Semana de Oração – Transformados
31/08/2018
Meditação diária de 01/09/2018 por Flávio Reti
01/09/2018

Comentários da Lição 09 (3o Trim/2018) por Profª Ana Kelly Ribeiro

A segunda viagem missionária

Não tenha medo, continue falando e não fique calado, pois estou com você, e ninguém vai lhe fazer mal ou feri-lo, porque tenho muita gente nesta cidade“. Atos 18:9,10

Aproximadamente vinte cidades com pelo menos duas mudanças drásticas de percurso. Perseguidos por demônios, acusados, açoitados com varas, presos pelos pés a troncos, encurralados, separados, desprezados… Se você tiver coragem de fazer um resumo do que foi essa segunda viagem e, o que esses homens passaram, vai chegar a questionamentos como: Por que foi permitido tanto sofrimento? Como podem ter persistido?

O livro de F. B. Meyer sobre Isaías e seus sofrimentos, traz um trecho para essa reflexão: “Se, ao visitar um país desconhecido, sou informado de que devo passar por um vale escuro onde o sol está oculto ou por uma parte pedregosa de uma estrada a caminho da minha habitação, ao chegar ao meu destino, cada momento de sombra ou sacolejo da carruagem me asseguram de que estou caminho certo.”

Olho para Paulo e seus companheiros descritos em Atos 16, 17 e 18 e vejo uma força como a da água, não das pedras. Eles resistiam sem serem lascados. Se adequaram aos mais diferentes lugares e situações. Foram moldados pelo Espírito, tendo, não apenas seu roteiro alterado, mas também seus corpos, seus planos e seus sermões. Foram tão flexíveis e resistentes que puderam, ensanguentados, cantar à meia-noite. Eram tão livres que permaneceram em cadeias destruídas por Deus para que vidas fossem reconstruídas por Ele.

O sofrimento é intrínseco da existência humana. A pergunta é: pelo que sofreremos?

De volta a Listra. A viagem começou com mudanças de equipe. Não é útil florear. A briga entre Barnabé e Paulo foi intensa. Era gente como a gente, vivendo o serviço. De um lado Barnabé, querendo dar ao seu primo, provavelmente arrependido, uma nova chance no ministério e, de outro Paulo temendo arriscar a missão com a fragilidade de João Marcos. A solução encontrada foi remodelar as equipes, o que posteriormente se mostrou benéfico para o alcance do evangelho. “Nos essenciais, unidade. Nos não-essenciais, liberdade. Em tudo, amor.” Eis uma receita de Phillip Melanchton para dilemas.

Logo na cidade de Listra, um novo personagem compõe a história cristã. Timóteo, filho de uma judia e um gentio, crente, porém incircunciso. Imagine a cena descrita no verso 3! Paulo, o mesmo que escreveu aos Gálatas, o mesmo do concílio de Jerusalém, lavando as mãos e circuncidando seu discípulo. Como assim?

Flexibilidade e propósito. Esse era o tipo de força que conduzia esses homens. Segundo a narrativa, ele fez isso por causa dos judeus. Provavelmente fizeram uma conta rápida da quantidade de energia que seria gasta até que Timóteo fosse aceito em cada sinagoga. Certamente essa dupla olhou para a perseguição, teimosia e estreiteza dos outros e, focados no propósito, trouxeram o problema para o seu campo de ação. O livro de Atos é capaz de ressignificar qualquer conceito de coragem e serviço.

Filipos. Depois de tentativas não autorizadas para a Ásia e Bitímia, eles seguem para Filipos, território da Macedônia. Procuraram como era o costume, um lugar para orar no sábado (Atos 16:13) e ali pregaram e batizaram cristãos fiéis e suas famílias. Ao libertar uma garota de espíritos que a escravizavam, começou a ser acusado pelos senhores que lucravam com as adivinhações dessa moça. Foram espancados e presos.

Já pensou que eles gostariam de estar na Ásia ou em Bitímia? Agora estavam algemados e surrados… Qual de nós não pensaria: Por que, Senhor? Se o Senhor nos mandou para cá, por que permitiu que enfrentássemos tamanha humilhação e dor? Mas Paulo e Silas dão um nó nas previsões humanas: “Por volta da meia-noite, Paulo e Silas estavam orando e cantando hinos a Deus; os outros presos os ouviam.” Atos 16:25. Isso abala o mundo. Que dirá uma prisão?!?!

Sem pressa, sem medo, sem dúvida, eles impedem o carcereiro de se matar e pregam um dos maiores sermões do cristianismo com poucas palavras. Esse carcereiro poderia já ter contato com o evangelho previamente, ter ouvido sobre o cristianismo, mas viu a Cristo naquelas vidas, se entregou, se batizou e veja o verso 34: “…e com todos os de sua casa alegrou-se muito por haver crido em Deus.” Paulo pode ver uma família sendo salva e retomando a alegria de viver. Deus sabe onde nos levar.

Tessalônica e Bereia. O contraste entre esses dois povos existe em todo o meio religioso. Na sinagoga de Tessalônica, os judeus reagiram movidos pela inveja. Rejeitaram e foram agressivos. Já os judeus de Bereia, menos inseguros, ouviram com disposição de examinar as escrituras porque julgaram que elas eram mais importantes que suas ideias e interpretações. Inconformada, a turma de Tessalônica pagou os próprios custos de viagem para Bereia para continuar a oposição. Mas a perseguição só impulsiona o evangelho. E dessa vez, para Atenas.

Atenas. Paulo chega a Atenas sozinho. Imagine ele andando pelas ruas daquela cidade imersa em idolatria. Entrando e saindo de templos e prédios, ouvindo debates na praça, e contemplando o orgulho intelectual por ideias tão distantes do Caminho. Ele deve ter orado e se preparado para a nova estratégia. Além de visitar a sinagoga, começou a dialogar com os curiosos gregos. Até que foi convidado a falar no Areópago.  Seu sermão é um dos trechos mais amorosos de um pregador para seus ouvintes, ao mesmo tempo é adoração viva! Veja você mesmo um trecho: “Deus não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas. De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós. ‘Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele’.” Atos 17:25-28.

Tente imaginar isso dito no centro ocidental do intelectualismo da época. Que sonho poder testemunhar assim! Imaginem a vibração dos anjos! Mundos não caídos comtemplando um ser humano salvo e movido pelo Espírito de Deus. Isso é redenção! Só no céu saberemos todo o resultado das viagens, sermões, sacrifícios, louvores. Ele foi amparado em Corinto e Éfeso. Pode ver o consolo de seu Senhor ao lhe dizer: “Não temas… Eu sou contigo!” Mas os sofrimentos continuariam até Roma de onde escreveria: “Eu já estou sendo derramado como uma oferta de bebida. Está próximo o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.” 2 Timóteo 4:6,7.

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