fazem parte do resgate de nossa condição à imagem dAquele que nos criou para ser eternos.
JERUSALÉM – A cidade gloriosa, sonhada por Deus para ser o centro de atração do mundo, tornou-se moradia de idólatras, corruptos, falsos mestres e profetas. Atacou, perseguiu e matou os profetas verdadeiros, desistiu do sonho de Deus, perdeu a esperança nas coisas do alto e descansou na capacidade humana e na busca de soluções desalinhadas com as instruções de Deus. A destruição e o cativeiro por 70 anos foi o único resultado possível para resgatar a integridade, senão de todos, pelo menos de alguns como os 4 jovens protagonistas do Livro. Não muito diferente daquele tempo, a humanidade se afunda em suas decisões trôpegas e equivocadas, e se não estivermos atentos e firmados nas advertências de Deus, seus profetas e não aprendermos com as histórias do passado, estaremos fadados a cometer os mesmos erros, porém com uma diferença – Não haverá mais cativeiro, Babilônia e nem volta pra casa – esse tempo já passou.
MISTÉRIO – A humanidade corre de um a outro lado, açodada por suas incertezas e medos, angustiada pela ausência de perspectivas, enganada por suas próprias contradições, buscando desesperadamente em que se apegar para ter alguma esperança, alguma luz ao fim do túnel. Aprendemos ao observar a ansiedade de um Rei e suas incertezas quanto ao futuro, que enquanto insistimos em olhar para nós mesmos, nossos métodos e capacidades, a única certeza é a de que perderemos o sono, a serenidade e a paz. Não à toa o pecado é representado pela escuridão. Esta escuridão nos rouba a vitalidade, nos faz assustados, inseguros, depressivos, e pior, nos afasta da única solução possível – A LUZ. Essa triste condição de ansiedade produzida pelo “mistério” do “incompreensível”, abre espaço para os aventureiros de plantão, os “EXPERTOS” oportunistas que se aproveitam deste desespero para capitalizar para si mesmos os benefícios da desgraça alheia – os MAGOS/ASTROLOGOS/AGOUREIROS do tempo do fim.
FORNALHA – Vimos igualmente que enquanto vivermos neste mundo, não haverá isenção de aflições. Escolher viver com Deus é ao mesmo tempo entrar como soldados em uma guerra. Somos chamados não à igualdade do status quo mas à integridade da diferença. Um mundo em trevas, afundado em seus mistérios, precisa de homens e mulheres, de todas as idades, mas, principalmente jovens com o vigor e tenacidade típicos da idade, que sejam capazes de dizer – BASTA/NÃO – a todos os enganos, propostas, apelos e desvirtuamentos do mal. O mundo precisa mais que nunca de fiéis como Bússolas, de íntegros contra toda sorte de pecados, de exemplos de estabilidade, de pessoas que beberam e se fartaram na fonte da justiça. Porém, não se engane, a vida não será um mar de rosas para os que escolherem este tipo de vida – No mundo tereis aflições… Bem aventurados quando vos injuriarem e perseguirem… quando mentindo disserem toda sorte de mal contra vocês por Minha causa… não são promessas de vida fácil, mas de fornalhas.
ORGULHO – Se é verdadeiro que a soberba precede a ruina, é mais que certo que a história de 6000 anos de pecado provou repetidamente a tese. O problema principal do orgulho é que ele fecha a mente para a compreensão de tudo e de todos. Impede os ouvidos, os olhos e todos os sentidos de perceber a realidade, e conduz a pessoa a um mundo imaginário, irreal e surreal, onde as únicas verdades passam a ser as que ela mesma constrói. Mente por tanto tempo pra si mesma que sua mentira se torna sua verdade. Se há um pecado que ilustra a triste condição de Satanás é este. O pior é que este modelo de existência, se mantido por muito tempo, quebra em definitivo a condição de livre arbítrio pois muda completamente o modelo mental, levando a pessoa ao desligamento definitivo de Deus.
ARROGÂNCIA – Intimamente ligado ao Orgulho, o comportamento resultante desse mundo “ensimesmado” do orgulhoso, o conduz ao desdém, a desconsideração dos outros e ao destrato irracional e insano de toda e qualquer tentativa de clarear as ideias. A arrogância é apenas a exteriorização da triste condição em que se encontra aquele que não é capaz de perceber a ilusão em que estabeleceu suas teses, conclusões e decisões, e que, como ferramenta de autopreservação, reage de forma arrogante contra toda e qualquer tentativa de advertência ao seu erro que lhe interponha de alguma forma suas “certezas”. O impactante fim da arrogância aponta somente para duas direções: 1. O arrependimento e o quebrantamento do orgulho pela descoberta das contradições de suas próprias teses (Nabucodonosor – o vovô), ou 2. O desespero, o medo, o bater de joelhos queixos e dentes, e por fim, a solidão, ruína e destruição (Belsazar – o neto)
COVA DOS LEÕES – Se já havíamos entendido que os que se alinham a Deus não terão vida fácil, pois foram convocados para a guerra, a Cova dos Leões nos ensina que ser luz não uma escolha de “janelas fechadas”, mas de hábitos abertos, visíveis e principalmente “CONSTANTES”. Tão constantes quanto a certeza que sábios Persas tinham de que a integridade de Daniel o levaria a não mudar seus hábitos de relacionamento e devoção a Deus. A cova é um convite a reflexão sobre que desculpas usamos em nossa vida diária para não sermos diferentes do mundo. É uma provocação a percepção sobre o quanto a cultura, a diversidade, a dualidade e pluralidade dos conceitos, hábitos, teses, retóricas e discursos da sociedade pós moderna impactam a volatilidade de cristãos que não tenham raízes profundas na Palavra e na Fé. Mas talvez, a questão mais impactante da Cova, é que essa volatilidade que faz o cristão tentar aproximar-se do comportamento vigente no mundo, é que encontramos as mais perfeitas desculpas pra isso, todas elas politicamente corretas, mas absolutamente incorretas. Deus nos pediu para nos aproximarmos das pessoas, convivermos com elas, descermos até onde estejam, mas não para sermos iguais, parecidos ou moldados à sua condição. Deus nos chamou para salvá-las. Não haverá despertamento para nova condição e novidade de vida a menos que o mundo veja esta vida materializada nos filhos e filhas de Deus. Se próximo não é ser igual. Ser próximo é demonstrar que é possível ser diferente e SER MAIS FELIZ, TRANQUILO, ESPERANÇOSO E ESTÁVEL. Isso pode mover o coração inclusive dos reis.
MAR REVOLTO – Nada poderia descrever a condição atual da humanidade como a cena de um mar agitado por uma tempestade. Por toda sorte de coisas, sistemas de governo, modelos de Estado, tentativas de controle puramente humanos para fenômenos que, mesmo naturais, guardam em sua essência, intenções e maniqueísmos sobrenaturais, não passam de barqueiros fracos insanamente tentando sustentar seus botes em meio à uma tempestade em alto mar. A negação e afastamento da TEOCRACIA, levou a humanidade à um ciclo vicioso de bonança e tragédia, de esperança e esvaziamento, de perspectiva e frustração, dos quais apenas Deus poderia livrar-nos. Conflitos, guerras, sucessão de reis e reinos, são apenas a demonstração de quão efêmera pode ser a esperança, quando depositada em pessoas falhas, finitas e pecadoras. Curiosamente, em meio a mais negra e revoltosa tempestade, Aquele que tem poder de acalmá-la segue tranquilamente dormindo e, ironicamente, dentro de nosso próprio barquinho. Podemos continuar remando sozinhos, mas, acho que seria muito mais sábio acordá-lo, e pedir que Ele assuma o controle e acalme a tempestade, você não acha?
CONTAMINAÇÃO – Uma coisa curiosa sobre o pecado é que ele não suporta a solidão. Desde o início do mundo já observamos isso, afinal, Eva levou do fruto ao seu marido imediatamente após a sensação resultante de provar do proibido. Sim, o mesmo ocorre com Satanás. Ao entender os efeitos da cruz, perceber a intenção e extensão do apelo misericordioso de Deus, tratou de produzir uma contrafação tão atrativa e apelativa que provocasse nos “Adões e Evas” pós cruz um desejo de provar de um modelo abominável, torpe e disforme de sacrifício. A essência da contrafação é que você pode obter perdão dos pecados ou por seus próprios esforços e penitências, ou pela benesse e misericórdia de um humano pecador igual a você. Ao desenhar um sistema análogo ao verdadeiro, conseguiu retirar a atenção dos cristãos de um olhar para o Céu onde Jesus está, e mantê-los fixos à sua condição terrena, focados em suas próprias alternativas e soluções humanas. Deitou a verdade por terra e baixou ao nível do domínio humano Aquele que deveria ter domínio sobre todas as coisas. Por fim, como resultado, iguala o Criador à criatura.
CONFISSÃO – Nada é mais marcante na história do pecado do que a necessidade latente de que se admita – SOU PECADOR. A confissão e arrependimento genuínos, ainda que, como método, ilustrem o caminho para o perdão e salvação, ilustram de forma vívida o rebaixamento imposto pelo pecado sobre a natureza humana. Deus nos criou como filhos eternos, porém o pecado nos coloca na condição de traidores e nos lança com o rosto em terra sem a condição ou coragem de encarar nosso Pai. A confissão, como diz o poeta, nos faz lamber o chão, nos arrastar nus e desprovidos de proteção, nos traz a realidade do medo e da incapacidade. Nenhum destes sentimentos, ainda que nobres pelo assumir da culpa, fora em qualquer momento intenção do Criador. Se é fato que a confissão é o único meio de reconciliarmo-nos com Deus, é igual fato de que Deus não tem prazer nessa condição. Ele responde com misericórdia, mas chora ao ver a condição. É ao entendermos a Confissão como resposta ao sentimento de culpa que somos colocados frente a frente com o sentido e efeitos do pecado
BATALHA – O incrível de toda essa história em que nos metemos desde o primeiro pecado no Eden, é que não somos os únicos envolvidos. Anjos, Deus e o universo estão igualmente afetados. Embora intrinsicamente não sofram na “carne” os efeitos do mal, extrinsecamente sofrem com seus efeitos colaterais. Estão envolvidos no conflito cósmico, alguns torcem, outros correm, outros interferem e, um dEles, teve que se envolver plenamente no conflito, seja para lutar a batalha, seja pra viver na carne os efeitos. Sim, a batalha tem extensão cósmica e não podemos nos esquecer disso. Satanás tenta ao máximo nos prender os olhos a esse mundo, e quando consegue, perdemos a percepção de que seres celestiais estão lutando à nosso favor. Se nos esquecemos disto, ou se distorcemos a compreensão e dimensão do grande conflito, rapidamente a esperança se dilui e ficamos presos a lógica do sofrimento e condição puramente humanas, e os problemas terminam sem solução.
NORTE E SUL – Como forma de sustentar todo o modelo arquitetado para lutar contra Deus, Satanás tratou de construir retóricas, discursos, conhecimentos ou teses enganosas variadas, que permitam que pessoas diferentes, com anseios e lutas diferentes, encontrem em alguma de suas propostas, a paz ou satisfação que desesperadamente buscam. Para alguns o ateísmo ou o deísmo, pra outros o panteísmo e o espiritualismo, e se precisar ainda temos o niilismo, o existencialismo, o hedonismo e o consumismo, ou quantos outros “ismos” que alguém desejar. A junção do Norte e do Sul no capitulo 11 apenas nos faz lembrar que para uma única verdade – a de Deus – há um mundo inteiro de ideias e contrafações. Neste contexto, é imperativo que se conheça profundamente a verdade para que se possa discernir a menor variação proveniente das contrafações e do erro.
PÓ – Por fim, somos conduzidos ao fechamento do livro encarando a mais deplorável condição do pecado – a Morte. Do pó fomos feitos, ao pó tornaremos. Irremediavelmente é esta condição que nos permite entender quem de fato nos tornamos a partir do pecado. Frente a morte somos de fato iguais. Não a reis ou súditos, não a nobres ou plebeus, todos morremos, e isto se dá igualmente a todos.

Misericordiosamente, para cada uma das evidências do pecado, Deus nos proveu SALVAÇÃO:
Para o problema da leitura/estudo e nossas dificuldade, nos prometeu ajuda do Espírito que nos conduz à COMPREENSÃO.
Para o problema a corrupção e destruição em Jerusalém, nos concedeu tempo para reflexão, provação e arrependimento em BABILÔNIA, nos garantindo que não estaríamos sozinhos no exílio.
Para o obscurantismo oriundo da multiplicidade de teses de discursos e tensões impostas pelos Mistérios deste mundo, nos propiciou guia segura na REVELAÇÃO.
Para as vicissitudes da vida que nos queimam como Fornalhas simbólicas ou literais, nos deu a promessa da vitória e um lugar permanente em Seu PALÁCIO – “Tende bom ânimo, Eu venci o Mundo, (João 17) … e ao que vencer… assentar-se comigo no meu trono” (Apoc. 3)
Para o problema do orgulho, nos concede além de exemplos na história, a escola dos problemas e das privações que nos conduzem a HUMILDADE e possibilidade de arrependimento.
Para a arrogância que vez ou outra nos aflige ou nos contamina, nos concedeu o tempo e a vida para assistirmos o fim histórico de todo que envereda por esse caminho – A DESTRUIÇÃO e a efemeridade da vaidade.
Para as covas, buracos e leões do caminho, nos concedeu as mais vívidas promessas: O ANJO do Senhor se acampa ao redor dos que O temem e os livra. Aos seus ANJOS dará ordem ao teu respeito para que te guardem em todos os seus caminhos.
Na tempestade e no revolto mar da vida os sistemas e governos deste mundo, nos garantiu que é Ele quem estabelece os reis e os remove do poder, por isso, levantais as vossas cabeças, olhai para o alto, a vossa redenção se aproxima – Eis que vem o Filho no Homem nas NUVENS DO CÉU.
Para a sujeira do pecado que nos contamina neste mundo, nos prometeu Justificação, perdão e PURIFICAÇÃO, resultantes do sacrifício verdadeiro – Cristo, a razão da nossa fé – e Este, crucificado. E em seu poder, somos mais que vencedores. Nele lavamos nossas vestiduras, sepultamos nossos pecados, e dEle, recebemos poder para vencer o Maligno e suas tentações.
Para as batalhas e a guerra visíveis, Ele nos convida a olhar para história e a perceber que por detrás das cortinas existem miríades de anjos armados e prontos a batalhar conosco, liderados por Miguel, nas mãos de quem a VITÓRIA é certa.
Para as intrincadas e atraentes teses, doutrinas e explicações humanas que parecem ganhar cada vez mais espaço e apagar o brilho das coisas que vem do alto, Ele nos abre a visão com a simplicidade da Palavra e nos mostra a GLÓRIA dos Céus.
E para quem se sente um nada, como o pó do qual fomos feitos, em meio a todos os dramas impostos pela morte (física, emocional, mental ou espiritual), ele nos manda fazer como Abraão – venha aqui para fora e conta as ESTRELAS. Ao fazê-lo, nominamos as infinitas bençãos com as quais nos tem brindado, e as grandiosas promessas com que nos renova a Esperança – Ainda que esteja morto – viverá.

Finalmente, o capítulo 12, concluindo o trio de textos do livro (caps. 10-12), nos traz um olhar distinto sobre o tempo em que estamos. Soa como um grito final como: Hei, acordem, olhem para cima!!!
O capítulo inicia com uma advertência aos fiéis de que Deus continua no controle.
NESSE TEMPO, sim, é agora, é em nosso tempo, o tempo do fim, que Miguel, nosso príncipe, se levanta. E pra que se levanta? Em primeiro lugar, gosto da ideia visual desta palavra – Levantar. Deus se faz visível, todos percebem, e principalmente, os que são sábios, entendem. Deus se levantou para defender seu povo.
Exatamente, em meio à toda a confusão de teses, fornalhas, covas, batalhas e mares revoltos, arrogância e perseguições, ELE se levanta para defender seu povo. Temos que olhar para o alto para ver isso. Se estamos diante do leão que ruge ferozmente buscando a quem tragar, acusando-nos de dia e de noite, temos Miguel que se levanta para defender-nos.
A ligação precisa entre os capítulos proféticos nos faz perceber que no tempo crucial da história (1798) – imediatamente após o início do tempo do fim (1844) – o tribunal se assenta e os livros são abertos(c. 7:9-10).
Para que não paire dúvida sobre quando isto aconteceria e do que se trata este tribunal, Deus nos revela que se trata do Santuário reproduzindo a cena da Expiação como vista em Israel. A visão do cordeiro e do bode nos asseguram que Deus está disposto a vindicar seus filhos, nos dando a certeza da plenitude do sacrifício de Cristo, e que, no tempo certo esse processo começaria, passadas 2300 tardes e manhãs (c. 8:14), e ainda reafirma – a visão da tarde e da manhã é verdadeira, vai acontecer… ou melhor… pra nós, já é uma realidade desde 1844.
Porém a contrafação nos distanciou desta promessa, e o mundo inteiro se esqueceu. Quando somos tentados a pensar que Deus também se esqueceu somos alertados – olhem pra cima, Miguel se levantou).
Igualmente o capitulo 12 nos adverte que se ao olharmos pra trás percebemos batalhas, elas não chegam nem perto da batalha que ainda está por vir.
Neste contexto, somos igualmente instados a continuar a olhar par Miguel pois ele também se levantou para nos defender neste tempo em que as perseguições somadas aos flagelos divinos assolarão a terra e farão pressão sobre Seus filhos. Isso nos enche de alegria e paz pois, por maiores que sejam as aflições que se avizinham, temos um Defensor que já venceu a Batalha.
Porém, resta uma questão importante, há uma batalha que não se dará fora, mas dentro do coração dos fiéis. Esta batalha resultará em uma angústia indescritível e que nunca houve igual na terra. Para esta angústia só existe uma alternativa de escape que é o desenvolvimento de uma comunhão profunda hoje, não amanhã, não depois. Somente pela entrega plena do coração a Deus, rendição ao senhorio e condução do Espírito, arrependimento e confissão genuínos de nossos pecados, é que estaremos em condição de suportar esta angústia.
Estarão de pé com Miguel(Comandante) para passar por esse período de provação aqueles que hoje, no tempo da purificação do santuário, se ajoelham aos pés deste mesmo Miguel (Intercessor) suplicando perdão e aceitando viver pela fé em Cristo Jesus a vida que Ele nos convida a viver, renovando-nos e reformando-nos diariamente por sua graça a cada dia.
Como soldados de uma guerra, sabemos que teremos baixas. Para estes, segue a promessa, ainda que estejam mortos, ressuscitarão para a vida eterna.
Assustado e surpreso com tudo isso, Daniel faz a pergunta crucial – Quando serão estas coisas?
A resposta vem dividida em 2 partes:
A primeira, nos conecta a todas as mensagens anteriores, nos fazendo perceber a integridade do modelo profético – será daqui um tempo, tempos e metade de um tempo. (c. 7:25)
Somos conduzidos por essa resposta ao período de hegemonia do engano medieval (iniciada em 538dc) e a quebra deste poder (1798dc).
Por 1260 anos o livro de Daniel permaneceu na obscuridade, porém, ao final deste tempo pessoas sábias o buscariam e compreenderiam. Começando por Isaac Newton (início do séc. 18) como precursor dos estudos deste tempo profético, passando pelos demais de Lacunza a Müller (já no séc. 19), o diálogo de Daniel com o anjo e com Miguel nos leva à segunda parte do texto que nos diz respeito de maneira bastante particular.
Os dois tempos proféticos que aparecem ao final do texto, surgem no contexto de uma ordem, seguida de uma advertência.
A ordem é pra Daniel – Segue o teu caminho pois estas palavras permanecerão fechadas até o tempo do fim.
A advertência é pra quem vive o tempo do fim. Esta advertência tem 3 porções:
Muitos serão purificados e provados, mas os ímpios perecerão. Os ímpios não entenderão mas os sábios entenderão.
Esta porção nos adverte de que o tempo do fim exigirá decisões, posicionamentos, dedicação, estudo e comunhão semelhantes aos comportamentos de Daniel quando no cativeiro. Reavivamento, reformas, estudo diligente e comunhão semelhantes aos dos capítulos 1, 2, 4, 6, 9:1-2, 10:1-3 são vitais para esse tempo importante da história do Grande Conflito.
Tal posicionamento e comportamento atrairá pessoas para o lado de Cristo, porém, provocará um contraste com os ímpios em seu recrudescimento no mal.
Desde o tempo em que o sacrifício contínuo for tirado e posta a abominação desoladora haverá 1290 dias
Esta segunda porção surge como um fator intermediário de marcação de tempo e de transição. A advertência anterior deixa no ar uma pergunta: Quando será o tempo em que os sábios entenderão e consequentemente serão purificados?
É interessante como se conectam os termos às profecias anteriores: Purificação (c. 8:14) e sacrifício contínuo(c.8:11,12 e 13) abominação desoladora (c. 8:13).
Igualmente é importante perceber que o fluxo temporal da profecia segue a mesma dinâmica dos demais textos do livro, apresentando em dias as referencias temporais (1260 dias, 2300 dias, 490 dias, 1290 dias e 1335 dias). Considerando a integridade temática e textual, tais referências mantém metodologicamente, por princípio básico de hermenêutica, a mesma aplicação Dia-Ano (Lv.25:8; Num. 14:34; Ez. 4:6 e 7), o que nos conduz ao fato de que 1290 e 1335 sejam também interpretados sob a mesma regra.
Neste contexto, cumpre-nos localizar a abominação desoladora e a decorada religiosa que deita a verdade por terra e se posiciona arrogantemente contra Deus (c. 7:23 e 25) e que assola os santos ou fiéis de Deus, imprimindo-lhes tremenda provação. A conversão de Clóvis em 508, levando a derrota do último reduto Ariano de resistência à hegemonia religiosa medieval, não somente abre espaço para a unicidade doutrinal, mas prepara o caminho para a hegemonia Estatal da Igreja que se daria 30 anos mais tarde. Neste contexto se conectam dois elementos importantes na profecia: 1. Os 1260 anos de opressão; e 2. Os 1290 anos em que o engano doutrinal prevaleceu com a hegemonia da abominação no lugar santo. Tal tem sido a visão da igreja adventista sobre essa profecia.
Como dissemos, os 1290 fazem uma ponte que liga duas realidades: a primeira, que é a origem do engano e a soberania absolutista religiosa medieval (508dc) passando pela hegemonia Estatal (538dc); a segunda, a abertura do livro de Daniel (1798dc) marcada pela quebra desta hegemonia e que aponta para o início do tempo do fim onde os sábios compreendendo o livro, se preparam para enfrentar os eventos finais do conflito, produzindo o reavivamento e reforma esperados do povo de Deus.
Finalmente, a terceira parte é uma promessa, uma bem-aventurança ou uma bem aventurada esperança que recai sobre aqueles que estiverem vivos ao final de 1335 dias.
Seguindo a mesma metodologia de interpretação historicista adotada pela IASD, a forma textual “aquele que espera e chega a 1335 dias” deixa claro que o início deste tempo é o mesmo do anterior (1290 dias), ou seja, o primeiro evento leva às duas condições.
Isso significa dizer que a instalação da abominação em 508dc, produziria efeitos de longa duração, porém os que chegassem aos 1335 dias teriam a alegria de alcançar o tempo de sua Vindicação, a saber, o tempo em que Miguel se levanta e sai em defesa de seu povo.
Tal evento conecta-se claramente à Purificação (c. 8:14), à vindicação(c. 12:1) e ao juízo (c. 7:9-10), bem como ao momento em que Miguel se levanta em defesa de seu povo (c. 12:1).
Os que chegaram a esse tempo (1843/44) passaram pelo desapontamento e vivenciaram a formação do período de Laodicéia (Apoc. 3), e passam a viver a iminência da vinda de Jesus.
Cabe aqui um destaque, ou ressalva de que alguns tem surgido com uma proposta de interpretação futura para estes dois tempo proféticos. Por mais tentadora que seja esta tese, e principalmente por que ela se ancora no fato de que a expressão “neste tempo” de Daniel 12, também se estende para o final do juízo quando Cristo sai do Santuário e vai executar o resgate de seu povo após o período da Vindicação, essa abordagem futurista da profecia quebra pelo menos 3 paradigmas:
O princípio dia/ano presente em todas as profecias temporais apocalípticas;
A integridade temática e textual do livro, bem como seu modelo espiral de apresentação literária;
E principalmente, representa um rompimento com afirmações de EGW quanto a inexistência de quaisquer profecias determinadas por tempo após 1844, uma vez que “o tempo não tem sido um teste desde 1844, e nunca mais o será”(Primeiros Escritos, p. 75), e que “nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 188).

Seja qual for o final de nossa história, o último verso do livro é grandioso:
Vai, segue tua vida até o fim. Mesmo que você venha a repousar o sono dos justos, no fim dos dias você vai levantar novamente para receber sua herança. (adaptado)
Mas viva como quem não deixa de olhar para o alto, na certeza de que:
Você sabe que o seu Redentor vive e que por fim Ele se levantará sobre a terra, dizendo Vinde benditos de Meu Pai…
Que Deus te abençoe e te guarde, e te dê a Paz.

Por
Moisés Lopes Sanches Jr.

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