Meditação diária de 21/09/2018 por Flávio Reti
21/09/2018
Meditação diária de 22/09/2018 por Flávio Reti
22/09/2018

Comentários da Lição 12 (3o Trim/2018) por Profª Ana Kelly Ribeiro

Detenção em Cesareia.

Paulo respondeu: “Em pouco ou em muito, peço a Deus que não apenas tu, mas todos os que hoje me ouvem se tornem como eu, menos estas algemas”. Atos 26:29

Segue veloz e furioso o mês de setembro. Estamos na penúltima lição do livro de Atos. Dez dias nos separam do próximo trimestre e menos de vinte, das eleições brasileiras. Estamos assistindo a uma acirrada competição, que deixou a esfera dos partidos políticos e tomou conta da população. É bem verdade que alguns amigos e conhecidos geram em nós a chamada “vergonha alheia” pelos excessos e descontrole nas redes sociais. Mas não podemos negar: independente do lado assumido, muitos agiram com uma ousadia inédita na defesa de suas ideias. É uma pena que quando tudo isso passar, nos lembraremos que por melhores que sejam as intenções, nada disso trará soluções reais para esse velho mundo.

No entanto, esse quadro nos leva a pensar em como reagiremos quando a briga for outra. Quando estivermos sendo confrontados a respeito da nossa fé. Com que paixão e ousadia responderemos? Ficaremos de pé? Nos sentiremos convictos, confiantes e seguros quando formos encurralados por causa de  “nossas ideologias”? Resistiremos mesmo em face das perdas? Teremos a cabeça erguida e o discurso firme mesmos que nos abandonem os companheiros de jornada?

Os capítulos 24 a 26 de Atos dos Apóstolos historiam a postura, o preparo e a solidez da personalidade de Paulo diante das acusações. Trata-se de um espaço estreito entre o silêncio passivo e o argumento agressivo.  Nas palavras de C. Swindoll, havia na mente de Paulo uma fórmula poderosa: um coração terno e uma pele grossa. Nada disso se obtém na superfície. Mas as boas coisas da vida não são fáceis, não são instantâneas, não são banais.

Para toda realização há um preço.

Para todo alvo há um oponente.

Para toda vitória há um problema.

Para todo triunfo há um sacrifício. William Henry Ward

Diante de Félix. No julgamento em Cesareia, comparecem Ananias, o sumo sacerdote, e sua turma. Para não deixar dúvida sobre seu propósito de destruir Paulo, não poupou, trazendo um advogado versado em bajulação e falsas acusações. Um fanfarrão habilidoso. As acusações: 1) Paulo seria um agitador e perturbador da ordem social. 2) Seria um líder da “seita dos nazarenos”. 3) Teria profanado o templo em Jerusalém.

As acusações, ou eram infundadas ou falsas. O reclamo era incompatível com a jurisdição romana. Mas os interesses em jogo eram maiores que esses fatores. Neste mundo é ingênuo esperar tratamento justo e coerente. Precisamos ter um coração puro como de uma criança, mas temos de ser realistas ou não aguentaremos a perplexidade que nos acometerá. É irracional atravessarmos uma faixa de pedestres sem olhar o trânsito confiando no CNT. Assim como é ilógico não nos precavermos só porque estamos certos.

Na defesa da Paulo (At. 24:10-23) temos pelo menos duas lições. Primeiro: em tempos favoráveis, ele se preparou intelectualmente, fisicamente, espiritualmente e psicologicamente. Se não desenvolvemos as nossas competências, da melhor maneira, quando temos oportunidade, somos presas fáceis da frustração e da crueldade desse mundo. Força física, letramento, habilidades, conhecimento, lucidez, são elementos usados pelo céu para produzir homens e mulheres seguros e moralmente vigorosos. Se Deus nos dá chances de nos desenvolvermos e somos indolentes, sentiremos na pele os resultados da escassez. Segunda lição: ser pacífico é diferente de ser passivo. Deixando as emoções de lado, ele não se rebaixou. Isso requer intencionalidade. Há de se ter muito treino para manter a região límbica do cérebro (das emoções) sob o domínio do gerente da razão, o córtex pré-frontal.

Nos dois julgamentos, com Félix e Festo, Paulo se ateve aos fatos e à verdade. Analisou com inteligência e não se rendeu, se esquivando da amargura e da impaciência. Rejeitou o julgamento em Jerusalém devido ao histórico de emboscadas. Apelou para César, lembrando-se da promessa do Senhor de que ele iria para Roma. É o agir de Deus em um homem preparado, fervoroso e intrépido. Quando eu crescer, quero ser desse jeito!

“Ao lidar com homens desarrazoados e ímpios, os que creem na verdade devem ter o cuidado de não se rebaixarem ao mesmo nível, onde usarão as mesmas armas satânicas usadas por seus inimigos, dando alas a fortes sentimentos pessoais e suscitando rancor e amarga hostilidade contra si mesmos e contra a obra que o Senhor lhes deu a fazer. Exaltemos Jesus. Somos cooperadores de Deus. Somos providos de armas espirituais, poderosas para demolir as fortalezas do inimigo. Em caso algum devemos representar mal a nossa fé entretecendo na obra atributos que não se assemelham aos de Cristo.” Este Dia com Deus MM 1980, p. 98.

Diante de Agripa. Durante dois anos, intangível aos esquemas de suborno, Paulo esteve preso apresentando sempre que convidado sua pregação a Félix e, posteriormente a Festo. Até que o caso chegou ao conhecimento do Rei Agripa, que se tornou curioso com o assunto. Festo aproveitou para fazer das circunstâncias um evento de promoção.

Visualize a cena: de um lado o casal real. Bajulados, bem vestidos, seguros, bem servidos, provavelmente com o peito estufado e aparentemente com tudo a seu favor. Do outro lado, descreve Ellen White: “… aquele idoso prisioneiro, em pé, acorrentado a um soldado, não apresentava nada de imponente ou de atrativo em seu vestuário ou aparência que levasse o mundo a presta-lhe homenagem. Entretanto, esse homem, aparentemente sem amigos, riquezas ou posição, tinha uma escolta que os mundanos não podiam ver. … Todo o Céu estava interessado nesse homem então retido como prisioneiro por sua fé no Filho de Deus.” Paulo o apóstolo da Fé e da Coragem, p. 256.

Ele mais uma vez conta, respeitosamente, sua história. Tinha muito mais interesse nas pessoas que o ouviam que na sua liberdade. Expõe a inevitabilidade de sua conversão e demonstra através das Escrituras a veracidade do Evangelho de Jesus Cristo, aberto a judeus, aos gentios, aos soldados daquele recinto e ao próprio monarca.

O Pr. Paroschi traz um detalhe relevante a esse estudo. A resposta de Agripa, quando estudada no original grego, traz uma interpretação diferente do que costumamos ouvir. Fugindo da inevitabilidade do evangelho, já citada, o rei questionou: “Você acha que em tão pouco tempo pode me convencer a me tornar cristão?” Atos 26:28 NVI

Volte para a cena. Imagine agora todos aqueles soldados, os sábios, os membros do governo e todos os demais presentes, esperando para ver a reação de Paulo diante da pretensa superioridade e pompa de Agripa. Note a diferença. Mas perceba o verdadeiro Reino. Paulo respondeu: “Em pouco ou em muito, peço a Deus que não apenas tu, mas todos os que hoje me ouvem se tornem como eu, menos estas algemas”. Atos 26:29

“Esses são filhos de Deus, Filhos da família real; contudo suas reivindicações principescas não são percebidas pelo mundo. Podem exercitar sua curiosidade, mas não são apreciados nem compreendidos. São para o mundo desinteressantes e em nada invejáveis.” Paulo o apóstolo da Fé e da Coragem, p. 256.

Que exemplo de Fé e de Coragem esse apóstolo nos deixou!

Não tarda o dia em que os fiéis serão confrontados. Não será um combate político ou meramente ideológico. Trata-se de uma batalha cósmica entre o bem o mal onde não existirão posicionamentos neutros. Pode acontecer coletivamente. Pode acontecer dentro da sua casa ou na empresa em que trabalha. Corre-se até o risco de ser alvo de uma “flecha gospel”. “Somente os que têm levado a vida em conformidade com a norma divina, permanecerão firmes naquele tempo de prova.” Vidas que Falam. P. 358.

Quando chegar nossa vez, como estarão as raízes de nossos princípios?

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