Meditação diária de 07/09/2018 por Flávio Reti
07/09/2018
Meditação diária de 08/09/2018 por Flávio Reti
08/09/2018

Comentários da Lição 10 (3o Trim/2018) por Profª Ana Kelly Ribeiro

A terceira viagem missionária

Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus. Atos 20:24

Já faz algum tempo que o cérebro humano é estudado para se descobrir como funciona o estímulo da motivação. Somos sempre impulsionados por forças que nos fazem agir de um jeito ou de outro. É como se fôssemos uma vela aberta no mar. Seremos levados pelos ventos. Podem ser ventos calmos, ou fortes. Nos levarão para norte ou sul, oriente ou ocidente. Quando perdemos a habilidade de nos motivar, adoecemos. No entanto, como fazem os bons velejadores, é possível ajustar as velas e escolher para onde vamos.

Vivemos em 2018 mas, continuamos movidos basicamente pelas mesmas coisas de sempre: pelo instinto de sobrevivência e a satisfação de necessidades imediatas; pelo efeito manada -levados pelo “senso” coletivo ou a experiência alheia ou por uma missão abraçada de maneira pessoal, racional e experimental.

A terceira viagem de missionária nos permite perceber que proclamar o evangelho se tornou a razão de vida de Paulo. De alguma forma muito especial, ele viu que essa vida é efêmera, entregou-se ao Dono da eternidade para cumprir a missão que recebeu. Cada relato de Atos 18 a 21, mostra suas estratégias na implantação e fortalecimento de igrejas, de líderes e também as reações que  a mensagem cristã causou nos que aceitaram, nos que rejeitaram e até naqueles que receberam o evangelho de maneira superficial.

A mensagem de Cristo, se nos converte, nos transforma em missionários. O senso de utilidade nos toma para sempre e, com tal propósito jamais estaremos à deriva.

Antes que o sol se ponha, pense em algum ato que leve à conversão de alguma pessoa e execute-o com todas as suas forças.” Charles Spugeon

Éfeso. Os relatos sobre Éfeso incluem Apolo e outros pregadores do evangelho que são descritos como discípulos de João Batista e que não passaram pela experiência do Pentecoste. Alguns progressos do cristianismo ainda não haviam chegado a eles, o que não os impediu de prosseguirem atuando e sendo instrumentos. Áquila e Priscila tiveram um olhar receptivo e não competitivo e isso é uma grande lição. Eles foram instruídos por Paulo e tiveram sua aprovação demonstrada pelos dons derramados sobre eles. A igreja invisível de Deus tem dimensões que só o Espírito conhece e a nós, não foi concedido nenhum documento de autorização de juízo ou exclusividade.

Durante os anos onde a palavra foi aberta para ensino de todos, os milagres eram realizados devido à grande carência do povo. Sua fé, que muitas vezes se ancorava até em objetos de Paulo, em uma tentativa supersticiosa de se aproximar daqueles que consideravam próximos de Cristo, parece ter movido a compaixão Divina em direção ao alcance da compreensão deles.

Um relato marcante desse tempo, conta que uns tais exorcistas, filhos de Cevas, principal do sacerdócio, tentaram lutar contra espíritos malignos como descreve o texto bíblico: “Em nome de Jesus, a quem Paulo prega, eu lhes ordeno que saiam” Atos 19:13. A resposta, no entanto é pesada e constrangedora. “Um dia, o espírito maligno lhes respondeu: “Jesus, eu conheço, Paulo, eu sei quem é; mas vocês, quem são? ” Atos 19:15. O mundo metafísico é realidade que se manifesta. Nesse mundo não é possível você manter as aparências. O poder que havia na pregação e milagres que Paulo realizava não vinha dele. Era resultado de uma conexão real com o Altíssimo. Anjos caídos podem não servir a Deus, mas seu respeito e temor são inevitáveis Àquele que os criou. No entanto, esses homens, apesar de religiosos, não podiam evocar a vida espiritual de outra pessoa como se fosse um amuleto. No confronto com as forças do mal, seja direto ou indireto, é a presença REAL de Deus em nós que nos confere a vitória. Isso me faz pensar: Até quanto se adia a busca pessoal e dedicada? Quando é que se iniciará uma vida de oração e leitura da Bíblia, uma entrega completa à ação do Espírito Santo?

Antes de deixar Éfeso um outro incidente nos ensina muita coisa. Com todas as manifestações do poder de Deus, o evangelho se espalhou na cidade do templo de Diana. Demétrio, um empresário local, produtor de estátuas, sentiu no bolso o incômodo das conversões. Conclamou um ajuntamento baseado em seus interesses e revestido de uma falsa piedade religiosa. Sempre isso. Interesses pessoais. O mais impressionante é a resposta das pessoas. Eles começaram um intenso protesto contra a pregação de Paulo. Gritavam apaixonadamente: “- Grande é Diana dos efésios!” Mas um registro em Atos 19:32 chega a ser contemporâneo: “A maior parte do povo nem sabia por que estava ali.” Atos 19:32. É O EFEITO MANADA! E é triste! Somos criaturas criadas para o raciocínio e num piscar de olhos estamos espumando o canto da boca sem saber a razão?!?!

Deus poderia empurrar o homem, deixa-lo embasbacado com seu poder. Poderia amedronta-lo, oprimi-lo ou ainda dominar seus pensamentos. Mas em respeito à Sua obra prima e à liberdade, que foi Ele mesmo quem criou, nos convida a examinar as Escrituras, a testá-Lo e decidir a quem vamos seguir. Não podemos viver esse convite de maneira superficial ou seremos arrastos por tendências alheias ou paixões. Se deixarmos simplesmente o tempo passar, quando nos dermos conta, nos arrependeremos do que perdemos.

Mileto. Já em Mileto, um momento tocante aconteceu. Paulo, perceptivelmente emocionado, se despede da igreja. “Agora, compelido pelo Espírito, estou indo para Jerusalém, sem saber o que me acontecerá ali, senão que, em todas as cidades, o Espírito Santo me avisa que prisões e sofrimentos me esperam. Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus. Agora sei que nenhum de vocês, entre os quais passei pregando o Reino, verá novamente a minha face.” Atos 20:22-25. Lucas descreve a emoção daquele momento dizendo que choravam e se abraçavam.  (Atos 20:37, 38). As despedidas são duras.

Antes partir, ele cuida de orientá-los e fortalece-los para seguirem sozinhos a jornada. Como mãe sinto, pelo menos em parte, a preocupação de Paulo. Sei que não vou percorrer a vida inteira com meus filhos. Muitas coisas eles farão, decidirão e viverão sozinhos. O medo, às vezes, bate. Tenho vontade dizer um monte de coisas, tentar prever diversas situações, e até faço, muitas vezes. Mas tenho que entregar aqueles que amo nas mãos do Senhor. E de tudo que tenho que dizer a eles, meu exemplo tem que ser o maior discurso. Preciso ter uma viva experiência diante dos olhos deles.

“Paulo levou através de sua vida terrena a atmosfera do Céu. Todos os que com ele se associavam sentiam a influência de sua união com Cristo e a companhia com os anjos. Nisto reside o poder da verdade. A influência espontânea e inconsciente de uma vida santa é o mais convincente sermão que se pode fazer em prol do cristianismo. O argumento, mesmo quando seja irrespondível, pode só provocar oposição; mas o exemplo piedoso tem um poder a que é impossível resistir completamente.” História da Redenção, 318.

Que nossa experiência, nesse sábado e sempre, seja real, racional, pessoal e missionária. Os ventos do Espírito soprarão nossas velas até o dia do grande encontro, sem mais despedidas.

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