Meditação de Pôr do Sol de 25/03/2016 por Elma Camila Silva Farias
21/03/2016
Meditação de Pôr do Sol de 01/04/2016 por Enos de Oliveira
31/03/2016

Comentários da Lição 1 (2º Trim/2016) por Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas

O Evangelho de Mateus

 

Lição 1 (2º Trimestre): FILHO DE DAVI

 

Pela primeira vez em nossa sequencia de comentários, três amigos estarão reunidos semanalmente para discutir e comentar os estudos do nosso guia. Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas, amigos e líderes na comunidade IASP Jovem.

Após uma fantástica lição que cobriu a rebelião e o plano de redenção na óptica de diversos protagonistas da história, temos o enorme prazer de compartilhar como por uma lupa o relato de um destes protagonistas: Mateus.

Ainda que alguns especulem o nome do livro não estar relacionado ao autor, é nítido perceber o autor primário, o Espírito Santo, trabalhando através do autor humano. Começando pela vida do autor. Mateus foi cobrador de impostos para os romanos antes de seu chamado para ser discípulo. Tal profissão era desprezada pelos judeus, e possivelmente ele era visto como um traidor. Sua mudança de atitude é um verdadeiro milagre.

Escrevendo em um período relativamente próximo à passagem de Cristo na Terra (~60 d.C.), Mateus com propriedade transmite os ensinos de Jesus, sem fazer divisão entre história e teologia. Sua história é a base de sua teologia, que por sua vez dá significado à história. Para isto o livro é organizado em 5 grandes temas:

  1. A preparação do Rei (1:1-4:16)
  2. A apresentação do Reino (4:17-16:12)
  3. Sermões (16:13-25:46)
  4. O Sacrifício (26:1-27:66)
  5. A Ressurreição (28:1-20)

Mateus evendencia que Jesus é o Messias. Seu público era primariamente judeu, e para evidenciar o caráter messiânico de Cristo, ele demonstrou Sua genealogia em detalhes, pois os Judeus tinham grande afinidade na preservação de sua linhagem. Um sacerdote devia produzir uma linhagem pura que retrocedesse até Arão. Neste aspecto ele mostra improváveis personagens que foram usadas por Deus na linhagem de Cristo. Destacamos algumas:

Tamar – Disfarçada de prostituta e se relacionou com Judá, seu sogro (Gn.38:6-19)

Raabe – Prostituta que após ajudar a proteger os espias israelitas, se uniu ao povo de Deus (Js.2)

Rute – Mulher virtuosa, não tinha culpa pelo fato de proceder dos odiados moabitas (produto de uma relação incestuosa de Ló – Gn.19:37)

Bate-Seba – Mulher de Urias, que Davi egoisticamente mandou buscar enquanto o marido estava em batalha (2 Sm.11)

Além de uma genealogia detalhada, Mateus mostra como as profecias do Velho Testamento são cumpridas em Cristo, conferindo outras provas de que Jesus é o Cristo.

2 Sm.7:16, 17 – Natã diz a Davi que seu trono seria estabelecido para sempre.

Is 9:6, 7 – O menino nascido reinaria eternamente, trazendo paz sem fim sobre o reino de Davi.

Is 11:1, 2 – Jessé, da linhagem de Davi, de seu trono viria um rebento cheio do Espírito do Senhor.

Mt.21:9, 14-16 – A multidão que O seguia, clamava dizendo: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor.

Por não esconder as falhas dos personagens, e até mesmo mostrar uma genealogia que humanamente é falha, a Bíblia se revela um fiel guia para nossas vidas. De fato, a Bíblia não pinta um quadro otimista do ser humano nem da nossa natureza (Rm.3:9,10; Rm.5:8; Jo.2:25). Ao expor que na própria ascendência de Cristo houveram tantas falhas, Mateus mostra que Deus pode usar (e usa) qualquer pessoa, por mais marginalizada e desprezada que seja, para realizar Seus propósitos. Esse é o próprio tipo de pessoa que Jesus veio salvar.

Mateus, um homem com um passado de inimizade com seu público, escrevendo sobre um outro homem que vinha de uma linhagem duvidosa e havia sido crucificado pelas autoridades romanas, e que além disso havia nascido de uma forma diferente de qualquer outra pessoa da história. Credibilidade seria o maior problema para o escritor. Neste contexto, ele volta a visão para a profecia de Isaías 7:14 (compare com Mt.1:22, 23).

Na sequência do relato, vemos outros personagens como os reis magos (homens sábios) que eram filósofos respeitados em sua origem Persa. Estes, dedicaram as suas vidas em sincera busca pela verdade a qualquer custo. E é irônico pensar que alguns dos primeiros a procurar e adorar o Messias judaico foram gentios. Enquanto a maioria do próprio povo de Jesus achava que sabia que tipo de Messias esperar, havia nesses viajantes vindos do Oriente a mente e o coração abertos. Como se não bastasse a ironia, o rei Herodes em sua paranóia decreta a morte de todos os meninos de Belém e seus arredores com idade menor a dois anos (Mt.2:1-18).

Aqui vemos pagãos de joelhos em adoração à Cristo, em contraste com o rei da nação que procurou matá-lo. Esta história deve servir como um poderoso lembrete de que pertencer a uma igreja não é garantia de estar num relacionamento correto com Deus. Nossa obediência à lei, nossa vitória sobre o pecado e tentação, nosso crescimento em Cristo, embora sejam parte da vida cristã, são resultado da salvação, e nunca sua causa. Nosso amor a Cristo será proporcional a profundeza de nossa percepção de pecado (Fé e Obras pag. 95 e 96).

Nesta geração, as igrejas professas de Cristo desfrutam dos mais altos privilégios. O Senhor Se tem revelado a nós numa luz sempre crescente. Nossos privilégios são muito maiores que os do antigo povo de Deus. Temos não somente a grande luz proporcionada a Israel, mas também a evidência crescente da grande salvação trazida a nós por Cristo. Aquilo que para os judeus era o tipo e símbolo para nós é realidade. Eles tinham a história do Antigo Testamento; nós temos essa e a do Novo. Temos a certeza de um Salvador que veio, um Salvador que foi crucificado, ressurgiu, e, à borda do sepulcro de José, proclamou: “Sou a ressureição e a vida” (Jo.11:25). Em nosso conhecimento de Cristo e de Seu amor o reino de Deus está posto no meio de nós. (Parábolas de Jesus, pag.317).

Guilherme Carrijo, Jeser Castro e Ricardo Dantas

Os comentários estão encerrados.