Meditação diária de 02/10/2020 por Flávio Reti – Semáforo
02/10/2020
Meditação diária de 03/11/2020 por Flávio Reti – Turbina
03/10/2020

Comentários da Lição 01 (4º Trim/2020)

Lição 1: Educação no jardim do Éden

“Eis que Deus Se mostra grande em Seu poder! Quem é mestre como Ele?” (Jó 36:22).

Uma análise mais detalhada dos primeiros capítulos de Gênesis, especialmente através das lentes da educação, revelará percepções sobre os personagens, o cenário e a história. Essas percepções, certamente, suscitam lições significativas para a experiência cristã.

“O método de educação instituído ao princípio do mundo deveria ser para o homem o modelo durante todo o tempo subsequente. Como ilustração de seus princípios, foi estabelecida uma escola-modelo no Éden, o lar de nossos primeiros pais. O jardim do Éden era a sala de aula; a natureza, o compêndio; o próprio Criador, o instrutor; e os pais da família humana, os alunos” (Ellen G. White, Educação, p. 20).

O Senhor foi o fundador, diretor e professor dessa primeira escola. Mas, como sabemos, Adão e Eva, por fim, escolheram outro professor e aprenderam as lições erradas. O que aconteceu? Por quê? O que aprendemos com esse relato inicial da educação e como ele pode nos ajudar hoje?

A primeira escola

 O jardim do Éden, repleto das riquezas intactas da criação, foi a incrível “sala de aula” de Deus. Deus podia ensinar a Adão, sabendo que ele poderia alcançar todo o seu potencial.

Um dos meios, empregados por Deus, para dar felicidade a família humana foi conceder-lhe responsabilidades. Leia Gênesis 2:15. Pelo fato de conhecermos apenas este mundo de pecado e morte, é difícil imaginar o que o trabalho envolvia e as lições que, evidentemente, Adão aprendeu enquanto trabalhava e cuidava do jardim, seu lar.

Leia Gênesis 2:19-23. Os animais foram criados por Deus para serem companheiros de Adão. Eles, certamente, embelezavam o Éden, e foram motivos de alegrias. Contudo, Deus sabia que Adão precisava da companhia e auxílio de um par, por isso criou Eva.

Este estudo evidencia o propósito de Deus na criação e Seu amor pela humanidade.

Mesmo distantes do Éden, ao observarmos a natureza, aprendemos grandes lições, principalmente se as interpretarmos à luz das Escrituras.

 Intromissão

Nos capítulos 1 e 2 de Gênesis, listamos as coisas boas criadas por Deus. Em Gênesis 3:1, nos damos conta de Sua provisão para o livre arbítrio. De tudo o que podemos extrair dessa história, uma coisa se destaca: Adão e Eva foram criados como seres morais livres.

A presença da serpente, “mais sagaz que todos os animais selváticos”, é um afastamento da linguagem usada até então. Um elemento negativo é introduzido no que, até então, era apenas perfeição.

Em Gênesis 2:17, o Senhor disse a Adão que se ele comesse da árvore “certamente” morreria. Quando Eva, em Gênesis 3;3, repetiu essa ordem, ela não a expressou com tanta intensidade, deixando de fora a palavra “certamente”. Em Gênesis 3:4, a serpente colocou a palavra de volta, mas em completa contradição com o que Deus havia dito. Parece que, embora Eva tivesse sido ensinada por Deus no jardim, ela não levou tão a sério quanto deveria o que tinha aprendido, como podemos ver pela própria linguagem usada por ela.

Esse relato nos deixa importantes lições a respeito da postura cristã diante dos assaltos do inimigo de Deus.

Negligenciando a mensagem

Leia Gênesis 3:4-6.

Verificamos na lição de ontem, que as palavras usadas por Eva, no diálogo com a serpente, mostram que ela atenuou o que havia sido ensinado. É evidente que a fala de Eva, sobre a mensagem de Deus, não era novidade para a serpente, que estava preparada para distorcê-la. O mesmo acontece hoje, de várias formas, a Palavra de Deus é distorcida por supostos sábios. Temos que estar sempre na “sala de aula” de Deus, em comunhão, aprendendo com o grande mestre, obtendo Seu poder para realizar os Seus desígnios para a nossa vida.

Aceitar a revisão da mensagem proposta pela serpente exigia da parte de Eva certa dúvida, em relação a Deus e ao que Ele havia dito. Contudo, mesmo na dúvida, ela poderia ter consultado a Deus. Da mesma, nós, atualmente, quando assaltados pela dúvida, podemos recorrer ao nosso Grande Professor, pois, com certeza, Ele auxilia a todo aquele que o busca com o coração sincero.

“Adão compreendeu que sua companheira havia transgredido a ordem de Deus […]. Teve uma terrível luta interior. Lamentou haver permitido que Eva se afastasse dele. Agora, porém, a ação estava praticada; ele devia se separar daquela cuja companhia tinha sido sua alegria. Como poderia suportar isso?” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 56). Infelizmente, apesar de saber distinguir o certo do errado, Adão fez uma escolha errada

A fé e a obediência são nossa única proteção, mesmo quando recebemos a melhor educação, como Adão e Eva receberam.

Recuperando o que foi perdido

Após a transgressão da ordem de Deus, Adão e Eva deixaram a sala de aula, no jardim do Éden. A vida no mundo imperfeito inaugurou um novo propósito para a educação. É imprescindível que nós, cristãos, compreendamos esse propósito, que é recriar a imagem de Deus em nós. Por meio da oração, serviço e estudo de Sua Palavra, podemos nos aproximar de Deus, como Adão e Eva faziam no jardim do Éden.

A educação cristã deve conduzir os alunos a Cristo, ao que Ele fez por nós e à restauração que Ele oferece.

Ao lermos 2 Pedro 1:3-11, compreendemos que muito do que o ser humano perdeu, ao deixar o jardim, pode ser recuperado. Esses versos nos mostram como buscar a restauração da imagem de Deus em nossa vida. A verdadeira educação leva ao verdadeiro conhecimento, o conhecimento de Cristo, e, assim, não apenas nos tornamos mais semelhantes a Ele, como também podemos compartilhar nosso conhecimento Dele. Dessa forma podemos, com o auxílio do Espírito Santo, encaminhar mais alunos para “a sala de aula” de Deus.

Os que desprezam a autoridade

A sala de aula também é um espaço próprio para apresentar sinais de alerta e advertências, as quais encontramos em 2 Pedro 2:1-17. Verifique o verso 10, que discorre sobre aqueles que desprezam a autoridade. Que repreensão severa ao que também é uma realidade em nossos dias! Como corpo da igreja, devemos trabalhar com base no princípio de que devem existir níveis de autoridade (veja Hb 13:7, 17, 24). A hierarquia deve ser respeitada, devemos obedecer às autoridades, pelo menos na medida em que essas autoridades estão sendo fiéis ao próprio Senhor.

Pedro apresentou, no verso 9, em meio a dura condenação, um contraponto, ao afirmar que Deus “sabe livrar da provação os piedosos”. Seria possível que parte de nossa educação cristã não seja apenas evitar a tentação, mas também descobrir as maneiras pelas quais Deus nos livra dela, além de nos proteger dos que introduzem, “dissimuladamente, heresias destruidoras” (2Pe 2:1)?

Conclusão

Ficamos frustrados com nossa fraqueza, ao visualizar a astúcia de Satanás no Éden. No mundo atual, convivemos com correntes filosóficas e estilos de vida que desafiam a fé cristã. O inimigo de Deus está por trás das falácias e ensinos sutis que se apresentam na forma que desafiam o intelecto e o pensamento cristão. Nossas únicas salvaguardas são a oração e a comunhão com a Sua Palavra.

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