Meditação de Pôr do Sol de 10/06/2016 por Giovanna Menegoro Pelosi
08/06/2016
Meditação de Pôr do Sol de 17/06/2016 por Gislaine Rocha
17/06/2016

Comentários da Lição 12 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas

OS ÚLTIMOS DIAS DE JESUS

Dois traidores e uma mulher totalmente devotada a Jesus. O que significou, realmente, trair Jesus? O que significou ser totalmente devotada a Ele? Por que os resultados foram tão diferentes para ambos os traidores? Como deve ser a disposição de Jesus para fazer o que Ele fez por nós impactar cada aspecto de nossas vidas, especialmente quando se trata de ajudar os outros? Como podemos aprender a modelar melhor o caráter de Jesus em nossas vidas?

 

Uma boa ação

 

Em verdade vos digo: onde for pregado em todo mundo este evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua (Mt 26:13). Mais que uma boa ação, um exemplo a ser contado para todo mundo. O que torna tão especial a atitude dessa mulher?

Faltava seis dias para a páscoa e Jesus estava em Betânia (Mt 25:6) na casa de Simão, ex-leproso que fora curado, e que provavelmente era o pai de Lázaro que fora ressuscitado, irmão de Marta e Maria (Jo. 12:9; 11:1,2). Além da presença de Seus discípulos, estava entre amigos que o amavam muito e que tinham recebido Seus milagres, mas foi de Maria que partiu esse memorável ato. Mateus 26:7 diz: “aproximou-se dele uma mulher, trazendo um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça estando ele a mesa”.

Jesus explicou que é preciso discernimento espiritual para não desperdiçar uma oportunidade irrecuperável. Atos de benevolência sempre são oportunos (Mc.14:7). Mas não haveria nunca mais outra oportunidade de fazer o que Maria fez. Ela o fez para meu sepultamento. Não temos autorização para sugerir que Jesus estivesse inventando desculpas para Maria. Ele já tinha anunciado sua morte iminente (Jo. 10:11, 17, 18; Mt. 16:21; 17:22; 20:18). Em vez de fechar a mente à predição, como os discípulos pareciam fazer (conf. Mt. 16:22), Maria creu nela. Parece que ela compreendeu que, por ocasião da tragédia, não haveria tempo para as cortesias costumeiras. Se encararmos o ato de Maria como nascido de sua compreensão espiritual, só então poderemos entender devidamente o tremendo elogio que partiu de Jesus. Quando isso aconteceu, foi a única unção que o Seu corpo recebera, pois as mulheres que vieram mais tarde para realizar essa tarefa, encontraram a sepultura vazia (Mateus Comentário Bíblico Moody p. 131). A explicação mais simples para tal discernimento espiritual pode ser encontrada em Lucas 10:38-42, embora ela não entendesse tudo que estava para acontecer, Maria, mais do que todos, valorizava estar aos pés de Jesus ouvindo Suas palavras e por isso entendia que a morte de seu Mestre era iminente.

Quando os discípulos viram o generoso derramamento desse unguento sobre o corpo (v. 12) de Jesus (cabeça, v. 7, e pés, Jo. 12: 3), indignaram-se, achando que era um desperdício. Mateus não aponta ninguém particularmente nessa murmuração (talvez envergonhado de sua participação). Mas João menciona Judas como o instigador, e mostra a hipocrisia dele em demonstrar preocupação pelos pobres. (Mateus Comentário Bíblico Moody p. 131).

É impossível não fazer uma comparação de valores. Mateus 26:16 termina o relato dizendo que Judas saiu e negociou a traição de Jesus por 30 moedas de prata, segundo estudiosos era um valor baixo suficiente para comprar um escravo na época. Se calculamos em valores atuais teríamos em torno de R$ 50 mil. Ja o vaso de alabastro contendo valioso unguento tinha na época o valor de 300 denários, equivalente a um ano de trabalho de um trabalhador, aproximadamente R$ 15 mil. Maria, derramou unguento muito valioso sobre o corpo do mestre, Judas o traiu pelo preço de um escravo, e Jesus deu Sua própria vida por estes dois pecadores. É possível compararmos os valores da participação de cada um destes na história?

Enquanto alguns de Seu próprio povo planejavam matar-Lhe, Maria derramou sobre Ele irrestrito amor e devoção. O bálsamo simbolizava toda a gratidão ao Mestre. Já os discípulos, que certamente haviam presenciado e participado muito mais das maravilhas de Jesus, não entenderam a questão. Todos desfrutavam do livre-arbítrio para suas escolhas, assim como nós. Maria escolheu adorá-Lo em resposta ao que dEle recebeu. Qual é sua resposta hoje?

 

A Nova Aliança

 

Logo após o relato de Jesus em Betânia e do plano de Judas para entregá-Lo, Mateus mantém a sequência dos fatos fora da cronologia mas dentro do mesmo tema. Era início da festa da páscoa. Jesus e Seus discípulos faziam preparativos para passar a páscoa (Mt 26:17-19). Em êxodo 12:1-7 Deus orienta seu povo no Egito sobre como deveria ser comemorada a páscoa. Consistia em imolar um cordeiro novo de um ano de vida ao crepúsculo do 14o dia. A sua carne deveria ser comida com ervas amargas e seu sangue deveria ser passado nos umbrais da porta da casa. Foi neste dia no Egito que caiu a última praga – decisiva para a libertação do povo de Israel – e na manhã seguinte o povo saia livre em direção a Canaã. Para o judeu atento não era difícil decifrar o significado desta festa pois Deus já utilizava esta linguagem desde a queda no Éden. O cordeiro sem mácula representava a morte de um substituto inocente que ocorreria no futuro para salvar toda a humanidade. Por 4 mil anos o povo de Deus entendeu e praticou os sacrifícios, no Egito não foi diferente. Deus não introduziu algo novo ou diferente, a mesma simbologia foi usada mas em uma nova roupagem, com o sangue sendo colocado no umbral das portas. No deserto, Deus instituiu o ritual do santuário, mais uma vez não havia nada de novo ou diferente, Deus não muda. Todos esses símbolos apontavam para o futuro. Com isto em mente (4 mil anos da mesma simbologia) questionamos: Estaria Jesus alterando algum de Seus estatutos ao estabelecer a cerimônia da santa ceia? Na páscoa de Jesus e dos discípulos não haveria o sacrifício de um cordeiro imaculado? Claro que sim, o cordeiro sempre representou o Messias e Jesus foi crucificado no crepúsculo do 14o dia do primeiro mês. Deste momento em diante não era mais necessário o sacrifico de cordeiros, mas ainda era necessário que o povo de Deus mantivesse vivo na memória o acontecimento mais importante da história. A santa ceia, ao contrário da páscoa que apontava apenas para o futuro, aponta para o passado e para o futuro. No passado está o sacrifico de Jesus na cruz cumprindo a promessa feita a Adão e Eva, e no futuro está a promessa de Jesus da sua segunda vinda. “E digo-vos que, desde agora, não beberei deste fruto da vide até àquele Dia em que o beba de novo convosco no Reino de meu Pai.” Mateus 26:29 ARC.

Jesus estava expandindo aos discípulos (e ao mundo) o significado da páscoa. Assim como Ele não veio ao mundo para revogar a lei, mas sim cumpri-la, Cristo em nenhum momento alterou um só til da Palavra e dos estatutos divinos. O sermão da montanha, o qual estudamos nos capítulos 5-7 de Mateus (ver comentário Lição 3), nos completa a ideia convergente e coerente de como Jesus o tempo todo neste mundo ensinou, expandindo nossa compreensão sobre a vontade de Deus.

 

Getsêmani

 

Getsêmani, o nome significa “prensa de azeite”, nome sugestivo para um jardim particular frequentado por Jesus e seus discípulos (Mt 26:36). Jesus retirou-se para orar levando consigo a Pedro, Tiago e João (Mt 26:37). Nesse momento a Bíblia relata que Jesus começou a entristecer-se a angustiar-se tão profundamente até a morte (Mt 26:38) a ponto de orar a Deus com as seguinte palavras: Meu Pai, se possível, passa de mim esse cálice (Mt 26:39). A chave para se compreender a agonia de Cristo está em decifrar o cálice. Embora qualquer ser humano normal trema diante dos horrores da crucificação, os mártires muitas vezes têm enfrentado a morte cruel sem tal desespero extremo (conf. Lc. 22:44). Não podemos também aceitar a opinião de que Cristo temesse a morte prematura nas mãos de Satanás, pois o cálice vinha do Pai, não de Satanás (Jo. 18:11). Além disso, a vida de Cristo só podia ser entregue voluntariamente (Jo. 10:17,18). Cálice foi usado figuradamente nas Escrituras referindo-se à bênção de Deus (conf. Sl. 23:5), ou à sua ira (conf. Sl. 75:8). Portanto, a explicação mais satisfatória do cálice é que se relaciona com a ira divina em que Cristo incorreria na cruz ao tomar sobre si o pecado do homem. (Mateus Comentário Bíblico Moody p. 136).

Satanás Lhe dizia que caso Jesus se tornasse o penhor de um mundo pecaminoso, seria eterna a separação, Ele se identificaria com o reino de Satanás, e nunca mais seria um com Deus […](EGW, O desejado de todas as Nações p. 687, 690).

No Getsêmani o processo de perdão dos pecados de toda a humanidade teve início. Cristo recebeu o enorme e incalculável “peso” de todos os pecados já praticados na história! A sombra do pecado O “separou” do Pai, não por que Deus o deixara, mas sim porque Ele não podia mais ouvir o Pai.

Todavia, disse Jesus três vezes em oração, não seja como Eu quero, e sim como Tu queres (MT 26:39-44), do início ao fim, a oração de Cristo foi perfeitamente submissa ao Pai. E a oração foi atendida, não removendo o cálice, mas concedendo forças para bebê-lo (Lc. 22:43), e finalmente a ressurreição “da morte” (Hb. 5:7). (Mateus Comentário Bíblico Moody p. 136).

Será que hoje em nossas vidas, quando envolvidos no pecado, temos os sentidos afinados para sentir a vontade de Deus? Estamos dispostos à seguir o exemplo de Cristo e submetermos nossa vida à inteira vontade do Pai?

 

Judas Vende a Alma X A negação de Pedro

 

Judas e Pedro apresentam muitas coisas em comum mas desfechos completamente diferentes. Ambos eram discípulos, andavam com Jesus, receberam instrução semelhante do Mestre, presenciaram milagres os mais variados e reconheciam que Jesus era o Messias – ao menos foi o que Pedro afirmou cheio de certeza, e os outros discípulos concordaram com ele (Mt16:16). Ambos foram tentados por Satanás, mas Judas se deixou possuir (Jo 6:70 e Lc 22:3) e Pedro não (Mt16:23 e Lc 22:31.). A diferença, contudo, está no fato de que Judas recusou entregar-se totalmente ao Senhor. Provavelmente acalentava algum pecado ou algum defeito caráter que permitiu que Satanás entrasse e o levasse a trair Jesus por 30 moedas de prata. Ao concluirmos sua história (Mt. 26:47-50) percebemos que qualquer coisa que pode nos desviar de Jesus (ou até traí-Lo) é tão inútil quanto foram aquelas 30 moedas.

Já Pedro fugira do Getsêmani com os outros discípulos após bravamente iniciar uma reação aos soldados que prendiam Jesus. Então não foi apenas o medo que o levou à fuga e a negar o Mestre exatamente como Ele havia predito (verso 34). Pedro pode ter imaginado que em algum momento Cristo revelaria sua glória e poder para Se livrar das acusações, e então ele O seguiu para presenciar este momento. Contudo Cristo não reagiu. Daí Pedro percebeu que não O conhecia, não sabia para que Ele havia vindo, e tampouco o que Sua missão significava. Sim, Pedro nega conhecer aquele Homem, pois de fato não O conhecia.

A sequencia da história nós sabemos, Pedro foi perdoado e deu a própria vida por amor ao evangelho. Ao lidar com pessoas que cometem erros semelhantes, é importante que aprendamos a lhes estender a graça, assim como desejaríamos que fizessem conosco.

 

Para Refletir

 

Durante Sua vida na terra, Jesus sempre soube dos acontecimentos que resultariam em Sua morte na cruz. Mesmo assim, Ele estava inteiramente decido em seguir até o fim. Tinha total livre-arbítrio para resignar em qualquer momento, mas foi intrépido ao negar Sua própria vontade e submeter-se à vontade do Pai. Naquele momento Ele poderia deixar a humanidade seguir o curso normal apontado pela escolha dos nossos pais. A morte como consequência de nossa natureza de pecados é um resultado justo. Contudo, Ele escolheu nos presentear com Sua justiça divina que vai além do que podemos entender, mas ao considerá-la, percebemos nossa condição falível e entendemos que algo em nossas vidas precisa ser mudado, precisa ser diferente. Ao conhecer Jesus, não dá para seguir a vida da mesma forma.

Os discípulos tiveram contato ainda mais próximo deste Amor. Mesmo assim alguns acontecimentos nos mostra que faltou entendimento daqueles que estavam ao lado da “fonte” de toda a sabedoria, quanto mais nós que vivemos hoje, dois mil anos depois. Claro que hoje é mais fácil olhar para as histórias de Judas e Pedro, e dizer com precisão quais foram os motivos que os levaram a falhar. É como arbitrar um jogo de futebol pelo “VT”, com inúmeras câmeras e um controle remoto para parar, voltar, desacelerar. O objetivo deste estudo não é este! Mas sim, aprendermos lições importantes que tornem o foco das lentes para a nossa vida particular, e assim atentos, reconheceremos nossas falhas à Ele, que por meio de Sua graça nos oferece força necessária para vencer o mal. A negação de Pedro nos faz concluir que nem todos os milagres e sinais do mundo nos manterão fiéis a Deus, enquanto nosso coração não for plenamente entregue a Ele.

 

Guilherme, Ricardo e Jeser

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