Meditação diária de 20/09/2019 por Flávio Reti – Juscelino Kubitschek de Oliveira
20/09/2019
Meditação de Pôr do Sol 20/09/2019 por Leonardo Kaufmann
20/09/2019

Comentários da Lição 12 (3o Trim/2019) por Pastoral UNASP-HT

Lição 12: Amar a misericórdia

“Ao justo “nasce luz nas trevas; ele é piedoso, misericordioso e justo. O homem bom se compadece, e empresta; disporá as suas coisas com juízo” (Sl 112: 4, 5)

Miquéias 6:8 que diz: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?” Segundo o rabino Abraham Joshua Heschel a exigência não é apenas respeitar a justiça no sentido de abster-se de fazer injustiça, mas também lutar por ela, persegui-la.

O termo “praticar” a justiça carrega fortes conotações de esforço, ânsia, persistência, inflexibilidade de propósito. Isso implica mais do que apenas respeitar ou seguir a justiça, mas também andar no caminho da retidão. A justiça pode ser difícil de se obter; pode nos escapar se não a perseguirmos. É preciso se esforçar (The Prophets, Heschel, p.207).

Já o profeta Isaias declara: “Ouvi-me vós, os que procurais a justiça, os que buscais o SENHOR (Isa. 51:1)”. Buscar o Senhor e buscar a justiça estão em paralelo no texto. O imperativo inclui mais do que fazer; pede amor; além da justiça, refere-se ao bem e ao mal. “Busque o bem e não o mal. … Odeie o mal e ame o bem e estabeleça a justiça na porta” (Amós 5:14, 15).

Os profetas tentaram clamar fervorosamente ao povo, convidando-os para uma vida de amor. O que o Senhor exige do homem é mais do que simplesmente cumprir o dever em favor de alguém. Amar implica uma sede insaciável, um desejo apaixonado. Amar significa transferir o centro da vida interior do ego para o objeto do amor, o outro.

Outro texto apresentado na lição é o de Isaias 58. Nesse texto encontramos a consideração do jejum sincero versus hipócrita. Jejuns comunitários foram instituídos em tempos de crise, por exemplo, durante uma fome ou uma praga, como se pode ver no Salmo 90. Os membros da comunidade não apenas se abstiveram de comer, mas também adotaram práticas de luto, como o uso de pano de saco e a aspersão de cinzas na cabeça. A ideia era que tais práticas de mortificação envolveriam a compaixão da divindade e o desastre terminaria. Mas as coisas com Deus não são um troca ou barganha, Deus observa a moral e as intenções.

Segundo Robert Alter a palavra para “oprimido” requer um equivalente em português mais físico, porque o sentido literal do hebraico é “esmagado”, “despedaçado”. O fardo do despedaçado deveria ser completamente quebrado. Isaias lembra que o verdadeiro jejum não é sobre si, mas sobre o outro ou o da sua “própria carne”. O sentido é “seu próximo ser humano”, que compartilha sua condição de criatura de carne e osso. Ao concertar o quebrado Deus concerta a comunicação com Israel. No verso a promessa de prosperidade pode ser traduzida, em um sentido literal do verbo hebraico, por “alimentar você”. Deus alimenta aqueles que alimentam, restauram, reconstroem os quebrados.

Uma das palavras para misericórdia (hamal) na bíblia hebraica ocorre quarenta e cinco vezes. Essa palavra, segundo Theological dictionary of the Old Testament traz o conceito de evitar com que uma pessoa sofra. Na maioria das vezes essa pessoa não consegue se livrar sozinha da situação. A ideia de “poupar” é claramente vista em Jer 50: 14, quando Deus instrui os exércitos de Ciro para “não poupar flechas”. Obviamente, não há elemento emocional interior de compaixão pelas flechas envolvidas nessa economia. Jó confessa que sua dor não poupa (Jó 6: 10). Por outro lado, o ciumento ao se vingar não poupa (Pv 6:34), isto é, não retém nada, é impiedoso.

Essa mesma palavra é usado duas vezes para descrever a misericórdia de Deus em poupar e/ou proteger do perigo. É possível encontrar essa primeira misericórdia de Deus na história da família de Ló quando Deus os guia pela mão em Sodoma (Gn 19:16). Nessa ocasião misericórdia é quando Deus evita o juízo, os tomando pela mão, mesmo contra a vontade de alguns da família. Deus poupa, mas também toma a iniciativa, e os arrasta pela mão quando preciso. Em Isa 63: 9, a misericórdia está em paralelo com o amor. Deus conduziu Israel pela mão “todos os dias desde antiguidade” (Isa. 63:9). Deus se comove por Israel e emite seu amor.

Essa raiz também pode se aplicar à emoção que leva (ou tende a levar) à ação de poupar. Em Êx 2:6, a filha de Faraó vê Moisés, e ela tem compaixão dele, isto é, seu coração se move com amor. Israel rejeitou as advertências persistentes de Deus, trazendo sua ira sobre si. Deus tinha sido paciente porque tinha compaixão (preocupação amorosa) com eles (II Cr. 36: 15). Ezequiel (16: 5) lembra Jerusalém que somente Deus teve compaixão deles como a um bebê, salvando-os da destruição.

 

HESCHEL, Abraham Joshua. The prophets. New York: Harper & Row, 1962.

ALTER, Robert. Ancient Israel: The Former Prophets: Joshua, Judges, Samuel, and Kings: A Translation with Commentary. WW Norton & Company, 2013.

BOTTERWECK, G. Johannes; RINGGREN, Helmer; FABRY, Heinz-Josef (Ed.). Theological dictionary of the Old Testament. Wm. B. Eerdmans Publishing, 1974.

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