Programa Especial – 144 A Série
14/06/2019
Meditação de Pôr do Sol 14/06/2019 por Edilei Rodrigues de Lames
14/06/2019

Comentários da Lição 11 (2o Trim/2019) por Classe ECC

Comentário da Lição da Escola Sabatina – 2º Trimestre de 2019

Lição nº 11 – Famílias de Fé

“Portanto, … corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da nossa fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.” Hb 12:1 e 2

Não poucas vezes me peguei pensando comigo mesma se meu filho estivesse naquela primeira leva dos cativos de Judá, e fosse colega de faculdade de Daniel; ou ainda, se minha filha, como amiga pessoal de Ester, também estivesse no grupo daquelas moças que, sem poder reagir, seriam levadas de casa pra viver como a esposa do Imperador … o que eu teria a temer?

Muitas vezes nos pegamos aterrorizados sob a perspectiva de que nossos filhos abandonem a Deus e Sua Palavra, somente por conviverem com “pessoas de fora”…

Como vão viver quando “baterem as asas”?

Como vão reagir frente ao assédio de todo tipo? Estarão preparados?

No entanto, quando penso que foi exatamente ao sair de casa pra fazer a faculdade, aos dezoito anos de idade, e ter que viver por mim mesma, sem a redoma de proteção da minha casa, dos meus pais e da minha Igreja, vejo claramente que esse foi o ponto da virada em minha vida. Foi quando deixei de ser simplesmente uma filha de adventistas (5ª geração…blá, blá, blá) pra ser, por escolha pessoal e reafirmação diária, uma cristã (diga-se, em primeiro lugar), adventista do sétimo dia. Foi quando me deparei com pessoas (muitas vezes meus colegas da faculdade), sem estrutura moral e emocional nenhuma que fui começar a perceber o que os primeiros anos da vida fizeram por mim. O papel dos meus pais (em primeiríssimo lugar, mas nem sempre valorizados como deveriam ter sido), da minha escola e igreja (IACS), e dos meus amigos e colegas que escolhi ter nesses ambientes me mostraram seu verdadeiro valor. Só a partir de então posso me considerar convertida, de fato. Por outro lado, a tentação recorrente que alguns jovens cristãos têm ao ir para faculdades “do mundo”, de achar que todos precisam de Jesus, menos você (que tem a “certeza” de já O ter…), foi firmemente corrigida pelo Pai do Céu que conhece o coração e as motivações. Conheci, então, muitos filhos e filhas de Deus sinceros e puros em meio a uma geração perversa e corrupta. Fiéis a Deus e à Sua Palavra, vivendo nas mesmas condições que eu, embora não professando a mesma fé que a minha, muitos foram meus exemplos de conduta, alguns dos quais não me esqueço jamais. Vencer as pequenas batalhas do dia a dia, exercitando a fé entre os que a desprezam, foi, sem dúvida, um grande treinamento das disciplinas espirituais.

O problema não é que nossos filhos e filhas convivam com o “mundo”. A grande questão paira sobre dois pontos, que explicam muitas coisas (veja, muitas, mas não todas as coisas): um deles é o fato de estarmos – ou não – certos de ter feito tudo que estava ao nosso alcance pra dar o devido preparo a fim de enfrentarem tamanha carga de influência; o outro, o fato de ter que admitir que filhos crescidos tem arbítrio, e nada poderá mudar isso.

Uma vez entendida a questão e, acima de tudo, entendido que existe um delicado equilíbrio de peso de responsabilidade dos dois lados, podemos conversar sobre a exposição de nossa família – família cristã – às influências da cultura reinante.

É inquestionável que, em fase de formação e solidificação do caráter, a direção firme e amorosa dos pais (mais do que a terceirização da educação familiar), a exposição constante às realidades espirituais (mais do que a massificação do ter sobre o ser) e o exercício frequente de hábitos morais e de saúde (mais do que a cultura do levar vantagem em tudo), são um fundamento bastante forte pra se iniciar a jornada de uma vida de sucesso espiritual. Esse é somente o início da estrada. Pra alguns foram 7 anos, 10 anos, 14 anos, 18 anos…

Mas, em algum momento dessa trajetória, deveremos cruzar os muros da nossa zona de conforto e conhecer como é “o mundo lá fora”. E não digo conhecer fazendo o que o mundo faz – essa seria a maneira mais perigosa e inconsequente de se aprender alguma coisa a respeito do mundo – mas, transitar por ele, conviver com indivíduos que estão aclimatados nele e ainda assim perceber que é possível ser a influência e não o influenciado, quando o objetivo claro é viver para expandir o Reino de Deus. Viver em comunidades onde apenas vivem cristãos pode ter lá suas vantagens, mas, seguramente, não exercitará as capacidades para enfrentar oposição e ainda assim permanecer fiel. Como diz o ditado: “Um mar calmo, nunca fez bom marinheiro”.

Cruzar os muros nunca é seguro. No entanto, é um exercício que pode ser necessário à afirmação da fé. Ser Sal e se Luz demanda uma bela combinação de sólida fundamentação moral e espiritual nos primeiros anos com escolhas corretas frequentes nos anos a seguir. Em qualquer fase, serão ações humanas guiadas pelo Espírito Santo, primeiro dos pais, depois, dos filhos. Geração após geração.

E ao estarmos na convivência diária com pessoas de toda origem e pensamento, que não compartilham da mesma fé, nossa preocupação como famílias cristãs deve ser sempre apresentar Jesus e os princípios do Seu Reino, através de atitudes de amor, compaixão (tão rara em nossos dias), simpatia (sim, cristãos podem ser alegres e divertidos) e respeito às diferenças, sem no entanto comprometer nem um só ponto da fé. Viver em paz e harmonia com todas as pessoas que nos rodeiam, a começar pelos vizinhos ao lado,  inclusive (e, talvez, principalmente) com os que creem diferentemente de nós, mas permanecer fiéis ao princípio, quando formos chamados a isso – esse é o desafio. E até mesmo aí, quando as diferenças forem claras e gritantes, agir com gentileza, espírito respeitoso, mas com fidelidade total.

Não há argumentos contra uma vida de amor, respeito e serviço.

Levar nossas famílias a manter a pureza da fé (doutrina pura), a força da esperança (a certeza da volta de Jesus) e o poder do amor (cristianismo prático), são os maiores desafios da família cristã do pós-modernismo ao procurar ser uma fonte de testemunho. Acompanhar nossos filhos em seu contato progressivo com o “mundo lá fora”, orientando de perto nos primeiros anos e mantendo um diálogo aberto sobre como ser um cidadão do mundo sem deixar de ser um cidadão do Céu, é uma fórmula a ser estudada e exercitada continuamente. Ensiná-los a ter uma experiência pessoal com Deus desde seus primeiros anos, mas sobretudo levá-los a ter um encontro adulto com Deus, vai incutir neles sua responsabilidade individual como testemunhas de Cristo.

Uma casa onde a atmosfera do Céu é sentida no linguajar, nos entretenimentos, no respeito mútuo e na presença frequente de oportunidades com a Palavra e a Oração; onde o secularismo é combatido com argumentos inquestionáveis de uma vida simples, altruísta e  íntegra (não com críticas vazias ao mundão lá fora); onde a simpatia e o interesse pelo próximo é incentivado e vivenciado (por engajamento em ações do bem e não em viver para o seu próprio umbigo), o resultado será a capacidade de viver e conviver com o mundo sem jamais se tornar parte dele, na dimensão espiritual da expressão.

Que Deus nos abençoe!

 

Josele Mara Paula Vizotto, médica cardiologista, é casada com Elias Vizotto há 30 anos e mãe de Giordanno e Rafaella, gêmeos de 23 anos. Juntamente com seu esposo, se dedica ao ministério do ECC (Encontro de Casais com Cristo) em todo o Brasil, há 16 anos.

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