Comentários da Lição 10 (3º Trim/2016) por Filipe Lima
02/09/2016
Comentários da Lição 12 (3º Trim/2016) por Filipe Lima
20/09/2016

Comentários da Lição 11 (3º Trim/2016) por Filipe Lima

Jesus ordenava: “Segue-me”

 

Introdução – Texto chave: João 10:5

 

Nós somos seres racionais, pensamos e decidimos com liberdade. Como os animais, também temos amor a dar e necessitamos receber amor. O nosso problema é que erramos demais porque somos pecadores. Talvez até erremos mais que os animais. Necessitamos de orientação de quem sabe orientar: Jesus.

Um breve comentário sobre o caso relatado pela lição, sobre os pagãos que perceberam que ao menos parte do sucesso dos cristãos, que aumentavam em número, era o cuidado que tinham com os necessitados. Isso chamou a atenção até do imperador romano Flávio Cláudio Juliano, que reinou apenas por 20 meses. Ele foi o último imperador pagão. Ficou conhecido como ‘o Apóstata’, por não se tornar cristão e por combater o cristianismo nesse pouco tempo de poder. O cristianismo já era aceito politicamente desde Constantino I, a partir do ano 313 dC. Nascido em Constantinopla, de notável formação intelectual, tentou, mas não foi muito bem sucedido em harmonizar a cultura e a justiça com os valores da antiga religião pagã de Roma. Ele percebeu que os pagãos falhavam em cuidar dos pobres e que os cristãos preenchiam essa lacuna. Hoje os cristãos podem preencher lacunas onde o Estado falha em suas responsabilidades legais, especialmente na educação, orientação em geral e saúde.

Na realidade, não era só esse o motivo do sucesso do cristianismo, mas fazia parte e era um fator importante. O sucesso do cristianismo está em duas bases fundamentais, além de outras, é claro: obediência a Deus e poder do Espírito Santo. É dentro do quesito ‘obediência’ que servimos aos outros, não como os políticos atuais, que só querem ser servidos. É nesse servir que ganhamos a simpatia do povo, e é pela obediência que ganhamos o poder do alto, do Espírito Santo.

Elas conhecem a Sua voz – Texto chave: João 10:1-5

 

Estamos diante de um dos capítulos mais amados da Bíblia. É muito agradável o contexto de João 10, que fala da relação do bom Pastor com Suas ovelhas. “As ovelhas ouvem a Sua voz, Ele chama pelo nome as Suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que Lhe pertencem, vai adiante delas, e elas O seguem, porque Lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos. ‘Eu sou o bom Pastor. O bom Pastor dá a vida pelas ovelhas’. ‘Eu sou o bom Pastor; conheço as Minhas ovelhas, e elas Me conhecem a Mim’. ‘As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz; Eu as conheço, e elas Me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da Minha mão’”.

O grande conflito nos coloca diante de diversas vozes. São muitas as conversas. Em Apocalipse 18, o mercador de Babilônia vende tudo quanto é tipo de mercadoria. Negocia qualquer tipo de coisa. E as pessoas são assediadas por este enganador a todo momento.

Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus. Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade” (2Timóteo 2:1 e 15).

Devemos buscar – Texto chave: Marcos 1:17

Nós, que recebemos a incumbência de levar o evangelho ao mundo todo, devemos ir onde estão as pessoas. Fizemos tudo errado até aqui, ou quase tudo errado. A lição fala do caso da igreja que orava para que as pessoas viessem até essa igreja. Mas assim se faz em quase todos os lugares. Quantos convites já foram distribuídos para a Semana Santa? Quantos carros de som circularam pelo bairro tentando atrair as pessoas para uma série de conferências? Em quantas casas se bateu à porta para convidar para que viessem a alguma programação? Claro, fazer isso é bem menos cômodo do que apenas orar para que as pessoas venham. Mas qual tem sido o resultado desses convites e apelos? Praticamente nenhum. As pessoas simplesmente não vêm. E lembram, depois, o que é dito, quando poucos ou ninguém vem? “É, as pessoas não querem a salvação, querem o mundo.” Coisas assim é que são ditas, ou seja, essas pessoas são as culpadas porque não vieram.

Temos que deixar de culpar quem não tem a culpa.

Mais ainda, quantas séries de conferência são feitas? Os pastores e anciãos fazem apelos aos membros para que se envolvam, trabalhem, etc. No primeiro dia de trabalho, lá vem uma bela quantidade de membros para ajudar. No segundo, vem menos, e depois, vai minguando, até que bem poucos continuam vindo ajudar no trabalho. E quem sempre está sendo culpado pela não participação dos membros no trabalho missionário? Os membros, evidentemente. É fácil culpar os membros. Quantas vezes já assisti o pastor quase gritando do púlpito dizendo que os membros são apáticos, indiferentes, que não se importam quanto à perda da vida eterna das pessoas.

Temos que deixar de culpar quem não tem culpa, ou ao menos, que não tem tanta culpa.

“Os servos do Senhor devem não apenas pregar a Palavra do púlpito, mas precisam também entrar em contato pessoal com as pessoas. Quando se faz um discurso, semeia-se preciosa semente. Se, porém, não for feito um esforço pessoal para cultivar o solo, a semente não cria raiz. A menos que o coração seja abrandado e subjugado pelo Espírito de Deus, perde-se muito do que foi falado. Observe, na congregação, as pessoas que parecem interessadas, e fale com elas, depois do culto. Algumas palavras ditas em particular farão muitas vezes mais benefício do que toda a pregação ouvida. Indague a impressão causada pelos assuntos apresentados, se o ponto ficou claro na mente dos ouvintes. Por meio de bondade e cortesia, demonstre que tem real interesse neles, e também cuidado por sua salvação. Muitos têm sido levados a crer que, como povo, não acreditamos em conversão. Quando apelarmos a eles para que venham a Cristo, corações serão enternecidos e o preconceito afastado” (Testemunhos Para a Igreja, vol. 6, pág. 68).

A ponte – Texto chave: Lucas 19:1-10

 

Zaqueu era um judeu que trabalhava para o governo romano. Sua tarefa era a mesma de Mateus. Ele até foi promovido: era o chefe dos publicanos! Por sinal, bem por isso, sabia e muito bem o que Mateus sentia. Sabia por experiência própria. Sofria do mesmo desprezo.

Bem, como Jesus havia aceitado Mateus, entendia que podia ser aceito também. Como Jesus havia dito “segue-Me” para Mateus, raciocinava que isso poderia ser dito para ele também. Se Jesus converteu Mateus, queria porque queria conhecer esse Jesus. O problema, porém, estava na “ponte”. O problema estava nos judeus. Eles não queriam ser pontes, mas muros, barreiras. E tudo fizeram para impedir que houvesse um encontro entre Zaqueu e Jesus.

Irmãos, por nossa influência, as pessoas estão conseguindo encontrar Jesus?

Nós temos que dar bom testemunho e ter a credibilidade da diferença para melhor. Devemos ser diferentes, superiores em tudo. Isso é possível se tivermos DEUS em nosso íntimo. Se formos assim, então, depois de servir as pessoas, podemos dizer a elas: “venham assistir um culto em minha igreja”. Ou: “venham participar de um almoço conosco”.

A ordem para seguir Jesus – Texto chave: Atos 26:11-27

Vamos imaginar que você seja uma pessoa que não tem o dom de dar estudos bíblicos. Mas tem capacidade de chegar às pessoas e conversar com elas, não importa o assunto. Se for assim (poderia ser diferente, já seria outra situação, também útil a Deus) você é uma dessas pessoas que Deus deseja utilizar.

O que você pode fazer? Imaginemos algo bem simples. Pode estar em algum lugar onde se esteja fazendo alguma coisa de iniciativa da igreja, um projeto qualquer. Lá você simplesmente conversa com as pessoas, da igreja ou de fora. Sim, só conversa. Vai percebendo o interesse dos assuntos das pessoas e vai interagindo. E conversando, vão rindo, e as pessoas vão conhecendo você, formando amizade. A intimidade vai se desenvolvendo e a afinidade também. Digamos que nesse primeiro encontro, fique por isso mesmo, fez amigos, só isso.

Num segundo momento, noutro dia, reúnem-se outra vez. Você encontra essas pessoas, e, como já são amigos ou amigas, reiniciam outra conversa. Na intimidade que já se formou, você puxa o assunto para o campo religioso (se for o caso). Por exemplo, pode dizer algo do tipo: “A violência está se acentuando em nosso país. As pessoas precisam de mais Deus na vida”. A outra pessoa responde, provavelmente de modo afirmativo. Daí você já memorizou alguns casos de pessoas que foram transformadas, ou pode ser seu próprio testemunho, ou de alguém muito conhecido. A outra pessoa, ou pessoas, relatarão outras situações, ou simplesmente comentarão positivamente. E a conversa vai indo, bem ao natural, sem forçar nada. A certa altura pode mencionar que existe como estudar a Bíblia. Pode não ser você a dar esse estudo, mas já sabe quem faz isso (lembre, é bom estar tudo organizado, e você saber de tudo o que se faz na igreja). Aí a pessoa pode concordar ou não. Se concordar, e se você estiver sabendo quem faz o que na igreja, pode providenciar esse estudo.

Buscai e achareis – Texto chave: Apocalipse 3:20

Somo seres livres. Deus nos criou assim. Temos o livre arbítrio, podemos fazer escolhas racionais. Mas também, ao mesmo tempo, somos seres pecadores, isso quer dizer, com grande propensão a enganos. Por isso, precisamos de aconselhamento superior, divino. Esse aconselhamento nos vem por diversas vias, por meio de pessoas que Deus utiliza, principalmente por meio dos escritos e por meio da influência do Espírito Santo. Hoje estudamos como Jesus busca nos influenciar. Ele o faz por meio do Espírito Santo. Por essa via Jesus bate à porta de nosso coração. Ele não entra sem nossa licença, se bem que poderia fazer isso, pois é nosso dono, mas respeita nossa liberdade, que Ele mesmo nos concedeu.

Então, por um lado, somos livres para aceitar o Seu convite e abrir nosso coração (a mente) a Ele, para que nos guie na vida; somos livres para buscá-Lo, porque buscando-O, O acharemos; Ele Se colocará em nosso caminho.

O que Ele quer fazer conosco? Ou melhor, o que Ele não fará conosco? Ele não vai impor o bem em nossa vida. Ele não é o ditador do bem (muito menos do mal). De fato, somos livres, e a liberdade que Ele nos deu, também respeita. Ele não vai procurar modificar nossa vontade sem que nós mesmos o façamos.

Pois bem, é também assim que devemos agir em relação aos que desejamos trazer para a igreja. Nada de apelos apressados, insistentes e forçados. Nesses casos muitos vão decidir pelo batismo, mas só para contentar o que está apelando. Jesus mesmo nunca insistiu com as pessoas para que O seguissem. Chamava as pessoas quando estavam prontas a anteder, e elas atendiam e O seguiam. Precisamos de ‘discernimento espiritual’, ou seja, é o Espírito Santo que nos deve orientar quando apelar para essa ou aquela pessoa, para que se decida pelo batismo. Para convidar a vir assistir um culto em nossa igreja, já é outra coisa diferente. Não requer tanto cuidado. Basta que tenhamos algo interessante a oferecer às pessoas. Se aceitam, tudo bem, se rejeitam, deixa para outra ocasião.

Por fim, que seja ensinado a ser luz para o mundo. Que não deve esconder a luz que recebeu. Que deve compartilhar com outros os ensinamentos que recebeu a respeito do caminho da salvação.

De graça recebestes, de graça dai” (Mateus 10:8).

Dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão” (Lucas 6:38).

Comentário de Ellen G. White

“A aquisição de membros que não foram renovados no coração e reformados na vida é uma fonte de fraqueza para a igreja. Este fato é muitas vezes passado por alto. Alguns pastores e igrejas acham-se tão desejosos de assegurar um aumento de membros, que não dão testemunho fiel contra hábitos e costumes não cristãos. Aos que aceitam a verdade não é ensinado que eles não podem, sem perigo, ser mundanos em sua conduta, ao passo que de nome são cristãos. Até então, eram súditos de Satanás; daí em diante, devem ser súditos de Cristo. A vida deve testificar da mudança de dirigente” (Evangelismo, 319).

Filipe Lima
Diretor de Publicações
Igreja do IASP

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