Culto Divino com Pr. Marco Lamarques – 28/07/18
27/07/2018
Meditação diária de 28/07/2018 por Flávio Reti
28/07/2018

Comentários da Lição 04 (3o Trim/2018) por Profª Ana Kelly Ribeiro

Os primeiros líderes da igreja. “Assim, a palavra de Deus se espalhava. Crescia rapidamente o número de discípulos em Jerusalém; também um grande número de sacerdotes obedecia à fé.” Atos 6:7

A lição dessa semana mostra a intensidade que o evangelho tinha na vida dos primeiros cristãos. Como suas escolhas, sua disponibilidade, sua fidelidade e coragem refletiam o tamanho de sua fé. Ler os capítulos 6 a 8 de Atos é um mergulho e um convite a uma entrega radical a Jesus e uma vida com um sabor intenso de esperança, desafio, de alegria, de sofrimento, de convicção e entrega. Não será esse o remédio para o desânimo que envolve nossas gerações?

David Goodall, de nome sugestivo, chamou a atenção de todos quando disse: “- Não sou feliz. Quero morrer.” Com 104 anos e, sem nenhuma doença grave, o bem-sucedido cientista tinha sido nomeado membro da Ordem da Austrália por seu trabalho científico, tinha família e amigos, alcançou o que chamam de “vida longa e próspera”. Mas não encontrou o sentido da existência. Essa história só não é mais triste do que as pessoas que chegaram a igreja e continuam se sentindo inúteis. Foram chamadas para serem discípulos de Jesus Cristo e tem uma vida sem graça, sem desafios, sem propósito.

Estevão, Felipe e a igreja primitiva nos convidam a repensar nossa existência e religiosidade. Se você encontrou nova vida em Jesus, se seu coração está sendo transformado pelo Espírito e pela mensagem mais disruptiva da história da humanidade, milhares de pessoas precisam te conhecer. Isso pode, no entanto, ser trabalhoso e doloroso. De repente a chave está aí. Parafraseando o Pr. Gerson Pires, quero te desafiar: Quem tem a ousadia de amar nesse mundo mal, deve ter a coragem de sentir dor! Há uma parte da vida de Estevão que não se encontra no livro de Atos, no final dessa lição. A vida desse jovem é um convite radical para nós hoje. Temos coragem?

A nomeação dos sete (Atos 6). Mais uma vez a igreja cresce e toma decisões baseada em suas necessidades. As viúvas helenistas, eram “desprezadas no ministério cotidiano”, segundo as queixas dos irmãos de língua grega. Sem gastar muito tempo procurando um culpado (isso é empolgante), os discípulos inspirados vão direto para a solução. Não se esqueça eles são um, em propósito. “Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa”. Atos 6:3. Eles deveriam se concentrar no ministério da palavra.

O Pr. Paroschi chama a atenção para a semelhança das palavras originais diakoneò e diakonia, ministério de servir às mesas e da palavra, respectivamente. Isso era o cotidiano da igreja, como o evangelho era pregado. Ambos depositários do maior tesouro na terra: o evangelho de Cristo. Ambos servos. Tente no próximo sábado olhar para sua igreja. Mensageiros servem a esperança nas salas das crianças, na limpeza, nos balcões, nos clubes de desbravadores, por trás de instrumentos, nos púlpitos, nas portas e muitos outros lugares, alguns que ninguém vê. E vai além: nas casas, nas ruas, nos escritórios, nas escolas, nos hospitais, nas cadeias, nas autarquias, nas empresas… onde quer que o Espírito Santo encontre um vaso disponível ele vai despejar vida para os que perecem. Seremos honrados o suficiente para isso?

O ministério de Estevão. E dentre os sete escolhidos havia um especial. Estevão, “cheio de fé e do Espírito”. Que predicados! Sua vida compartilhava o evangelho no templo e fora dele. Quem ele era e o que dizia suscitava dúvidas e debates, “mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava.” Atos 6:10. Era um rapaz de palavras e prática.

John Piper em um sermão de reavivamento para a igreja cristã americana, chama a atenção dos jovens e adultos ao dizer que esse mártir tinha o rosto brilhante como um anjo, fruto de uma comunhão face a face com Deus. A respeito do mundo e a igreja ele diz: “Eles não estão impressionados conosco: pessoas prósperas, ricas, “seguras”, de classe média, e que fazem o que todo mundo faz.”

Eu temo que lá na frente, já sem tempo, nos arrependamos de não ter orado, apaixonadamente, buscando o Espírito Santo, que não tenhamos rogado a Deus: “- Aumente a nossa fé!”. Tenho medo de um dia desistirmos da graça de Jesus por não sermos capazes de suportar questionamentos por não termos aproveitado da sabedoria bíblica enquanto era possível. “…antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós;” I Pedro 3:15. Ele respondeu.

Perante o Sinédrio. Se você leu o testemunho de Estevão em Atos 7 notou pelo menos dois pontos relevantes: ele não tem pressa de falar em sua própria defesa, tampouco perde oportunidade de mostrar Jesus Cristo na aliança judaica, tão apreciada pelo Sinédrio.

Entre Estevão e o Sinédrio existem diferenças gritantes. Enquanto o jovem diácono se sente convicto, livre, preparado e um com rosto iluminado como um anjo, os líderes espirituais, homens de status e poder, rangiam os dentes e tinham sua mente perturbada pelo medo e a fúria. Essas são duas emoções perigosas e, sempre que surgem, devemos pedir que Deus nos ajude diagnosticar e tratar esse desequilíbrio. Caso não façamos, poderemos nos ver como aqueles fariseus, praticando fraudes e pagando falsos testemunhos, recorrendo a violência e aceitando sugestões malignas. Não havia acordo entre a luz que emanava daquele rosto e as trevas. A sentença de morte era iminente. Mas antes, Estevão teria uma grande honra.

Jesus no tribunal celestial. Aquele rapaz também viveria o privilégio de uma revelação profética. “Vejo o céu aberto e o Filho do homem de pé, à direita de Deus”. Atos 7:56. A ele foi permitido ver Jesus em seu papel sacerdotal e jurídico no céu. Em um instante, um filme com todas as palavras de Cristo, sua humilhação e tortura passou pela cabeça daqueles condenadores. A reação descontrolada e violenta descrita no verso 56 indica que foram tomados de pavor por aquilo que tinham feito.

A manifestação espiritual que contemplavam na face de Estevão, a ressurreição, o véu do templo rasgado indicava a falha daquela liderança e, também, o fim da exclusividade judaica dentro do plano da redenção. Eles não puderam resistir… então o mataram. “Custará sua vida construir uma igreja que não vive como o resto do mundo. As únicas pessoas que servem para o aqui e agora são aquelas que estão tão radicalmente focadas nas coisas celestiais que estão livres do mundo”. John Piper. Em paz, Estevão viveu e morreu assim.

A propagação do evangelho. Mártires são sementes, você já sabe. A perseguição, liderada pelo irado e perturbado Saulo, espalhou cristãos para fora de Jerusalém incluindo o solo fértil deixado pela mulher samaritana. O Espírito era o gestor dessa missão. Levava gente antenada, disposta e obediente como Felipe ao encontro de gente sedenta como o nobre e influente etíope. Aquela igreja se entregou porque creu, amou e viveu a esperança em Jesus.

Em breve ouviremos eles mesmos contarem detalhes que Lucas não registrou. Será uma festa no céu. Haverá um momento especial lá. Você pode imaginar alguns detalhes comigo?

Quem sabe durante um dos primeiros cultos, num sermão de Jesus sobre a vitória da igreja. Eu posso imaginá-Lo dizendo: “- Quero chamar aqui a frente meu servo Estevão.” E ele vai se deslocando do meio de outros mártires indo lá na frente enquanto Jesus continua e lhe diz: “- Filho, você se lembra do seu último dia na terra? Estávamos juntos enquanto você suportou aquelas pedras. Você foi fiel. A vida eterna é sua! Mas eu tenho um presente especial para você hoje. Quero que você reconheça alguém.” Imagino então Jesus indo até um outro lado, buscando Paulo pela mão até chegar bem pertinho de Estevão para lhe falar: “- Estevão, aqui está Saulo! Está aqui pelo seu testemunho.”

Milhares que se converteram pelo trabalho de Paulo (eu estarei ali) se unirão à emoção do primeiro mártir e naquele momento verão a dimensão da Graça. Considerarão seus sofrimentos pequenos diante de tudo Cristo sonhou para nós. Dirão uns aos outros: – Se tivéssemos que voltar às nossas jornadas espirituais, com toda a luta que elas nos trouxeram, faríamos ainda mais. Temos coragem?

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